- Meninas, vocês podem achar que eu estou ficando paranóica... - A Ju disse, olhando para a gente. - Mas, o Ricardo não para de olhar para cá... Vocês acham que ele quer alguma coisa comigo? Porque... sei lá... é sério! ele não para de olhar e sorrir.
- É verdade. Ele fica toda hora olhando para cá mesmo, mas deve ser por causa da banda. - A Carol observou o Rick.
Ele estava sentado com os outros garotos, rindo de alguma piada do John, enquanto tomam refrigerantes de lata. Eu reparei mesmo que ele estava olhando na nossa direção, mas não dá para saber para quem exatamente ele está olhando.
- Oque você acha Isa? - a Carol perguntou. - Isa!
- Oque? Eu? Acho que ele não está olhando para cá não, eu nem reparei direito...
- Deixa para lá. - Ela estava tomando água de coco de caixinha pelo canudo e depois que terminou, jogou a embalagem no lixo, - Eu vou falar um pouco com o John... estou louca para saber qual é a piada que ele está contando. - Ela saiu e foi na direção do John.
Nós observamos quando ela deu um rápido beijo nele, e os dois sairam de mãos dadas para entrar na sala dele.
- Estou um pouco preocupada com a Carol... será que ela e o John estão avançando um pouco mais as coisas? - Eu disse, com um tom de brincadeira.
- Pelo que eu conheço da Carol, - a Ju disse, rindo. - Eles foram lá só para compartilhar músicas no iPod dela.
Nós três rimos disso.
- Eu acho isso bem possível - A Bia comentou. - Quanto a mim, vou ''conversar'' com o Ian. - Ela levantou do banco, com o celular na mão, arrumando o casaquinho de veludo verde claro nos ombros.- E nós não compartilhamos iPod, podem acreditar...
Eu e a Ju ficamos esperando uma explicação, mas ela apenas piscou e riu de nós.
- Dãã... A gente ouve música no celular dele.
Ela jogou os cabelos lisos de lado, ainda rindo e caminhou em direção ao Ian, que a abraçou até seus pés não tocarem o chão, com entusiasmo e a beijou. Em seguida, ele acenou para mim e para a Ju e os dois seguiram em direção ao refeitório de mãos dadas.
- Então Ju, sobre você achar que o Rick gosta de você... - eu começei.
- Não vai me dizer que você sabia o tempo todo e não me disse, amiga!
- Calma, você está levando isso à sério demais. Até parece que já esqueceu o Diego... - Eu olhei para o garoto sentado sozinho, com os fones de ouvido e o capuz de um moletom cinza puxado sobre a cabeça. A Ju também olhou para ele. - Olha só como ele ficou. Ele sempre adorou aqueles cabelos e agora está escondendo com o moletom... ele está muito m*l.
- Para com isso Isa! - Ela me empurrou com os ombros. - Você sabe como são os garotos, fazem isso só para chamar atenção. Ele quer que eu implore para ficar com ele. E ele vai voltar a ser como era antes... vaidoso, egoísta e famoso entre as meninas do colégio... você vai ver.
- Não sei Ju, ainda acho que você devia conversar com ele. - Parei um pouco olhando para ela, para ver se encontro rastros de um amor antigo, mas não encontro nada. - Você quer comer alguma coisa? Eu vou na lanchonete comprar. - Eu levantei do banco e ajeitei o cabelo no espelho do celular.
- Quero mesmo aquele sanduíche de presunto, quer que eu vá com você? - Ela levantou também.
- Não, você pode ficar e me prometer que vai ir conversar com Diego. Promete?
Ela abriu a boca para protestar mas desistiu, sabendo que eu iria insistir muito.
- Está bem... mas eu só vou conversar com ele como uma amiga. Se ele não aceitar o problema é dele.
A Ju e eu tomamos rumos diferentes, ela foi na direção que o Diego estava, e eu fui em direção à saída do colégio.
O colégio ficava aberto nos intervalos das aulas, para que os alunos possam ir em alguma lanchonete. A diretora confia demais que nenhum aluno vai fugir do colégio ou ficar escondido atrás do muro agarrando suas namoradas ou namorados. A única regra é que todos voltem antes do sino tocar, e o portão fechar.
E como a lanchonete, onde eu e minhas amigas adoramos comprar lanche, ficava à uma quadra do colégio, eu precisava me apressar.
- Oi Diego.
O Diego tirou os fones para olhar para cima, mas revirou os olhos quando soube que era a Ju, que sentou ao lado dele.
