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1800 Words
E R I C Achei que teria muita decepção nessa fase de transferência de facções, mas estou sendo surpreendido. Assim que soube que um m****o da Amizade havia se transferido, minha principal ideia foi infernizá-lo e fazê-lo sair, mas para minha total surpresa, era uma garota e essa garota não desiste nunca. Eu a vi responder a implicâncias, piadinhas, a vi não perder a compostura e subir de posição em posição até chegar em quinto lugar. Os poucos treinamentos que participo, faço questão de pressioná-la, pois consigo sentir o meu impacto sobre ela. Ela me obedece sem hesitar, assim como muitos, mas ainda parece que vai se esconder no primeiro buraco que encontrar só de ouvir minha voz. Joanne diz que estou obcecado por essa garota, mas não é obsessão. Imagine um franguinho surgir e, de repente, virar quase a líder do galinheiro inteiro. Eu vi essa menina não arregar nem mesmo para Johnny, um babaca projeto de machão da Erudição que vive babando meu ovo e se achando o c***l de tudo. Coitado! Ele não sabe o que é crueldade. - Ei, gigante! A voz de Joanne entra na minha mente e eu tiro minha atenção do monitor da minha mesa para dar à ela. Ela está pendurada na maçaneta da minha porta e tem um sorriso divertido no rosto. - Que tal beber e me acompanhar na minha nova tatuagem? - ela ergue uma das sobrancelhas - Vai tatuar meu nome na sua b***a? - Não mesmo. - diz rindo Desligo o monitor da mesa e me levanto, saindo da sala e seguindo minha melhor - e única - amiga pelo complexo da Audácia. Seguimos o caminho até o estúdio de tatuagens falando sobre coisas aleatórias do dia dela e, assim que chegamos no local, vejo que há muitos membros ali colocando mais piercings e desenhando tribais em seus corpos. Pego uma cerveja - bebida exclusiva para membros da Audácia - e me aproximo da parede com amostras de desenhos, enquanto Joanne tagarela sobre qual desenho fazer. Eu admiro alguns desenhos, mas logo ouço uma gargalhada feminina que me faz franzer o cenho e virar o pescoço, procurando pela sua dona. Meus olhos varrem o local e logo encontram o grupo da Hippie. Quem gargalhou, foi a baixinha de pernas roliças, ex-Abnegação. Hippie apenas faz um gesto negativo com a cabeça e faz uma careta. Percebo que ela está de bruços na cadeira especial e Tori mexe em suas costas nuas. De onde estou, consigo ver seu perfil e seu seio prensado contra a cadeira. Ela vira o pescoço e deita sobre os braços, não dando atenção ao que os amigos dizem. Sua testa carrega um pequeno arranhão que ganhara no último confronto com Peggy, a ex-Franqueza. Não demora muito para seus olhos encontrarem os meus e, ao contrário do que pensei, ela não recuou de primeira. Sustentou o olhar por alguns segundos e depois virou para o outro lado, voltando a dar atenção aos amigos. Drew, o ex-Erudição, está de braços cruzados ao lado dela, observando o trabalho de Tori. Assim que ela termina, ele toca a pele das costas de Maria e e sorri. De um jeito rápido e prático, ela veste a camisa preta grande demais para ela e se senta, jogando os longos cabelos para as costas. - Isso é obsessão. - ouço Joanne resmungar - Já escolheu o desenho? - olho para ela - Já. - ela diz animada e se senta em uma cadeira Me sento ao lado dela e apenas fico bebendo calado, enquanto ouço as conversas paralelas de todos. Não consigo ouvir a conversa do grupo da Hippie, mas ela parece bem confortável com os braços de Drew envolta dela. Eles estão conversando e olhando para os desenhos. Acho que um deles fará uma tatuagem. O olhar de Drew cruza com o meu e eu sei que ele percebeu que eu a olhava. Ele mantém o olhar e aperta os braços envolta dela, enquanto ela parece distraída conversando com Sam e as outras meninas. Franzo o cenho e o vejo me encarar ainda com desdém, como se tentasse me dizer alguma coisa. Fecho a cara e pego mais uma cerveja. *** Já tarde da noite, enquanto voltava do apartamento de Joanne, ouvi alguém xingar um palavrão no corredor que vem do fosso. Franzi o cenho e entrei num beco escuro, enquanto observava na espreita. Era Maria. Ela vinha caminhando com a garrafa d'água na mão e parecia ter tropeçado em algo. Estava usando um short preto, a blusa grande e bandagens nas mãos, denunciando que estava na sala de treinamento. O cabelo preso estava meio bagunçado e ela parecia distraída. Tão distraída, que quando agarrei em seu braço, ela tentou gritar e deixou a garrafa cair no chão. A joguei contra a parede e tampei sua boca com minha mão. Ela estava ofegante e, apesar da escuridão quase completa, podia notar que seus olhos estavam arregalados. Seu peito descia e subia com rapidez. Coloquei minha perna direita entre as pernas dela e minhas mãos espalmadas na parede, deixando-a presa entre meus braços. A encarei sério. O silêncio não era desagradável. Só o que se podia ouvir era o barulho da respiração ofegante dela. Esperei mais um tempo, até que ela se acalmasse e eu