Evelyn narrando O som das batidinhas leves na porta me tirou do transe, Era o Corado, dei um pulo do sofá, coração a mil. Peguei a bolsa e saí, sem olhar pra trás, Ele tava com o carro estacionado na frente, com o farol apagado. Entrei pela parte de trás e me deitei no banco, igual ele tinha mandado da outra vez, O pano do banco tava gelado, mas o que gelava mesmo era o medo. Fiquei ali quietinha, só ouvindo o som da respiração e os pneus passando nos buracos da rua. A comunidade ainda dormia, Só a gente acordado nesse corre. Quando a gente chegou no ponto de encontro, o advogado já tava lá, dentro de um carro, parado com o pisca ligado, Corado estacionou a uns metros e só falou. Corado: Vai tranquila, Evelyn, O cara sabe o que tá fazendo. Assenti com a cabeça, mesmo com o estômago

