Assim que eu falei com a Carol por telefone, percebi que eu sou uma boba por ficar para baixo por causa de coisas bobas que acontecem na minha vida.
Depois que eu tomei um banho à tarde, eu peguei um short jeans no closet, e uma blusa grande com estampa de onçinha. Sou eu mesma, não importa se eu estou com o cabelo verde, vermelho ou azul, ainda continuo sendo eu. Sequei os cabelos e prendi num r**o de cavalo, coloquei meus chinelos, peguei o meu celular e desci as escadas.
- Isa, oque você fez com o seu cabelo? - A Tati se aproximou de mim, de boca aberta e espantada. Ninguém da minha casa tinha visto o meu cabelo, por que eu cheguei e não sai do meu quarto, até agora.
- Ah... É que... Aconteceu um acidente no láboratório de química, e vou ter que ficar assim por duas semanas. - Apertei os lábios em sinal de tristeza.
- Nossa. Está tão...
- Azul?
- Não. Mudada. Você está bem diferente... está... Como eu posso dizer? Está a sua cara. Mas de um jeito bom, é claro.
- É mesmo? Você acha? - Eu dei uma olhada no meu cabelo, pelo reflexo no celular. - Não acha que ficou um pouco exagerado?
- Sim... Mas ficou bem interessante.
- Obrigada. Acho que posso gostar também. - Eu ia saindo.
- Onde você vai agora? - Ela gritou.
- Ensaio da banda na casa do Marcelo.
- Quer que eu vá com você?
- Não precisa! Eu sei o caminho Tati, obrigada.
Eu estava esperando por tudo, desde o momento que eu entrei pela porta da casa do Ric pela segunda vez, acompanhada pela governanta da casa, uma mulher de uns trinta anos, baixinha, e completamente loura, mas muito simpática. Eu não me surpreenderia se ele tivesse desistido de fazer parte da banda, depois de tudo que aconteceu. Seria um pouco legal até. É claro que teriamos que arrumar outro baterista para a banda... mas isso não seria uma coisa impossível de se fazer.
Quando eu entro na sala de estar, vejo que não tem ninguém além de nós duas. Mas então, eu ouço umas batidas e solos de quitarra, vindos de algum lugar no andar de cima.
- Eles estão lá em cima. - A mulher me falou educadamente, e logo deu as costas, achando que eu já soubesse o caminho.
Mas eu tentei ir sozinha. Subi as escadas, e encontrei todos na saleta com sacada: a Bia tocando o teclado, a Ju sentada no sofá com um baixo no colo e mechendo no celular, e a Carol segurando a sua linda guitarra prateada, fazendo um solo. Mas o primeiro a notar que eu cheguei foi o Ricardo, que estava todo sério tocando bateria devagar, ele me lançou um olhar surpreso - que devia ser por causa do meu cabelo azul - mas rapidamente desviou o olhar de mim, voltando à atenção à sua bateria.
Todos estavam usando roupas normais de se vestir no começo de uma semana, menos a Carol, claro, em seu coturno e jaqueta de couro. E todos estavam tocando sozinhos os instrumentos, mas nenhuma música por completo.
- Oi gente. - Eu tentei um aceno de mão, porque o clima estava quieto demais para eu estragar com a minha personalidade que já grita por si só "cheguei". - Desculpem pelo atraso... E aí? Por que não estão ensaiando?
- É que nós achamos melhor esperar por você, já que você é a cantora, não é Isa? - A Ju disse com ironia, e logo pegou o baixo e se posicionou ao lado da Carol.
- Já disse... Desculpe pelo atraso. - Caminhei até o microfone que estava perto e testei ele.
- Resolveu aceitar o seu novo visual Isa? - A Bia me perguntou.
- Acho que sim. - Eu tentei parecer conformada com isso, mas meu tom de voz desanimado já me entregou.
- Que bom... que você entrou no rítmo da banda. - Ela riu.
- Eu estava quase indo na sua casa te buscar. - A Carol disse. - Parece até que vocês não tem relógio na sua casa.
- Mas eu vim, não vim? Eu disse que viria. Eu cumpro o que eu digo. - Eu parei um pouco para analizar as minhas palavras, e de repente me senti mentirosa, quando meu olhar encontrou o do Ric que estava no fundo da sala. Só por um segundo. - Então, oque vamos cantar afinal?
- Eu estava pensando... tem que ser uma voz feminina e popular. E já que todas conhecem a letra e a nota... - A Ju disse, empolgada. - Que tal Give your heart a break da Demi Lovato? É bem legal.
- Eu acho ótima. - concordei.
- Todos concordam? - A Bia e a Carol confirmaram. - Acabei de enviar a letra para o celular de todos... e você Rick? acha que sabe tocar ela?
Ela olhou para o Ric, que deu uma olhada no celular dele e começou a treinar na bateria.
