Quando chegamos ao shopping, ele estacionou a moto e nós seguimos de mãos dadas para as portas duplas.
- Olha só... meu cabelo está uma bagunça! - Passei a mão no meu cabelo que estava todo bagunçado com o vento.
- Tá linda. - Ele disse, m*l olhando para mim.
- Você foi pago para sair comigo ou oquê? - Eu brinquei. - A única coisa que você sabe fazer é me elogiar! E eu preciso de um amigo, não de um fã.
Eu ri, e ele também.
- Bom, posso dizer que... ele disse para te elogiar o tempo todo. Disse que você gosta disso.
Eu franzi a testa.
- Quem disse?
- O cara que me pagou. - Ele riu.
- Você está me assustando. - Eu ri, mas era verdade.
Entramos no shopping que estava cheio de gente, como todos finais de tarde de sábado. As lojas cheias de roupas e sapatos lindos nas vitrinis, e pessoas de todas as idades fazendo compras, assistindo filmes, comendo, brincando... ou fugindo da vida, igual a mim.
Eu amo este lugar!
- Quer comer alguma coisa? O filme é daqui meia hora.
- Humm, quero.
Andamos para a mesa mais próxima na praça de alimentação.
- Então, diz oque você vai querer minha dama. - ele disse, com um tom dramático de filmes antigos.
- Humm, que cavalheiro. - Coloquei minha bolsa na outra cadeira. - Pode aquelas batatas fritas que eu adoro comer, e... suco de maracujá com hortelã.
- Nossa! Que combinação legal. Achei que você iria pedir salada, igual as outras fazem. - Ele riu.
- Eu não sou "as outras"... e eu sei me controlar. - Eu pisquei para ele, e ele saiu da mesa rindo, e foi na direção do restaurante para fazer o pedido.
Eu abri as mensagens do chat no meu celular, para ver se tem alguma coisa que valia a pena responder.
- Amiga, oque você está fazendo? - A Bia perguntou no g***o de amigas.
- Estou no shopping.
- Com quem?
- Mateus.
- Vocês estão namorando?
- Não! Estamos só saindo como amigos.
- Ah sei.
- Nós não ficamos nem uma vez mais, depois daquele beijo rápido no portão da minha casa.
- Mas pelo que eu estou vendo... Logo vão ficar.
Eu ignorei esse comentário dela.
- Que filme vão assistir? - A Carol entrou na conversa.
- Drácula.
- Sério? Você viu o status da Ju?
- Não, por que?
- Pronto. - ele chegou e sentou na cadeira ao meu lado. - Já fiz o pedido.
- Obrigada. - Coloquei o celular na bolsa e fiquei olhando nos olhos azuis lindos dele, e me perguntando oque tem de errado comigo. - Mateus, eu posso te falar uma coisa?
- Qualquer coisa.
- Jura que não vai ficar bravo?
- Acho que sim. - Ele apoiou os cotovelos na mesa para me ouvir, enquanto sorria gentilmente para mim.
- Olha, eu estou saindo com você... mas só como amiga. Não tenho a intenção de ficar com você.
- Depende do rumo das coisas. - Ele riu, e apertou os olhos sedutoramente.
- Como assim?
- Se você resistir a mim... no escurinho do cinema, resistir aos meus olhos azuis. - Ele piscou os olhos.
Eu fiquei um pouco irritada, mas ri em seguida.
- Engraçado, mas sério. Eu não tenho a intenção.
- Você não sabe.
- Sim, eu sei sim.
- Como você pode saber? - ele cruzou os braços.
- Eu só sei!
- Não. Você não sabe.
- Nós não vamos ficar. Entendeu? - Eu insisti.
- Você não é vidente. - Ele continuou brincando, e eu apenas olhei para ele um pouco furiosa.
- Tá, eu me rendo. Eu não sou vidente.
Depois que chegou os nossos pedidos, nós comemos e fomos para a sala de cinema.
