O salto de dezenas de mulheres batia no mármore como um relógio descompassado. Perfumes doces, amadeirados, cítricos… se misturavam ao cheiro de poder, dinheiro e ambição. As luzes refletiam nas taças de cristal, nos espelhos estrategicamente posicionados, nas roupas de alta-costura e, principalmente, no ego inflado de cada pessoa que se movia por aquele salão. E eu. Vestindo um vestido preto de tecido acetinado, que desenhava meu corpo como se tivesse sido costurado em mim. Gola alta, mangas longas, costas nuas... uma elegância que só se quebrava quando o olhar descia até meus pés. Air Jordan. Pretos, imponentes, absolutamente deslocados naquele mar de saltos, e, por isso mesmo, perfeitos. O tipo de afronta que carrega um recado: eu não vim aqui pra agradar. Por cima, um casaco oversi