- Sem problemas. - Ele respondeu.
- Acha que alcança a nota Isa?
- Posso tentar.
- Então... tudo bem... vamos começar. Carol, você vai ser a segunda voz da Isa.
- Por que eu? - a Carol reclamou.
- Porque você está na guitarra.
- Oque isso tem à ver?
- Meninas, vamos ensaiar com a Carol como segunda voz, e depois nós ensaiamos com outra para ver como vai ficar. - Eu disse. - Tudo bem?
Elas acentiram.
- Então vamos começar.
A Bia começou com o teclado, e depois todos acompanharam.
Ensaiamos essa música várias vezes durante a semana, fazendo ajustes e resolvendo pequenos problemas até acharmos que estava bom. E cada dia estava ficando melhor.
***
- Tá perfeito! - A Ju disse, sentada no sofá com um copo de água na mão. - Isa, não sabia que você mandava tão bem cantando. Sério. Essa semana foi incrível. Imagina no dia do concurso?
- Não exagera... vocês é que tocam muito bem.
- Acho que podemos ganhar o concurso.
- Podemos, não Bia. Temos certeza que vamos ganhar. - A Ju estava mais empolgada.
- E se gostarem e pedirem para tocarmos outra música? Só ensaiamos essa. - A Carol perguntou. Ela estava ensaiando sozinha, na guitarra.
- É só cantar uma que todos já sabem a letra e ensaiamos sozinhos. É fácil. - A Ju respondeu. - E como vai o figurino? Idéias? - Ela me pegou de surpresa.
- Humm... Eu estava pensando em nos vestirmos cada um com o seu próprio estilo. Eu acho mais confortável. Se vestirmos todos iguais pode não ser legal. Então, cada um escolhe uma roupa que ache adequada para uma banda e usa ela. Acho melhor assim.
- Eu acho isso ótimo. Já estava pensando no meu estilo. - A Carol disse.
- Carol, você não vai se fantasiar de vampira, ou algo do tipo não, é? - Todos riram, quando a Ju disse. - Porque é assim que os caras das suas bandas favoritas se vestem...
- Ra, rá, rá. Muito engraçado Juliane.
- Eu trouxe isso aqui... para a gente comer galera. - O Rick entrou na saleta carregando uma bandeja com biscoitos e suco.
Ele não olhava para mim um minuto se quer. Não falou comigo durante os ensaios a semana inteira, e manteve distância. Até no colégio, ele falou com todos menos comigo. Ele devia estar com raiva de mim... mas oque eu tinha feito de errado?
- Ahn, gente... eu acho que já estou indo para casa.
- Por que Isa? Fica mais um pouco. - A Bia disse, indo pegar uns biscoitos no prato, que estavam na mesinha de centro.
- Não... Já ensaiamos bastante, e estamos prontos. Faltam só mais três dias para o show e temos que descançar, não é assim que as estrelas fazem? - Eu tentei brincar. - Vejo vocês na segunda feira. Até mais.
- Quer que a gente vai com você até a sua casa Isa?
- Não Ju, tudo bem. Eu vou sozinha. Ahn, podem ficar aqui conversando.
Eu dei um "tchau" pra todos e saí.
***
Quando eu cheguei em casa, não esperava encontrar a Sabrina assistindo na sala, então fiz de tudo para passar despercebida, mas infelizmente, não consegui.
- Olha... resolveu virar punk? - Ela riu. - Oque você fez no seu cabelo?
- Não é da sua conta. - Eu respondi com a maior doçura de todas.
- A mamãe já sabe?
- Sim.
- É por isso que você não me deixou te ver a semana toda! - Ela não parou de rir. - Quem diria... uma patricinha enjoadinha como você, com o cabelo todo azul!
- Foi um acidente na aula de química. Mas logo vai sair, vê se não me enche! - Eu subi as escadas e me tranquei no meu quarto.
- Também quero pintar dessa cor! - Ela gritou na porta e saiu rindo.
O pior é que eu nem sei mais se essa tinta vai sair mesmo. Estou lavando o meu cabelo a semana inteira, e continua como sempre, azul escuro, nunca nem perdeu a tonalidade. As mulheres deviam usar essa tinta, ao invés das dos salões, assim elas não teriam que ficar retocando. Eu fiquei me olhando no espelho do meu banheiro por alguns longos segundos, mas depois me joguei na cama e fiquei encarando o teto.
Fora o meu cabelo ainda estar azul, está tudo indo bem. Só não sei porque ainda me sinto triste. Me sinto cançada e para baixo... no colégio, em casa, até no meu próprio quarto, que era o único lugar onde eu podia descansar e sair dançando com meias no pé. Assim que eu fico sozinha, começo a pensar naquele beijo. O beijo que o Ricardo "roubou" de mim, e que eu infelizmente gostei muito e não consigo parar de pensar nele um segundo. Aqueles cabelos escuros maravilhosos... aquela pele clara e os olhos penetrantes... tudo está me lembrando ele.