***
Quando eu e o Mateus sentamos um ao lado do outro nas poltronas da fileira, eu fiquei surpresa ao ver a Ju e o Ricardinho sentandos à algumas fileiras atrás da gente com pipocas e refrigerantes na mão. Ela usando calças jeans, blusa de sua banda de Rock favorita, e ele usando uma blusa vermelha de mangas cumpridas e calças apertadas. Como um casal, eles estavam cochichando e rindo ao olhar para os créditos iniciais do filme.
- Olha a Ju e o Ricardinho! - o Mateus disse, empolgado. Eu quase pulei de susto, quase me esquecendo que ele estava sentado ao meu lado. - Não vamos estragar o momento deles. Depois nós falamos com eles.
- Ah... Tá.
Assim que começou o filme, eu olhei de soslaio para trás e vi que a Ju estava olhando atenta para a tela, mas o Ric estava olhando diretamente para mim. Me observando com um olhar estranho, indecífravel e muito sério.
Eu desviei o meu olhar, assim que ele olhou nos meus olhos.
O Mateus estava com os braços ao meu redor, então eu deitei no ombro dele de propósito, para ver se o Ric parava de me secar. E quando eu olhei para ele para checar, achei que ele faria o mesmo com a Ju só para se mostrar, mas ele continuou imóvel.
Ainda me observando. Isso me deu um frio na nuca.
No meio do filme, eu já estava me sentindo desconfortável com o olhar do Ric sobre mim, então, eu tomei a atitude inesperada e a mais imatura que eu pensei em fazer: eu virei o rosto vidrado no filme do Mateus para mim e o beijei.
Devia ser o primeiro beijo que eu tomei a iniciativa. Tirando o Léo é claro. Não dei um beijãoo... mas este não foi um beijo amigável. Não. Com toda a certeza não foi. Principalmente, porque o Mateus empolgou e me puxou mais para ele e tomou o controle do beijo que me deixou sem folêgo.
Eu empurrei ele devagar, a única maneira de fazer ele parar.
- Eu não disse que você não resistiria? - Ele sussurou.
- Você se acha.
- E você beija bem.
- Humm... você também... beija muito... bem. - gaguejei.
Eu inclinei meu pescoço discretamente para olhar para o Ric, mas eu não o vi lá, só a Ju estava assistindo o filme bem ligada, enquanto enfiava as pipocas na boca. E quando eu olhei para a saída embaixo da escadaria, eu vi ele saindo com sua inconfundível forma de andar: que parece com um anjo gato, mas com preguiça.
- Mateus, eu vou lá fora e já volto, tá?
- Quer que eu vá com você...?
- Ah, não precisa, eu vou fazer uma ligação.
- Então não demore. - Ele sorriu, esticando os braços.
- Pode deixar.
Eu desci as escadas correndo atrás do Ric, com a esperança de encontrar ele.
Assim que eu abri as portas duplas da sala de cinema, para minha surpresa, encontrei ele encostado na parede de cabeça baixa e inquieto, enquanto digita algo no celular sem paciência.
Eu achei bem estranho, mas caminhei até ele com atitude e o puxei pelo braço.
- Por que você está com a Ju? Você prometeu não contar nada para ela.
- E você prometeu que esqueceria o beijo. - Ele disse, alto e grosso o bastante para me assustar.
Eu me encolhi um pouco mas continuei.
- E eu esqueci.
- Não parece! Porque está me evitando e me odiando o tempo todo. - Ele estava com o rosto vermelho de raiva, e com toda certeza escondendo sua irritação.
- Eu disse que não falaria mais com você.
- O problema é que tudo oque eu faço e onde eu estou, você está.
- Isso é por que você está me perseguindo! Oque você quer de mim afinal?
Ele ficou quieto, enquanto varria o corredor vazio das salas de cinema com os olhos. Evitando olhar para mim.
- Eu não estou te perseguindo. - ele disse.
- Ah, não? Então por que você foi até a minha casa?
- Eu tinha uma coisa para te falar, mas você não quis me ouvir.
- Vai me dizer que a Sabrina não te contou que eu estaria aqui hoje?
- Na verdade não. Isso, foi coincidência.
- Então tá... '' coincidência''. Então, oque você quer com a Ju? Você está afim dela, ou oque? - Eu arrisquei, tentando esconder minha irritação também.