- Podemos conversar?
- Sinceramente? - ele a encarou com os grandes olhos azuis. - Eu não quero falar com você.
- Então... só... me ouve. - respirou fundo, - Eu sei que você está bravo comigo, chateado por tudo que eu fiz... mas poxa! Você está diferente. Você não é mais aquele garoto que vive sorrindo e abraçando as garotas, exibindo esse seu cabelo lindo... - ela sorriu. - Não precisa ficar assim. Tudo oque tivemos foi... bem legal. E eu confesso que ainda gosto muito de você. Mas nós dois sabemos que não dá para ficarmos juntos. Então você tem que viver a sua vida, tem que seguir em frente e ser você mesmo. Não tem que ficar assim por minha causa.
Ela tentou buscar os olhos dele, mas ele apenas levantou da cadeira e entrou na sala de aula escura, e a Ju seguiu ele.
- Juliane, você acha que o mundo gira em sua volta, não é? - Ele sentou em uma cadeira no fundo da sala.
- Eu acho que esse aí, é você. - Ela sentou ao lado dele, insistindo na conversa.
- Não estou assim por sua causa.
- Não? - ela olhou para ele surpresa. - Então é por causa de quem?
- Quer dizer... também fiquei bem m*l, por sua causa. Mas não é para tanto. Eu estou assim principalmente porque...
- Oque foi? - a Ju ficou preocupada.
- Meu avô... ele... teve um ataque cardíaco naquele dia e... não aguentou. - ele estava com os olhos brilhando de tristeza. E isso fez com que a Ju se sentisse muito m*l.
- Nossa... me desculpe. Eu... eu não sabia disso, eu sinto muito... - Ela tocou os braços dele. - Se eu soubesse, eu iria te ajudar... iria te consolar. Mas... por que não me falou nada?
- Eu não quis atrapalhar o seu momento de menina livre e desimpedida. Você estava bem feliz.
- Oque você achou? Que só por que eu parecia feliz você não poderia me falar que está triste? Apesar de tudo... somos amigos, e eu me importo com você. Eu iria te ajudar, que tipo de monstro você acha que eu sou?
- Uma monstrinha que me partiu o coração, ao dizer que não sente nada por mim. - ele disse, e deu uma risada triste.
- Eu não disse nada para valer. Eu gosto muito de você, apesar de você já saber que todo mundo gosta de você. Mas... como você está levando tudo isso?
- Estou superando aos poucos. Eu era bem próximo dele.
- Será que eu posso te dar um abraço de amiga?
- Oque eu posso dizer? - ele tirou o capuz da cabeça e olhou para a Ju, sorrindo. - É o mínimo que eu vou conseguir mesmo.
A Ju sorriu e o abraçou forte.
***
- Oque está fazendo aqui sozinha? - uma voz disse atrás de mim, assim que saí pelos portões. Eu já sabia quem era, e eu fiquei irritada por ele estar me seguindo. - Já vão fechar os portões.
- Não. Oque você está fazendo aqui? - Continuei andando, tentando ignorar o fato de que ele estava andando tão perto de mim, que eu podia sentir o cheiro de halls de morango saindo da boca dele, enquanto ele fala.
- Vim fazer oque você me mandou fazer. - ele disse.
Eu parei de andar e apertei os olhos, tentando entender oque ele queria dizer com isso.
- Oque você quer dizer?
- Isso... - Ele puxou o meu braço e ficamos colados. Eu fechei os punhos, mas ele segurou os meus pulsos contra ele e encostou seus lábios nos meus rapidamente, m*l dando tempo de eu me afastar, ele me beijou.
E eu não vou mentir que eu lutei contra isso. Até tentei me afastar um pouco... mas já era tarde, eu já estava retribuindo o beijo, porque os lábios dele eram simplesmente macios e tão gostosos de beijar como eu havia imaginado. Ele afrouxou as mãos dos meus pulsos quando nós dois já estávamos sem folêgo, mas mesmo assim eu não me afastei. Ele soltou os meus punhos e me envolveu com os braços, pela cintura. E quando eu estava gostando do beijo suave e doce, ele se afastou e olhou bem dentro dos meus olhos, tentando avaliar minha reação.
Eu não me afastei. Apenas fiquei me derretendo diante de um olhar tão bonito e sedutor à centimetros do meu rosto.
- Por que você fez isso? - minha voz saiu baixa e rouca. E eu me arrependi de ter dito.
