Após horas intermináveis dentro do escritório, absorvendo cada detalhe do novo projeto que estou desenvolvendo e que pretendo lançar em breve, sinto-me fisicamente exausto. A mente, então, é um verdadeiro campo de batalha, dominada pelo cansaço de forma absurda. A única coisa que consigo pensar é em voltar para casa, tomar um bom banho, ligar o som e relaxar com uma dose generosa do meu whisky escocês preferido, o Glenfiddich Vintage Cask. Com esse pensamento, levanto-me da cadeira e me dirijo até a vidraça do escritório. Ao olhar pela janela, vejo os carros na avenida que mais se parecem com formigas em movimento, todos apressados em suas rotinas.
Respiro fundo e olho para o relógio: já são dezesseis horas. Falta pouco mais de uma hora para que eu possa finalmente deixar este lugar e relaxar como tanto preciso. Contudo, a paz que anseio é interrompida pelo som da porta se abrindo. Meu amigo Paul Spencer entra sem bater, como sempre, e se joga no meu sofá de couro legítimo. Não satisfeito, ele se deita e cruza as pernas, um verdadeiro desrespeito ao ambiente de trabalho.
— Dá para deixar de ser folgado um pouquinho que seja? Aqui é um escritório, não a sua casa, Paul — digo, tentando impor um certo limite.
— Ihhh, já vi que a coisa é um pouco mais séria do que imaginei — ele responde com um sorriso provocador.
— Só estou cansado, é apenas isso.
— Poxa, que pena! Vim aqui te chamar para conhecermos uma boate nova que abriu. Com certeza vale a pena, só vai gente da alta, você sabe.
— E você sabe que não me importo com isso. Não acho que isso seja um requisito mínimo para o que você chama de diversão.
— Axel Miller, você tem certeza que está bem? Desde quando poder aquisitivo não significa nada para você?
— Não foi isso que eu disse. Quer saber, deixa pra lá. Quanto à saída de hoje à noite, passo. Pode esquecer, não vai me encontrar lá.
— Cara, você tá chato! Cada dia mais parecido com o seu pai.
— Deixa o velho fora disso! Já basta ele me fazer assumir toda essa responsabilidade sem avisar com antecedência.
— Sinal que ele confia em você — Paul diz, levantando-se e saindo do escritório. Respiro fundo e volto a me concentrar na tela do notebook.
Volto a mergulhar no trabalho. Este projeto precisa dar certo. É um grande investimento e nada pode dar errado. Contudo, enquanto me concentro, ouço uma batida na porta. Ergo o olhar e vejo minha secretária, uma mulher atraente, entrando com uma xícara de café e um sorriso no rosto.
— Boa noite, senhor! Ainda vai precisar de mim? — pergunta, enquanto me entrega o café.
— Obrigado pelo café, e já pode ir — respondo, notando um olhar malicioso em seu rosto. Ela sorri e sai, deixando-me novamente sozinho. Levo a xícara do líquido fumegante à boca, apreciando o sabor amargo enquanto analiso os gráficos na tela, verificando se tudo está dentro do orçamento planejado.
Após finalizar a análise, finalmente sinto que estou pronto para voltar para casa. Contudo, o meu telefone toca e, mesmo sem a mínima vontade, atendo.
— E aí, Axel, decidiu se vai à boate hoje? — Paul pergunta, como se eu não tivesse deixado claro o que penso sobre isso.
— Não acredito que está me ligando para isso, Paul. Já disse que hoje não. Estou cansado, meu dia foi bastante exaustivo. Não sou igual a você, que finge que trabalha…
— Nossa, que mau humor! Você está precisando de uma mulher, cara. Vou passar na sua casa para irmos juntos.
— Já disse que hoje não tem clima, ok?
— O que está pegando, Axel? Não vem me dizer que é por causa do novo projeto. Sei que você consegue dar conta e ainda se divertir bastante. Se eu te disser que a Caroline vai estar lá, isso te deixaria mais interessado em ir?
— Não, Paul. De verdade. Se quiser ir se divertir, vai. Mas não insiste, porque hoje eu não vou — enfatizo, passando a mão no cabelo, já irritado.
— Tudo bem, Axel. Depois não diz que não te convidei, ok? Vai perder, porque a noite promete.
Desligo o telefone e deixo a sala, seguindo em direção ao elevador. As palavras de Paul ressoam na minha mente, como um eco insistente. Estou tão focado neste projeto que me esqueci de como é bom se divertir. Respiro fundo quando as portas do elevador se abrem e entro… Que dia cansativo!
Ao chegar ao estacionamento e entrar no carro, a ideia de deixar o trabalho de lado e buscar um pouco de diversão começa a ganhar força. Talvez seja exatamente o que eu preciso. Decido que sim, vou até a boate e, quem sabe, consigo aliviar o estresse que tem dominado meus dias. Ligo o carro e sigo para casa.
Estaciono em frente ao meu lar e, ao entrar, ouço a empregada me cumprimentar, mas não presto atenção, apenas sigo para o meu quarto. Assim que entro, começo a tirar o terno e me dirijo ao banheiro. Ao entrar embaixo do chuveiro, deixo a água quente cair sobre mim, fecho os olhos e aproveito a sensação relaxante enquanto meus músculos se soltam gradualmente. Passo cerca de 15 minutos ali, e quando saio, envolvo-me com uma toalha na cintura. Esse é um dos melhores momentos do meu dia: o pós-banho, quando me sinto leve e renovado.
Vou até o closet e escolho uma camisa social branca e uma calça jeans preta que realça minhas pernas. Deixo a camisa um pouco aberta e as mangas dobradas, olho-me no espelho e, depois de pentear o cabelo, bagunço um pouco para um visual mais descontraído. Coloco um sapato confortável e borrifo um perfume amadeirado que, de certa forma, anuncia minha presença.
Pego as chaves do carro, que deixei jogadas sobre a cama, e desço. Lembro-me de que a empregada mencionou algo antes, então me dirijo à cozinha onde ela ainda está.
— O que você disse antes que não prestei atenção? — pergunto.
— Senhor, seu pai ligou e pediu que você estivesse em casa este final de semana…
— Ok, depois que eu terminar tudo, você pode se retirar…
— Obrigado, senhor…
Saio e sigo para o carro, dirigindo-me à boate que Paul me convidou a conhecer. Ao chegar em frente ao prédio, respiro fundo e estaciono. — Não posso acreditar que estou fazendo isso.
Entro no prédio e, ao alcançar o elevador, aperto o botão do 21º andar, onde a festa acontece, enquanto me preparo mentalmente para a noite. Quando o elevador finalmente para e as portas se abrem, sou recebido por um grupo de pessoas dançando animadamente. Entro no local e me dirijo ao bar, onde peço uma dose dupla de whisky. Assim que sou atendido, viro o drink de uma só vez e, pouco depois, sigo para a área VIP.
Ao subir as escadas, avisto Paul com um copo na mão e Caroline ao seu lado. Esse cara sabe exatamente como se divertir. Aproximo-me devagar e, ao chegar à mesa, Caroline se afasta de Paul e me abraça. Não perco tempo e a beijo intensamente; ela corresponde com a mesma paixão. Envolvo meu braço em sua cintura, puxando-a ainda mais para perto de mim…