Atena Spanos
Ter a mesma aparência da minha irmã para mim é uma dádiva, tenho orgulho de tê-la como a minha gêmea, nos formamos em administração de empresas, mas Gaia está fazendo uma especialização para que ela possa trabalhar no museu como a nossa mãe, fora o seu treinamento com cibernética.
Continuo no meu quarto esperando pela boa vontade que ela me diga que roupa escolheu, hoje é o seu almoço antes do casamento, todos sabemos o quanto ela está infeliz com todo esse circo que nosso pai bateu o pé para que acontecesse.
Se ele pelo menos enxergasse um pouco mais que a sua profissão, e nos visse como suas filhas, entenderia que está casando a filha errada, ouço a porta e melhoro minha fisionomia para que ninguém perceba que estou tão magoada quanto a minha irmã.
Mas pelos motivos errados…
— Pode entrar. — Estava sentada na poltrona olhando para o horizonte quando sinto as mãos de minha prima Alice.
— Nossa avó pediu que desça, ela quer conversar com você antes que a Gaia desça para o almoço. — Estreito a minha sobrancelha.
Saio do quarto e sigo com minha prima até o jardim e vejo a minha avó Maitê com os joelhos no chão mexendo na terra para cuidar de suas rosas.
— Bom dia, vovó, o que precisa de mim? — Minha avó larga os materiais de jardinagem e se vira em minha direção e me manda ajoelhar ao seu lado.
— Sabe Atena, vocês duas podem ser exatamente iguais, mas uma coisa difere vocês duas e percebi isso quando vocês ainda eram crianças. — Minha avó começa a dizer.
— Seu pai inventou essa sandice ao forçar esse casamento entre a sua irmã e o Joaquim. — Ela continua a falar e suspiro.
— Não estou entendendo vovó, o que a senhora precisa de mim? — Pergunto mais uma vez.
Espero que ela não fique me enrolando, a amo de todo meu coração, mas minha avó Maitê é conhecida por não dizer as coisas diretamente.
— Quero ajudar vocês duas, você a ficar com o Joaquim e a Gaia ficar com o Arthur. — Ela diz com tanta naturalidade.
Sinto meus olhos quase saltando para fora do meu rosto e se enterrando embaixo das rosas de que ela cuidava.
— Vovó, não repita isso, por favor, se meu pai a ouve, ele me tranca no quarto sei lá por quantos anos. — Ela começa a rir.
— Atena, deixe de ser medrosa, não criamos vocês duas para terem medo dos seus homens, criamos para que vocês os dominem e façam deles seus cachorrinhos, meu amor. — Seguro um riso, quando vejo que os seguranças do meu pai se aproximarem. — Sei que pelo menos a Laís criamos da forma certa. — Ela diz com orgulho.
Continuo tão confusa desde a hora que cheguei ao jardim, mantenho os olhos nas mudas de rosas deitadas no chão enquanto tento encontrar uma explicação para o que minha avó tem em mente.
— Como hoje é o dia do almoço e amanhã é o casamento, solicitei ajuda da sua tia Selma para que ela pedisse que o seu tio Demétrius encomendasse algumas garrafas daquele uísque que eles sempre encomendam, colocarei algo dentro. — Ela diz tranquilamente.
Céus, estou olhando para a velinha na minha frente e desconfio que minha avó foi abduzida e um ser espacial esteja dentro dela.
— Vovó você enlouqueceu? O que pretende com tudo isso? — Pergunto de uma vez.
— Que o Joaquim te faça sua esposa e que a Gaia seja feliz com a escolha dela, sei que é isso que deseja Atena, sem contar que o menino Matheus engana a mãe dele, mas a mim não. — Estreito os olhos e inclino a cabeça com curiosidade, o que essa velhinha tão perspicaz sabe e que esconde de todos.
— Conte-me agora, o que não sabemos? — Ela aperta a minha bochecha e sorri.
— Matheus é apaixonado pela Alice, mas aquela ali é mais cega que uma minhoca. — Começo a rir da minha avó com as suas ideias mirabolantes. — Mas voltando para o que interessa.
Um dos seguranças se aproxima da gente e avisa que minha mãe está me procurando e pede para entrar na mansão, mas a minha avó é mais sutil que um coice de um cavalo respondendo para o pobre homem.
— Diga à senhora Spanos que aquele povo todo pode esperar. Atena está me ajudando com as rosas, agora sai da nossa frente. — Lanço um pedido de desculpa para o homem.