- E se eu estiver?! - Ele gritou, se aproximando e olhando nos meus olhos. Completamente irritado. - Oque você tem à ver com isso?
- Hey! Não vem descontar a raiva que você está sentindo de alguém em mim não!
- A raiva que eu estou sentindo é de você! - ele disse, alto o bastante para me fazer engolir em seco. - E aquele showzinho, lá dentro? Era para me irritar? Saiba que não funcionou nadinha.
- Eu não estava fazendo showzinho nenhum! - eu gritei, furiosa. Minha respiração estava irregular, e eu tive que respirar pela boca para manter a calma. - E por que isso te irritaria?
Ele me encarou com aqueles olhos cor de mel brilhantes e desesperados.
- Você não sabe por que? Cada palavra... - Ele disse devagar, deixando as palavras bem claras nos meus ouvidos. - Que eu te disse aquele dia pelo celular... era verdade. Eu não menti.
Parei de respirar por uns segundos, só consegui ver os olhos dele à poucos centimetros do meu rosto, mais nada.
- Tudo oque você disse? - gaguejei. - É que eu não me lembro direito...
- Eu disse que tinha medo de te beijar... e não querer mais beijar outra garota. - Cada palavra saia da boca dele, com mais peso do que antes, porque desta vez, ele estava bem na minha frente.
- Ah, tá. Então já que você já superou o seu medo, e já está tudo explicado. Podemos seguir com as nossas vidas, e você pode ficar com outras garotas... - eu gaguejei, desajeitada e sem saber oque dizer. - É só...
- Acho que você não está me entendendo... - Ele ia se aproximar mais de mim, mas se afastou no mesmo instante.
- Nossa Rick, você demorou... - A Ju desviou seu olhar do Ricardo quando me viu, e veio correndo me abraçar. - Isa! Não sabia que você estava aqui. Você está sozinha?
- Humm, não. Eu estou com o Mateus... e ele está me esperando lá dentro... eu já vou, nos vemos depois.
Eu caminhei até a porta da sala de cinema novamente.
- Oque deu nela?
- Acho... que ela não vai muito com a minha cara.
- Desculpe. Acho que é por minha causa. Eu disse coisas ruins de você para ela.
- Não é culpa sua. Acho que é mais por causa dos nossos pais mesmo. Sabe como é, filhas ciumentas...
- Não acho que a Isa seja ciumenta. Mas... você não vem terminar de assistir o filme?
- Claro.
Eu ignorei eles conversando atrás de mim e subi as escadas para encontrar o Mateus novamente.
***
- Obrigada por me fazer companhia. Estava precisando sair. Sabe, desde quando eu terminei com o Léo... não sai com outro garoto. E, acho que ajudou muito...
- Estou aqui para o que você precisar, amigos são para essas coisas.
- Ah, claro! Amigos, são mesmo para essas coisas. - fingi indiferença. - Mas... mesmo assim, valeu. E acho que agora eu tenho que ir...
Eu me virei para ir para o carro da Tati, que já estava na esquina da minha casa.
- Hey, nada mudou entre a gente, não é? - ele gritou.
- Claro que não! Continuamos amigos. Como sempre.
- Tudo bem. Te vejo no colégio?
- É claro. - Eu sorri para ele, e depois eu entrei no carro e eu e a Tati fomos para minha casa. Que estava à três casas dali.
- Você demorou. E passou do horário combinado.
- Mãe, um filme não dura só vinte minutos!
- E nem quatro horas!
- Por favor... eu vou para o meu quarto.
- Não quer jantar?
- Não, obrigada. Eu já comi uma porção de batatas fritas.
Eu fui para o meu quarto.
Tudo oque eu quero é ficar sozinha. Depois da noite de hoje, quero pensar melhor sobre oque aconteceu, e não há momento melhor, do que durante o sono.
- Oi Isa, tudo bem? - A Ju disse, pelo celular.
- Oi. Tudo. E você?
- Estou bem, eu queria conversar com você sobre eu ter saído com o Rick.
- Tudo bem, você não precisa...
- Eu disse coisas ruins dele para você. E quero dizer que eu me enganei. Ele é um cara bem legal.
