Amy está aninhada em mim, o corpo quente, pesado de sono. O rosto enterrado no meu peito como se aquele fosse o único lugar seguro do mundo. Roço o nariz no topo da cabeça dela e inspiro. O cheiro é doce, familiar rápido demais, íntimo rápido demais. Cubra-a melhor. Beijo onde alcanço: testa, têmpora, cabelo. Lá fora, a chuva cai contínua, abafando a cidade. Me encolho mais com ela, como se pudesse protegê-la de tudo. — Esse é o único lugar onde eu quero estar… — ela murmura, a voz arrastada pelo sono. — Você tá acordada? — pergunto baixinho.. Sorrio. Um sorriso pequeno, quase dolorido. — Não vá, Edgar… eu… — a voz falha, o choro vem fraco, inconsciente. — Eu não vou a lugar algum — sussurro, apertando-a contra mim. Ela se acalma. O corpo relaxa. Dorme de verdade. Eu não. Fico ali