soubesse o que dizer. Por que eu fiz isso? - Sem sono? - pergunto olhando em seus olhos Ela não me responde. Parece embriagada, em transe. Pressiono meu corpo no dela e ela se encolhe, no susto. - Sem. Sono? - pergunto pausadamente, deixando claro que quero uma resposta - S-sim. - ela engole saliva e permanece me olhando - Achei que estivesse dormindo com seus amiguinhos. Sabia que é perigoso andar por aí de noite? Ela apenas faz um gesto contido de negação com a cabeça, que acaba fazendo com que nossos narizes se esbarrem, graças a pouca distância entre nós. - Como anda teu amigo do ombro esfaqueado? - Bem. - ela é curta na resposta, o que me irrita e faz com que eu rosne e a pressione com meu corpo de novo - Ele está bem. - ela reafirma - Você é boa nas facas, Hippie. Tem se saído muito bem. Será que vai durar até o final? - Preciso ir para o dormitório. - diz um pouco hesitante, evitando olhar-me nos olhos - Com licença. - Muito dócil, muito gentil. - murmuro - Será, mesmo, que vai durar até o final? Sorrio sombrio e aproximo meu rosto do seu. Ela vira o rosto e eu afundo o nariz em seu pescoço, sentindo seu cheiro de sabonete e suor. Parece estranho, mas é bom para minhas narinas. É como um entorpecente. Seguro firme em seu maxilar e viro seu rosto para mim, fazendo-a voltar a me olhar. Coloco minha boca sobre a dela, mas não a beijo de imediato. Apenas fico olhando em seus olhos e vejo o exato momento em que ela os fecha e amolece em meus braços. Invado sua boca com minha língua e encho minha mão direita com seus cabelos, enquanto mantenho seu rosto fixo com a esquerda. Suas mãos tocam meus bíceps e sua unha passeia ali. Novamente, jogo meu corpo contra o dela e sinto a tensão s****l que nos ronda. Desço a mão direita para seu corpo e, quando chego em sua b***a, aperto com força. Quando o desejo está nítido em meu corpo, sinto suas mãos me empurrarem pelos ombros e seus dentes morderem meu lábio inferior. Eu dou uma cambaleada para trás e ela sai correndo pelo corredor, me deixando com a calça apertada e o gosto metálico do meu sangue na boca. M A R I A Eu não conseguia encarar Edward de frente. Cada vez que eu o olhava, lembrava da minha faca atravessando seu ombro e fazendo seu sangue jorrar feito água. Estar na Audácia significava isso? Obedecer à qualquer custo? Mesmo que a ordem fosse para ferir um inocente? Um amigo? De uma coisa eu tinha certeza, a Audácia estava me mudando. Após o ocorrido com Edward, eu já não ria com tanta facilidade e não conseguia me manter relaxada sempre. Eu estava em alerta para tudo. Ali me deu um susto esses dias e, no alerta, eu torci seu braço para trás. Por sorte, não foi para machucar e sim imobilizar. Eu não a machuquei. Ontem, meus amigos acharam que seria legal me levar para espairecer. Botar pra fora toda essa tensão. Acabei fazendo uma tatuagem. Pássaros voando livre pelas minhas costas. Todos pequenos, na diagonal, em direção ao meu ombro direito. Eles vinham do meio das minhas costas para cima. Foi fácil de fazer. Enquanto eu fazia, ouvia a conversa sem nexo do meu grupo de amigos e acabei pegando Eric, o líder c***l e destemido, me olhando. Achei que poderia sustentar a troca de olhares, mas falhei e cedi, virando o rosto para outra direção. Não queria problemas. Após a sessão de tatuagem e conversa fora, meu grupo e eu fomos para os dormitórios. Eu tentei dormir, assim como todos, mas não consegui. Após tanto me revirar na cama, optei por extravasar na sala de treinamento. Fiquei por lá umas duas horas socando sacos de areia e, quando retornava ao dormitório, fui pega de surpresa por um Eric que cheirava a cigarro, chiclete, testosterona e sexo. Combinação super perigosa e mortal. Por um tempo, me deixei levar por aquilo. O sabor tóxico de sua língua, sua pegada mortal... O empurrei e saí correndo dali, buscando chegar o mais rápido possível na minha cama. - Você tá com uma cara péssima. - Ali murmurou - É bom ouvir isso pela quinquagésima vez no dia. - ironizo enquanto ela segura o saco de areia para que eu distribua os socos - Insônia? - Drew, que segurava o saco ao lado para Sam socar, perguntou olhando para mim - Acho que sim. - dei de ombros e permaneci socando - Você vai acabar surtando. - Sam resmunga - Boa, Maria. - ouço a voz de Quatro, após um cruzado meu - Controla a tensão. Continuo socando conforme as técnicas que Quatro me ensinou e então ouço Drew murmurar. - Chegou o azedo. - Parem todos! - a voz de Eric ecoa pelo local Paro de socar o saco e olho para o loiro pomposo que se aproxima da mesa onde Tris está sentada e anotando nossos pontos e evoluções. Respiro fundo e sinto o olhar de Joanne, sua amiga, em mim. - Hippie, pro ringue! Sua ordem é clara. Não contesto. Apenas respiro fundo novamente e começo a caminhar em direção ao tatame. Me ponho no centro e sinto todos me olharem. - Com quem vou lutar? - questiono - Comigo. - ele diz tirando o colete e subindo
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