- Por que eu parei de te beijar, ou por que eu te beijei? - ele sorriu.
- Por que me beijou! - fiquei irritada.
- Porque você mandou... lembra? Ontem, a garota de quem eu estava falando... é você.
- Você só pode estar brincando comigo!? - meu coração estava acelerado. - Eu disse aquilo, mas eu jamais imaginaria que fosse eu... seu canalha, s****o e p********o! Só fez isso para me beijar!
Eu serrei novamente os punhos para bater nele, mas não deu em nada, ele apenas os segurou e riu, enquanto eu me debatia nos braços dele.
- Calma... não vai me bater. Lembre-se de que o conselho foi seu. Eu apenas fiz oque você me mandou fazer.
- E eu agora mando em você?! Olha aqui... se você contar para as minhas amigas... ou melhor... para alguém que seja, que você me beijou, eu juro que te mato!
- Agora, eu estou com muito medo. - Ele riu de mim. - Fala sério? Você também me beijou. E por que tanto medo que as suas amigas saibam?
- Você ficou com a Ju... - Eu tentei recuperar meu folêgo. - E nós não podemos ficar com o mesmo garoto que a outra amiga ficou. É um juramento.
- Com a Ju? - ele arqueou uma sobrancelha. - Olha... eu só fiz aquilo para te deixar com ciúmes, não foi tão significativo assim...
- Você é um i****a! Como pôde fazer isso com ela?
- Me desculpe... olha, eu não sabia. Se eu soubesse disso, jamais ficaria com ela. E eu posso falar com ela se você quiser...
- Não! - Eu disse muito rápido, mas parei para respirar. - Por favor... me prometa que não vai falar nada sobre isso para ninguém. Faça isso, que eu esqueço o beijo. Olha... não foi nada, não significou nada... foi só um beijo i****a. Mas me prometa que não vai falar nada?
- Está bem... se é tão importante para você que ninguém saiba desse beijo maravilhoso - Ele respirou fundo, e levantou a mão direita na frente do rosto. - Eu prometo.
- Ok... eu vou ter que confiar em você. - eu respirei fundo. - E olha, vê se nunca mais fala comigo.
Eu corri de volta para o portão do colégio, porque depois do que aconteceu, eu tinha perdido totalmente o apetite, e o sanduíche de presunto da Ju ia ter que esperar.
- Cadê o meu sanduíche? Você não foi comprar?
- Sim, é que... a lanchonete estava fechada. - Enfiei minhas mãos no bolso da blusa, para disfarçar, porque estavam frias e trêmulas.
- Fechada à essa hora? Por que?
- Não sei Ju.
- Por que você não comprou aqui mesmo no colégio?
- Você sabe que o sanduíche do colégio tem muita caloria. Mas agora sou eu quem faço as perguntas aqui... você conversou com o Diego?
- Sim.
- E como foi?
- Ele não estava assim por mim. Você acredita que ele não disse nada para gente!? O avô dele faleceu à um mês.
- Nossa... - Levei um susto com a notícia. - Ele deve estar arrasado.
- E está. - ela disse, indignada.
- E vocês? Se entenderam melhor?
- Sim... mas só como amigos.
Eu fiquei bem triste pela notícia r**m, mas também fiquei triste sabendo que a Ju e o Diego não iam mais ficar juntos.
- Tenho que ir ver como ele está à qualquer hora. - eu disse. E nesse momento o sinal tocou. - Mas antes vamos enfrentar a aula de Artes com o Professor Giovanni.
O professor pediu para desenhar no papel, qualquer coisa que viesse em nossas mentes. Eu peguei os pincéis e começei a desenhar a primeira coisa que veio na minha mente, (na verdade, a única coisa que estava na minha mente) e me surpreendi com o desenho.
Quase arranquei a folha, mas o professor me interrompeu.
- Que desenho maravilhoso! É tão verdadeiro... se inspirou em si mesma? - ele disse, com seu jeito todo estravagante, para a sala toda ouvir.
Obeservei a pintura de um garoto e uma garota se beijando. Um desenho preto e branco, com traços leves e sombras. Não dava para ver o rosto de nenhum dos dois, mas eram bem originais. Fácilmente reconhecível para quem me conhece, os cabelos negros do garoto, a pele clara e os cabelos ondulados da garota...
- Em mim? Não! Eu...eu só... me... inspirei em um filme.
- Que filme? - Ele me olhou curioso, e toda sala também.
