006

1434 Words
• Maria • Abro os olhos, mas não sei se consigo sentir meu corpo. Tudo vai se ligando devagar. — Ei, consegue me ouvir? — Drew, que está ao meu lado, se questiona — Caramba, você está horrível. — Edward comenta — Obrigada, Edward. — digo baixo — A gente ficou preocupado. — Ali diz — Você está bem? — Sam pergunta — Estou. — resmungo e me sento na maca da enfermaria — Só preciso descansar pro jogo. — Tem certeza que irá ao jogo? — Jessie me olha franzindo o cenho — É uma tradição da Audácia. — a encaro — E eu sou da Audácia. — Esse será o melhor caça-bandeiras da Audácia. — Drew sorri *** Abri os olhos sentindo-me um pouco menos cansada. Olho no relógio em meu pulso e vejo que ainda falta para o grande evento da iniciação. Me espreguiço e sento na maca assim que ouço passos. Quatro está entrando na enfermaria e sorri pra mim. — Olhe só, você já acordou. — ele comenta se aproximando — Nem parece que levou uma surra. Tá pronta pra outra. — ri — Outra nem tão cedo, por favor. — brinco ajeitando o cabelo, tentando parecer apresentável — Tá pronta pro jogo? — Quase pronta. — sorrio pegando uma garrafa d'água ao lado da maca e tomando um gole — Minhas dores têm dores, mas tenho certeza que irei conseguir raptar a bandeira, mais tarde. — Dores com dores é? — ele ri e põe uma sacola de papel em cima da maca — Christina e Tris escolheram pra você. Um traje para mais tarde. — Uh, eu agradeço. — lhe dirijo meu melhor sorriso de agradecimento, mas sinto as maçãs de meu rosto protestarem — Como você está? — Bem. Não estou fora, então estou bem. E você? — Com raiva. Mas bem também. — deu de ombros — Soube que você me trouxe pra cá. — É, você estava meio mole. Murmurou algo como "vou matar você" quando tentei tirar sua blusa. — ele diz e eu coro de vergonha — Ei, foi profissional, ok? Alice precisava de ajuda. — Certo. Tentarei me lembrar disso. — pondero — Ou melhor, esquecer. — Você é durona, Maria. Admiro isso. — Obrigada. — Posso fazer uma pergunta? — aceno com a cabeça — Como Sol virou Maria? Acabo rindo, mesmo com dor. É a pergunta que todos se fazem. — Sol de Maria. — explico — Ah! Agora faz todo sentido. — ele ri — Vocês hippies conseguem os nomes mais esquisitos. — E você? Por que "Quatro"? — Se eu te contar, vou ter que te matar. — ele se aproxima e fica me encarando sério — Não tenho medo de você, Quatro. É estranho, mas eu confio em você. — sou sincera — Além do mais, morrer na sua mão seria melhor que morrer nas mãos do loiro sebento. — Loiro sebento? — ele ri cruzando os braços — Deixe-me adivinhar, esse é o Eric. — Bingo! Pegue seu prêmio. — jogo meu travesseiro nele, que agarra num reflexo ótimo — Você é engraçada, hippie. — ele diz rindo — Você também, Dois. — implico — Eu preciso ir agora. — ele me joga o travesseiro de volta — Se cuide e tome cuidado com Eric. — Tomarei. — garanto • Eric • A noite logo chegou e, com ela, o caça-bandeiras. Eu estava agitado. Adoro participar desses jogos. Principalmente porque sou o capitão de um time, enquanto Quatro é de outro. Ficar contra ele é minha principal diversão. — Pronto pro jogo? — Joanne pergunta enquanto estamos no Fosso, vendo todos os iniciandos se agruparem — Sempre. — digo observando o fluxo de pessoas — Soube que sua hippie irá participar. — ela comenta baixo — Acho meio difícil. — pondero — E ela não é minha hippie. — Acho que ela pode nos surpreender de novo. — ela dá de ombros, ignorando minha última frase — Por favor, cala a boca. — reviro os olhos — Chamem os médicos! Eric disse "por favor". — ela zomba — Atenção! — digo alto, chamando a atenção de todos — O que vamos fazer essa noite, é uma tradição da Audácia. Não nos envergonhem! — todos me olham em silêncio — Todos juntos, com