Meu estômago doeu. Ela acha que ele é legal! Eu queria tanto contar à ela. Minha amiga querida, e despreocupada... eu não consigo!
- Tudo bem, e por que você saiu com ele afinal?
- Ele me chamou para ir ao cinema, e eu aceitei. Bem, não sei bem porque aceitei, mas foi legal. E não quero que você fique chateada com ele por minha causa. Não quero criar confusão entre vocês... que são como irmãos.
- Tudo bem Ju. Não precisa se preocupar.
- Tá... é que você saiu daquele jeito... achei que você estava brigando com ele. Mas ele não é m*l.
- Mas ele é amigo da... - eu me interrompi. - Não que isso seja um problema para mim, eu não me importo com isso.
- Nós conversamos sobre isso. Eu disse as coisas horríveis que a Manu já fez para você e falei sobre as amigas dela. Avisei à ele, que ele é da nossa banda agora, ele precisa tomar cuidado com ela.
- Acho que é você que tem que tomar cuidado com ele.
- Como assim? Isa! - ela se assustou. - Você sabe de alguma coisa sobre ele e não quer me contar?
- Não é nada. É que a gente não conhece ele direito, não sabemos do que ele é capaz.
- Eu sei disso, fica tranquila quanto à isso. Eu sei me cuidar muito bem. E você e o Mateus, enh? Estão juntos... namorando agora?
- Não. Ju, olha... eu só saí com ele porque eu precisava sair um pouco, para esquecer o...
- O Léo? - Ela me salvou de contar oque não queria. - Amiga, achei que você já tivesse superado isso.
- Eu superei... Mas é que às vezes é inevitável. - Menti.
- Tudo bem. Precisamos conversar pessoalmente. Te vejo Segunda?
- Claro.
- Lembrando que é o nosso primeiro dia de ensaio como The Amity!
- Ah, claro que eu me lembro. - fingi estar entusiasmada. - Até logo Ju.
- Até logo.
Eu desliguei, e depois de tomar um banho noturno muito relaxante, e ir na cozinha comer um brigadeiro escondido. Eu fui dormir. Nem percebi o quanto eu estava cansada. Acho que deve ser estresse.
Ai meu Deus, eu odeio ficar estressada!
***
Quando acordei, tive um domingo "maravilhoso" como qualquer outro. À noite minha mãe, o Edu, e eu fomos a apresentação de balé da Sabrina, e - "por incrível que pareça" - Minha mãe chamou o Marcelo e os filhos para irem com a gente. Mas para minha sorte o Ricardinho tomou vergonha, e não quis comparecer no ''passeio em família''... Só vieram o pai e a irmã dele.
Observo as meninas fazendo o teatro com o ballet. Eu até acho interessante... umas cisnes alegres com tutus e asas brancas, e umas cisnes negros com tutus e asas negras. Mas mesmo todas dançando e rodopiando muito bem, e mesmo sabendo que no final todas ficam juntas e vivem felizes em seu lago, não deixo de sentir um pouco de pena pela minha irmã não estar entre as cisnes lindas e alegres.
Bem... ela que deve ter escolhido ficar lá atrás, porque gosta de ser sempre a "patinho f**o" da turma. Mesmo assim eu fico na dúvida.
- Você foi muito bem querida, eu te vi dançando e você foi a melhor de todas! - Minha mãe abraçou a Sabrina no camarim das meninas saltitantes e estéricas.
- Obrigada. - ela sorriu.
- Parabéns Sabrina, você estava muito linda. - O Marcelo disse à ela, dando-lhe um sorriso "padrasternal" muito gentil.
- É Sabrina, você mandou bem melhor que aquelas meninas da frente! - A Natasha veio abraçar a Sabrina, que apenas com ela estava mesmo alegre.
As duas cochicharam alguma coisa e a Sabrina riu em seu "roupão-pós-show".
- E você Isa? - Minha mãe me perguntou.
- Ah, eu? Oque foi? - Eu estava concentrada no celular, neste momento.
Zero mensagens do Ricardo.