As vezes eu acho que ele fazia isso de propósito pra deixar os alunos sem graça.
- Que filme. Hamm... é... Diário de uma paixão! É... eu assisti ele ontem, e estou me inspirando em Duke e Allie.
- Mas... que eu me lembre... - O professor semicerrou os olhos, desconfiado. - O Duke não tem os cabelos negros... são loiros.
Eu me senti perdida naquele momento.
- Mas... eu entendo que ele poderia ser moreno no seu desenho. É um desenho lindo... meus parabéns Isabella.Vou te dar uma boa nota. - Ele mostrou o meu desenho para sala inteira. - Olhem que fantástico! Todos deviam desenhar assim.
Toda a sala resmungou e protestou. Eu fiquei torcendo para minhas amigas nem notarem a garota do desenho usando a minha pulseira.
- Professor, ela fez aula de artes quando era pequena, então não vale! Olhe só o meu... - O Vitor protestou, e virou uma folha bem grande com uns rabiscos, parecidos com a morte segurando uma foice. - E eu nunca fiz aulas!
Ele riu, e toda a sala também.
- Nossa! Que inspirador! - O professor brincou. - Vou lhe dar nota máxima por isso também!
Tivemos Redação depois da aula de Artes, onde eu escrevi um grande exemplo de um garoto e******o e completamente i****a que parte o coração de garotas, enquanto faz outras de idiotas beijando elas.
Eu não podia evitar pensar nele. Era muito irritante.
A próxima aula era de Educação Física, então todos prestamos muita atenção. Bem, pelo menos as meninas, porque não tinha como não prestar atenção à um homem alto, forte, cabelos claros e olhos verdes fazendo alongamentos bem na nossa frente. O professor Carlos é aquele tipo de cara que com vinte e poucos anos, deixa marca por onde passa.
Sem contar que ele era superlegal comigo. Ele não me obrigava a praticar esportes que eu não gosto, como praticamente todos, exceto vôlei. Naquele dia era futebol, então eu estava sentada na arquibancada, observando as meninas de shortinhos de malha coloridos e rabos de cavalo, correrem pela quadra para se exercitar. Eu não ia fazer isso.
Ah, mas eu não ia mesmo!
- Vamos Bella? - O professor sentou ao meu lado, para me convencer a jogar. - A bola não vai te acertar.
A voz dele estava baixa e melosa, e a mão dele estava sobre a minha mão. Não que eu ache isso estranho. Mas é que... era estranho quando seu professor de educação física fica te olhando com grandes olhos claros, como se estivesse pedindo para você fazer carinho nos cabelos dele.
- Eu já disse que eu não jogo futebol professor. - tirei minha mão, educadamente. - Apenas vôlei.
- Mas oque tem de errado no futebol?
- Só é um esporte muito violento. Eu não acho que tem algo errado... só não gosto disso.
- Então, tudo bem. - ele se levantou, e olhou para as meninas. - Mudanças de planos garotas... vamos jogar vôlei.
As meninas resmungaram reclamações, principalmente a Manu, a Michelle, a Àgata e a Cristine, que adoravam futebol. Era uma oportunidade perfeita, para dar cotoveladas e chutar os pés das minhas amigas, e depois dizer que foi sem querer com a maior cara de p*u.
- Valeu professor. - eu sorri, deixei o meu celular e minha bolsa na arquibancada e sai para me alongar na quadra.
O professor separou dois times, - que como de costume, eu e a turminha da Manu, ficamos em times adversários - e começamos a jogar.
Eu podia até não saber jogar futebol tão bem quanto a Manu, - e tudo bem! Eu nem ao menos sabia qual era o objetivo em um jogo de futebol - Mas eu jogo vôlei desde pequena, e sou muito boa mesmo.
Ganhamos por trinta pontos a mais que elas.
O professor aplaudiu o meu time, - oque deixou as amigas da Manu vermelhas de raiva - e disse que era para eu participar das Olimpíadas do colégio no final do ano. Eu disse que ia pensar. Mas eu não podia arriscar de quebrar uma unha, ou o tornozelo antes do baile de final de ano.
Então eu nunca aceitaria.
Quando a aula acabou, eu e minhas amigas entramos no banheiro feminino para trocar as roupas suadas e arrumar os cabelos e a maquiagem.
- Nossa! Aquele professor gosta muito de você, não é Isa? - A Bia comentou. Ela estava terminando de trocar a blusa sem mangas de malha, por uma de mangas cumpridas estampada com um gatinho.