Eu sempre tento afastar a imagem dele da minha mente, mas quando tento fazer isso, ela invade minha mente de uma vez, e me traz uma sensação maravilhosa de frio e calor. Então eu paro de tentar, não faz m*l pensar... ninguém vai saber que eu estou pensando nele.
O meu único medo, é ficar sozinha com ele. Acho que eu não consiguiria segurar as palavras que estão entaladas dentro de mim.
***
Eu acordei com aquele sonho que eu tenho desde o começo do ano. Aquele em que eu estou abraçando um garoto, que hoje eu não tenho mais dúvidas de que seja o Ricardo. Mas é um sonho tão aconchegante e real, que eu prefiro isso à o pesadelo em que eu me jogo de uma ponte, e que todos me abandonaram e eu fico sozinha. Prefiro me sentir segura nos braços do garoto do meu sonho, ao menos, eu não tenho que responder por isso.
Fui na cozinha tomar um copo de água, e depois fui até a sala onde a Sabrina continuava assistindo incansávelmente.
- Mamãe já chegou do trabalho?
- Sim. Está no quarto dela. Por que roqueirinha?
- Não me chama de roqueirinha.
- Mas você é... tem uma banda, tem o cabelo azul, e anda triste por aí... deve estar compondo uma música que fala de suicidio.
- Eu não ando "triste por aí" coisa nenhuma. - Sentei no sofá.
- Anda sim. Você vive trancada no seu quarto, eu não ouvi você cantando à uma semana e nem ouvindo músicas pela casa.
Eu me assustei por ela ter percebido isso, sendo que nem eu mesma percebi.
- Isso é porque eu estou ensaiando com a banda três horas por dia, e todos os dias na semana. Estou cansada.
- E quem disse que cantar cansa alguém? - Ela colocou as mãos na cintura e fez cara f**a. Notei que ela voltou a se vestir como antes, com uma blusa de mangas cumpridas preta, meia calça e saia de ballet roxa.
- E quem disse que você entende disso?
- Eu entendo dessas coisas porque sou uma dançarina profissional, se esqueceu?
- Ah qual é? Está falando que dançar escondida lá no fundo do palco, é profissional? m*l dava para te ver Sabrina... As meninas que estavam na frente te escondiam com as roupas coloridas delas. Você era uma cisne n***a, fria e solitária, enquanto as outras brilhavam mais!
- Ao menos eu dei o meu melhor! - Ela disse, e saiu correndo com as mãos no rosto, e bateu a porta do quarto dela.
Eu peguei muito pesado com ela, mesmo. Eu e minha boca grande! Porque eu tinha que descontar meus sentimentos de agonia na minha irmãzinha?
Tentei bater na porta do quarto dela, mas não adiantou. Ela não ia abrir de jeito nenhum.
Ela não desceu para jantar, e não quis abrir a porta nem quando minha mãe disse que estava passando A noiva cadáver. Então, minha mãe partiu para o ataque e disse que se eu não fizesse a Sabrina abrir a porta, ela não vai deixar eu ir no acampamento do colégio. Ela está me ameaçando desde o começo do ano. Ela sempre faz isso, porque sabe o quanto eu adorava ir à esse acampamento com as minhas amigas. O pior é que eu nem me sinto entusiasmada para ir.
Mesmo assim, eu sei que devo desculpas à Sabrina. Sei que mesmo ela sendo irritante, chata e sinistra, ela é minha irmã mais nova, e sempre será.
Então eu tento pela terceira vez.
- Sabrina, desculpe pelo que eu disse, não foi por querer. - Eu disse na porta, mas ela não abriu mesmo assim. - E você dançou muito bem, de verdade... até melhor que muitas que estavam na frente. Eu só não entendo porque você, que dançou tão bem, tinha que ficar lá no fundo. Abre a porta, eu quero te dar um presente.
Esperei um pouco, sei que ela sempre amou ganhar presentes. Então, eu ouço o barulho dos pés dela correndo para a porta, e depois da maçaneta da porta abrindo. E quando eu entrei, ela correu e enfiou a cara na cama dela.
- Você sabe que eu não queria te magoar de verdade, não sabe? Apesar de você ser uma roqueirinha marrenta, eu amo você, porque você é minha irmã. E porque é impossivel não gostar de você... - Eu sentei na cama ao lado dela. - Eu trouxe um presente para você... não vai querer ver oque é?
Ela virou o rosto de vagar e olhou para mim, com os olhos pretos e inchados de tanto chorar.
- Olha, você lembra dessa bailarina?
