Fazenda Vitorino

1015 Words
Florence não entendia porque o pai a odiava tanto, Isso era desde pequena, ainda muito nova se lembrava de sua mãe a defendendo dele. Já com Rosângela o homem era mais brando, não era cuidadoso ou carinhoso, mas Rosa não precisava fugir do pai como Flor. As aparências das irmãs eram gritantes na diferença e ninguém no mundo diria que elas eram irmãs, os traços, cor de pele e principalmente a índole era completamente diferente. (...) Quando Rosa saiu da pousada no período da tarde, Flor instruiu o sobrinho que seria melhor ele fingir ser mudo, se por acaso ou um acidente o menino chamasse Flor de tia, eles poderiam ter problemas ou levantar suspeitas. Pedro não chamava Rosa de mãe, então esse não seria um problema, mas para a lógica da mentira dela, o menino precisava a chamar de tia e Florence de mãe. No período da noite, Rosa deu o aviso para o filho e a irmã, que eles partiriam para a fazenda que seria seu novo lar logo pela manhã, Flor não conseguiu dormir, temia pela sua vida e pela do sobrinho. (...) Era manhã, o telefone do quatro tocou avisando que um motorista da Fazenda Vitórino chegará para buscá-los, Flor percebeu que Rosa estava ansiosa e animada como a muito tempo ela não via, deu bom dia para o motorista que se apresentou como Caio, o homem não se cansava de olhar para Flor pelo retrovisor. Finalmente o motorista quebrou o silêncio. __ Desculpe a pergunta mas ela é sua filha? a pergunta foi dirigida a Rosa que odiou. __ Ela é minha irmã e ele meu sobrinho. __ Com todo respeito mas não se parecem irmãs. __ O senhor Dante Vitorino está na fazenda? Rosa mudou o ritmo da conversa que para ela estava extremamente desagradável. __ Sim senhora. __ Ah, não seja malvado motorista, senhorita por favor. Flor percebia os olhares do homem que por sinal era bonito, muito bonito, mas ignorava fingindo não perceber, de fingir não perceber olhares ela entedia bem. A fazenda ficava a pouco menos que uma hora da cidade. Era uma fazenda linda, Flor e Pedrinho se olharam, imaginaram que poderiam ser felizes ali se não fosse as circunstâncias que alí os levava, circunstâncias essas que eles nem sabia. Tinha uma casa enorme e muito bonita, ao redor tinha outras casas, não tão grandes mas sofisticadas também. Uma senhora saiu de dentro da casa enorme. __ Olá, vocês devem ser o pessoal que o menino Dante esperava, me chamo Cândida, sejam bem vindos. Cândida por alguns segundos não abraçou Rosa, ela foi rápida em estirar a mão para a senhora, Rosa não abraçaria aquela mulher que usava um avental aparentemente molhado, Rosa sabia que Cândida deveria ser uma empregada, não seria em hipótese nenhuma uma Vitorino. Cândida ficou sem graça, esticou a mão para Flor, que deu um abraço nela, cândida abriu um sorriso enorme para Flor, se abaixou para falar com Pedro e o abraçou também, o abraço foi retribuído. __ Como se chama menino bonito? Cândida perguntou a Pedro. __ Ele não fala, nasceu mudo. Rosa mentiu sem nenhum problema. Rosa e Flor viviam na mesma casa, mas não viviam nas mesmas circunstâncias, uma tinha uma alimentação escassa enquanto a outra comia em restaurantes bons e finos, uma comprava roupas em bazares, já a outra convivia com roupas de grife, Flor não sabia de onde Rosa tirava aquele dinheiro, até porque ela não trabalhava, só sabia que a irmã ostentava uma vida de pessoa com condições. Enquanto Flor precisava trabalhar para se sustentar, sustentar o sobrinho e também o pai que a odiava. Cândida tentou não deixar a situação tensa, sentiu pena de Pedro. __ Sinto muito, mas olha menino, não precisava ficar triste, aqui você terá motivos para sorrir. __ O nome dele é Pedro, Pedro Castro. Flor respondeu com uma voz doce e suave. __ Não vai falar comigo Cândida? Caio falou. __ Ah menino. Cândida e Caio se abraçaram. __ Cadê o Dante? __ Ele saiu cedo, deve está na vinheira. __ Que beleza, me coloca de motorista e ainda esquece que marcamos uma reunião. __ Vamos entrar e tomarmos café, Depois Dante senta com vocês para passar como as coisas funcionam por aqui. Caio e Flor levaram as malas para dentro. Caio estava encantado por Flor, a achou linda, embora fosse preconceituoso e costumava dizer que não ficava com mulheres que tinha filhos, tinha que confessar a beleza atípica de Flor era encantadora, isso porque ela estava descabelada e com um vestido simples florido, usava nos pés sapatilhas gastas. Rosa havia se enganado com Caio, não sabia que ele era um homem rico e de negócios, por isso não o tratou bem. Cândida conduziu todos para a cozinha, Rosa não gostou mas acompanhou. Tinha de Tudo um pouco na mesa e todos tomaram um café farto, mas não passou despercebido aos olhos curioso de Cândida que Flor e Pedrinho eram pessoas assustadas e não sabiam o quanto poderiam comer. __ Comam a vontade, aqui um dos maiores privilégios é a fartura, Dante come a mesma comida que nós, ele come junto aos peões e gosta do simples, quase não utilizamos a mesa da sala por esse motivo. O olhar de Caio passou a incomodar Flor e Cândida percebeu. __ Pare de olhar pra menina Caio, ela é só uma garota. Caio sorriu. __ O Garoto é filho dela. Cândida abriu a boca. __ Meu Deus filha, tão jovem e já mãe? __ Flor deu muito trabalho, se envolveu com um drogadinh0 na adolescência e arrumou essa gravidez, se não fosse eu para acolher, ela teria ido para o olho da rua. Flor permanecia calada, servia leite com achocolatado para Pedro, fingia que a irmã não falava dela, até porque nada daquilo a representava. Mas Cândida parecia ter um detector de mentiras e sentiu no ar que algo não batia, a história não encaixava e aquela mulher que recusou o seu abraço jamais seria porto seguro para alguém, Cândida daria corda e descobriria o quão sóbria era aquela história.
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