- Eu não acho.
Eu estava passando uma camada de gloss lábial sabor melancia na minha boca, na frente do espelho. Tinha saído todo quando eu... bem, era melhor eu nem lembrar.
- Tem certeza? Porque todas nós achamos.
- Tenho. Deve ser impressão sua.
- Que bom! Porque seria para lá de estranho se o professor de educação física estivesse apaixonado por você! - ela riu, e todas rimos com ela.
Mesmo que eu não tenha achado tanta graça nisso.
Neste momento, a porta do banheiro abriu, e a Manu e as amigas dela entraram rindo muito de algo, usando suas roupas molhadas de suor.
- Será que dá para vocês saírem?! - ela disse, se colocando na frente do espelho. - Acho que nós queremos espaço.
- O banheiro é grande o suficiente para todas, Manu. - eu disse, guardando meu gloss na mochila.
- Mas o espelho não. E que eu saiba... aqui não é o circo para palhaços se maquiarem.
Eu abri minha boca para dizer algo, mas a Carol passou por mim como um furacão.
- Quem você chamou de palhaça, sua loura oxigenada!
A Carol se apressou para brigar com a Manu, mas nós a seguramos antes que ela fizesse alguma besteira.
- Carol, vamos, não liga para ela... É só uma perdedora. - A Bianca disse.
Nós estávamos prontas para ir, só que a Manu ainda não tinha acabado de soltar todo seu veneno.
- Isso é porque a Isabella, uma garota fresca e chatinha... não joga futebol. Porque se jogasse, iria perder. Todas vocês.
Eu parei e olhei para ela, eu queria ir embora sem me rebaixar... eu juro, que queria.
- Por que você faz isso? - Ignorei minhas amigas me puxando pelo braço. - Por que você me odeia tanto? Por que só vive me enchendo o tempo todo? Questionando as minhas roupas... me provocando, dando em cima dos namorados das minhas amigas, enh? Para que tudo isso?
Ela me olhou de cima à baixo, por um instante eu vi alguma coisa nos olhos dela... medo? ódio? ou tristeza? Eu não sabia direito oque era, mas logo foi substituído por algo mais artificial.
- E agora sou eu a errada? Você foi quem começou, quando roubou o único garoto de quem eu gostava, não se lembra?
- Isso é passado...
- Para mim não é! Foi bem difícil ter que ver você com o Léo felizes da vida, sendo que eu é quem devia ser a namorada dele.
Eu fiquei muito surpresa que ela tenha revelado isso tudo, sem se importar com as meninas ouvindo.
- Ele não gostava de você. Quantas vezes nós temos que te falar isso?
- Mas ele estava começando a gostar, se você não tivesse caído para cima dele com a sua falsa inocência e carisma! E ao menos, eu ainda estaria com ele. Eu não largaria ele igual você fez, por causa de uma coisa boba. Eu sim, gostava dele. Já você... você só queria ser popular no colégio, namorando o líder do time de futebol.
- Isso não é verdade, eu gostei muito dele. De verdade. Mas tudo acaba... e me desculpe por dizer isso, mas se você estivesse namorando com ele, isso não duraria mais de uma semana... porque desde que eu te conheço, seus namorados não te aturaram por mais tempo.
- É porque eu gostava somente dele! Você que encheu a cabeça dele de mentiras, e o convenceu a gostar de você.
- Não se desespere. Não estamos mais juntos... você pode ter ele todo para você. Aliás, isso seria um grande favor, que você me faz.
- E agora você acha que eu quero os restos dele? Eu não quero oque sobrou de um garoto inteligente, legal, engraçado, e carismático... - Ela parecia sincera ao dizer, e isso fez eu sentir uma pontada de culpa. - Você o transformou em um garoto m*l educado, a*******e, vingativo e rancoroso.
- O que não é muito diferente de você...
- Olha aqui sua... - ela ia agarrar os meus braços, mas as amigas dela a puxaram de volta. Os olhos dela estavam brilhando de tristeza, e isso fez eu me sentir m*l de alguma forma. - Você vai me pagar caro por tudo que você fez! Eu juro que vou fazer dos seus dias nesse colégio um inferno e você vai desejar nunca ter estudado aqui!
Me afastei dela, sem dizer mais palavras. Ela já estava fora de si, não seria muito bom provocar ela ainda mais, então eu saí do banheiro com minhas amigas, que estavam tão perplexas quanto eu, pela reação da Manu.