calma, me sigam para fora do complexo. Quem ficar para trás, estará fora. Dito isso, me levanto de onde estou sentado e vou andando junto com a equipe para fora, sendo seguido pelos iniciandos. O grupo da Hippie — Drew, Ali, Jessie e Edward — está nos seguindo e não estão com uma cara muito boa. Drew parece tenso. Acho que Maria realmente não vem. Chegamos na beira da linha do trem e fico em silêncio. À minha esquerda estão Joanne e Christina. À minha direita, Tris e Quatro. Cruzo os braços, já um tanto impaciente. — Que horas esse trem passa? — olho para Quatro — Será que você não é nem capaz de memorizar a merda de um horário? Quando ele responde, todos os burburinhos se calam e eu o olho com meu melhor olhar frio, sem abalar minha postura. — Pra que vou memorizar, se eu tenho você para fazer o que eu quiser? — ergo uma sobrancelha e vejo o mesmo travar seu maxilar Logo ouvimos barulho e o trem encosta na estação. Sou o primeiro a subir e vejo Max ali com as armas certas para o jogo. Todos sobem no trem e se distribuem nos dois vagões liberados para nós. Quando o trem começa a dar partida, vejo Drew se inclinar para fora e puxar alguém. Esse alguém é Maria e ela está linda com o traje de guerra. Respiro fundo e vou ao seu encontro. Seus amigos a cumprimentam e alguns conversam baixo, mas todos se calam quando eu fico cara a cara com ela. Ela me encara. Tem as maçãs do rosto um tanto avermelhadas e um band aid acima da sobrancelha direita. O r**o em seu cabelo acaba voando um pouco, por conta da velocidade do trem e da porta aberta. — Achei que não viria. — murmuro — Aqui estou. — ela mantém o olhar duro contra mim — Que bom que não vou precisar te cortar da lista. — tento soar o mais indiferente possível — Não gosto de perder bons soldados. — Não se preocupe com isso, líder. — ela diz com o maxilar levemente trincado — Eu sou da Audácia. Me afasto assim que percebo que a palavra líder, ao sair da boca dela, teve conexão direta com minha virilha. Chamo a atenção e todos se espremem envolta de mim e do contêiner com as armas. — Essas são as armas do jogo de hoje. — digo — É isso que vamos usar? — Edward franze o cenho encarando as armas — Parece brinquedo de criança. — Ezra diz Atiro na perna de Edward e Joanne atira no peito de Ezra. Os dois caem no chão e nós continuamos apresentando as armas. Será que eu vou ter que fazer isso toda iniciação? Quando vão aprender que não se questiona nada aqui? — Dardo neuroestimulante. — Joanne diz espalhando as armas — Ativam a parte do seu cérebro que estimula a dor. Sensação real, porém inofensiva. — aviso — Vocês serão divididos em dois grupos. Quatro e eu seremos os capitães. O grupo que achar a bandeira do outro, ganha. — Certo. - Ali murmura com cara de quem está fazendo anotação mental — Pode escolher primeiro. — olho para Quatro — Não preciso de vantagem. Escolha você. — ele cruza os braços me encarando — Certo. — murmuro — Maria. — escolho Todos se calam e intercalam o olhar entre Maria e eu. Percebo que ela fica surpresa com minha escolha, mas não me olha. Quatro estreita os olhos na minha direção e parece me analisar. O que ele quer saber de mim? — O que foi? — o encaro — Acha que se eu perder, vou pôr a culpa nela? — sorrio zombeteiro — Depois vemos isso. — Quatro retribui o sorriso — Mas talvez você se surpreenda. — Espero poder ficar contra ela. — ouço a tal Peggy murmurar — Estou ótima. — ela se pronuncia — Se alguém vai chorar aqui, não sou eu. Olho para ela sério e ela permanece me encarando. Ok! De hoje não passa. Vou ensiná-la a não me contrariar. — Drew. — Quatro escolhe o primeiro da lista — Ezra. — pego o segundo Essa noite promete. Que comecem os jogos.
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