- Não vai dizer oque achou da sua irmã? - Ela me lançou um olhar gentil de mãe, que diz: "Magoa ela, que eu te deixo de castigo pelo resto da vida!"
- Ah, claro... Sabrina, você dançou muito bem... é sério. Foi uma patinha n***a muito linda.
- Era um cisne. - ela me olhou de cara f**a.
- Eu sei. - Eu ri, amassando ela em um abraço f*****o. - Eu só estava brincando. Mas você foi ótima maninha.
- Obrigada sua chata. - ela olhou para a minha mãe depois de se livrar de mim. - Mãe, eu estou com fome.
- Porque não aproveitamos que estamos todos juntos, e não vamos jantar no seu restaurante preferido?
- Seria legal! - Ela abriu um sorriso grande e correu para trocar de roupa.
Eu ia protestar e dizer que quero ir embora. Mas apesar de eu estar sendo a "chata inconformada", o dia hoje era da Sabrina. E nada que eu disser para a minha mãe, vai mudar isso.
***
- Então Isa, - o Marcelo tentou puxar assunto comigo, enquando nosso jantar chegava. - O Ricardo me contou que vocês formaram uma banda, é... The amity, não é?
Eu poderia me isolar nesta mesa de restaurante e evitar falar com o pai do cara que eu não paro de pensar um minuto, e meu possível padrasto. Mas a Sabrina, o Edu, e a Natasha resolveram fugir para o parquinho e me deixar ouvir as conversas de casal do Marcelo e da minha mãe. E quando o assunto acabou, eles rescolveram me tirar do silêncio.
- Sim. - eu disse.
- Filha, por que não me contou? - minha mãe me olhou como se eu tivesse escondido um segredo mortal.
- É que eu não tive a oportunidade.
Mechi na toalha de mesa de linho branco, e observei um pouco o restaurante ao redor para pensar. Estava cheio de gente, e a nossa mesa, com pratos de porcelana, talheres de prata, e taças com água, vinho, e refrigerantes. A Sabrina tem uns gostos estranhos para restaurantes.
Concluí que esse jantar ia demorar bem mais do que eu imaginava.
- Isso é legal. - minha mãe me dispertou do meu pensamento tedioso. - Oque você vai tocar?
- Vou cantar. Já temos todos os instrumentos que precisamos. Não sobrou um para mim.
- Nossa Isa, você fala isso como se fosse algo r**m. Afinal, você é a vocalista. É tão importante quanto os outros.
- O Ricardo me disse que amanhã vocês vão ensaiar em nossa casa. Fico feliz por você e ele serem tão amigos.
- Ele não é meu amigo! - Eu disse muito rápido, o Marcelo franziu um pouco o cenho de empresário "muito bem educado e comportado". - Quero dizer... eu acabei de conhecer ele.
- Filha, mas já vão fazer dois meses que eu e o Marcelo estamos juntos. Vocês ainda não se conheceram? Temos que sair mais juntos...
- Não! - Eu elevei a voz, e minha mãe me fuzilou com o olhar. - Quer dizer... não precisa, agora que estamos na banda juntos, já vamos fazer muita coisa, e podemos nos conhecer mais. Não se preocupem.
Dei o meu melhor sorriso de "boa menina".
- É, tem razão. Espero que vocês dois fiquem tão amigos quanto a Natasha, o Edu e a Sabrina. - minha mãe sorriu, orgulhosa.
Ela olhou para os meus irmãos e a Natasha e eu segui o olhar dela. Eles estavam brincando no escorregador com outras crianças como se já se conhecessem à anos. Me senti um pouco deslocada neste momento.
***
Depois que o jantar acabou, nós fomos para casa e chegou a hora maldita em que eu fico pensando no canalha do Rick.
No celular vejo que ele desistiu de mandar mensagem para mim, oque é bom. E eu vejo que não tenho mais ele no f*******:, acho que ele me excluiu como amiga. É melhor assim mesmo, para que eu me esqueça dele, só que oque ele não sabe é que amanhã, vamos nos ver novamente, e vamos tocar juntos todos os dias. Na mesma banda.
Que ótimo! Minha vida não poderia estar melhor.