— Vovó, tenho que ir. — Ela segura a minha mão e me mantém ali.
— Quando acontecer toda a festa e o Joaquim estiver preparado para ir embora, você chamará a sua irmã para ir trocar de roupa e você irá se passar por ela, você entendeu? — Ela diz e mantenho meus olhos fixos em seu rosto.
Acabo confirmando com a cabeça, mesmo que a ideia da minha avó seja um tanto sem sentido, acho que é a única solução para os nossos problemas e sem contar que existem muitos riscos.
— Mas e quando for de manhã e meu pai perceber que não sou quem está em casa e sim a Gaia, o que será da gente? — Ele provavelmente fará um rebuliço e vai nos punir.
— Quando for de manhã, Clarice, Ivone e Paula estarão aqui; e conosco seu pai não irá fazer nada, mas lembre-se consuma o casamento se entregue para ele. A escolha de contar para ele quem é você só cabe a você. — Céus, minha avó enlouqueceu.
— Conversarei com a sua irmã mais tarde, assim como já conversei com o Arthur, estou apenas esperando que a Juliana e o Claudio se afastem um pouco dele para poder explicar sobre amanhã. — Noto que a minha avó tem um plano traçado em sua cabeça.
Vejo a minha mãe se aproximando e minha vó começa a falar sobre adubo e compostagem, ela disfarça muito melhor que eu.
— Atena estão todos esperando você para que seu pai apresente você e Matheus. Vamos, Maitê deixe as rosas para depois. — Minha mãe se aproxima com um vestido a deixando linda.
Minha avó se ergue com dificuldade, mesmo ela estando com seus quase setenta anos, ela ainda parece bem jovial, mas devido ao acidente com o carro, até hoje ela ainda tem alguma dificuldade para andar.
— Não sei que pressa é essa de vocês dois, ainda por cima para fazer as próprias filhas infelizes. — A velhinha ao meu lado diz.
Minha avó usa a bengala e bate no ombro de minha mãe que me olha de cara feia quando deixo uma risada sair.
— Sabe que não cabe a mim essas decisões, Maitê; seu filho colocou isso na cabeça e infelizmente não consegui mudar. — Percebo minha avó desdenhando do que ela fala.
— Bobagem, te ensinei muito bem como conseguir as coisas com o Alex, sem contar que ele sempre foi um homem completamente apaixonado por você e fazia todos os seus desejos, ou isso mudou? — Minha mãe solta um suspiro pesado.
— Amo minhas filhas, mas preferimos vê-las casadas com nossos conhecidos que com filhos de outras casas, olha o que aconteceu com a Helena. — Sofreu apaixonada pelo Tanaka anos a fio até se entregar novamente.
— Helena quase se matou por ser abandonada mamãe, o que estão fazendo é diferente, estão sentenciando a minha irmã à infelicidade. — Digo irritada.
— Isso não é desculpa, Bonnie, são os sentimentos das minhas netas e as meninas decidiram se calar para agradar vocês, vejo-as como duas ovelhas sendo entregues para o abate. — Me solto dos braços de minha mãe e a deixo falando sozinha.
Doe ouvir a realidade de nossas vidas, minha irmã que amo mais do que qualquer coisa, vai se casar com o homem pelo qual sou apaixonada, enquanto ela é apaixonada pelo sobrinho da nossa tia Carol que não se envolveu com esse mundo que vivemos.
Como não queria entrar pela entrada principal e nem pela cozinha, usei a porta do quarto da tia Carol que estava aberta, apenas com as cortinas abaixadas. Sei que eles não estavam no quarto, porque como ela é m****o do conselho deve estar em reunião para oficializar o casamento hoje.
Mas assim que entro no quarto dou de cara com meu então noivo beijando a minha prima Alice, paro ali olhando para os dois; e eles olhando para mim. Ninguém conseguia dizer nada, mas recupero a fala assim que ouço a voz da minha mãe.
— Saia rápido daqui Matheus, minha mãe vem vindo. — Seguro no braço da Alice e saímos do quarto.
Fico rindo com toda essa troca de casais que está acontecendo nesta manhã. Se meu pai não fosse tão cabeça dura, ele poderia ter as duas filhas felizes, mas ao invés disso ele apenas conseguiu que a sua filha do meio criasse uma mágoa tão grande que m*l suporta ficar na mesma sala onde ele está.