Dei uma bailarina de porcelana para ela, com um vestido rosa muito bonito e os cabelos presos em um coque. Era uma daquelas que gira com uma musiquinha. Os olhos dela brilharam.
- Sei. Você ganhou de aniversario da vovó, da última vez que fomos lá.
- É. Que foi quando eu fiz dez anos, e você tinha cinco. Eu quero te dar ela porque você é a nossa bailarina. E não eu.
- Você não gosta dela?
- Claro que gosto, acho ela linda. Mas acho que você merece mais que eu.
- Obrigada. - ela me abraçou.
- Será que você vai me desculpar pelo que eu disse?
- Mas era verdade. Tudo oque você disse. - Ela abaixou a cabeça, enquanto segurava a bailarina nas mãos
- Como assim?
- Não foi eu que escolhi ficar no fundo. Foi o g***o de "patricinhas" do colégio, que pediram para a professora para que elas ficassem na frente, e eu e minhas amigas fossemos os cisnes negros.
- E por que você aceitou isso sem reclamar? - franzi o cenho.
- Porque eu queria participar.
- Essas meninas não gostam de vocês?
- Tenho certeza que não. Todos os anos elas são as queridinhas da professora. Elas vivem se achando e se gabando que tem roupas da moda, e bolsas caras... Sendo que eu não estou nem aí para isso.
- E por que você não tenta se enturmar com elas?
- Porque eu tenho minhas amigas, né? - ela gritou. - Até parece que eu ia querer trocar elas por aquelas branquelas enjoadinhas.
- Tá... olha só, você não tem que ficar m*l por causa delas. Aposto que se elas implicam tanto com vocês é porque tem inveja de você de suas amigas. Vocês dançam muito bem, sabe disso, não sabe?
- Eu sei, mas não posso dançar na frente.
- Da próxima vez, presta atenção no que você vai fazer, você vai até a sua professora de ballet, e vai pedir para ela deixar você e suas amigas serem as cisnes da frente, entendeu?
- Sim. Mas e se ela disser que não podemos?
- Então você me fala, que eu vou pessoalmente resolver isso!
- Dúvido, você é muito ocupada. - Ela olhou para as mãos novamente.
- Hey, - Peguei o rosto dela e a forcei à olhar para mim. - Para você e para o Edu, eu nunca estarei ocupada, entendeu?
- Tá.
- É por isso que você começou a se vestir normal, aquele dia? Por causa daquelas garotas?
- Não exatamente. Eu só queria ver se eu me sentiria bem.
- Sabrina, você só vai se sentir bem, sendo você mesma.
- Agora eu sei. - ela sorriu.
- Mas se você quer umas dicas de moda... - eu ri.
- Jamais. Estou bem assim, obrigada.
- É. Você fica bem de preto. E se você acha que as suas mochilas e roupas Monster High não são caras, você está muito enganada querida. São mais caras que as minhas!
- Tá... - Ela riu. - Mas e você?
- Oque tem eu?
- Você não está sendo você mesma à um bom tempo. Você não implorou para a mamãe te dar o cartão para você torrar no Shopping e nem chamou as suas amigas para aquelas festinhas barulhentas no seu quarto? Que eu até gosto, porque tem muito brigadeiro na geladeira para mim comer no dia seguinte.
Eu ri.
- Nós já fizemos uma Sessão Cinema aqui em casa à poucas semanas. E eu não preciso comprar mais roupas porque já não tenho mais espaço no closet. Mas você está certa, eu tenho que voltar à ser mais eu mesma. Inclusive, já vou pedir o cartão para comprar um novo figurino para a minha apresentação.
Ela riu.
- Acho super incrível ter uma irmã popstar.
- Quer ir ver o show?
- Sério? - Ela arregalou os olhos. - Mas você nunca me convida para os eventos do seu colégio.
- É sério. E você pode levar as suas amigas também. Aposto que aquelas chatas vão morrer de inveja quando souberem disso. - Eu ri.
- Não quero que elas morram de inveja, quero que elas vivam assim. - Ela riu.
- Você é mau.
- Eu sei.
Nós duas rimos. Como nos velhos tempos.
- Agora vai lá embaixo comer alguma coisa, que depois do jantar, nós vamos assistir Hanna Montana.
- Eca. - Ela colocou o dedo na garganta.
- Não adianta, eu sei que você adora assistir.
Ela mostrou lingua para mim e saiu correndo do quarto, depois de colocar a bailarina encima de um suporte na parede. Eu corri em direção ao quarto da minha mãe, para pedir o cartão.
- Que música vocês vão tocar no show? - A Sabrina perguntou, enquanto mechia em seu tablet e assistia a maratona em meu quarto.
Eu imaginei que ela estivesse no chat com as amigas, contando a novidade.
- Give your heart a break da Demi lovato, que tal?
- Legal. - Ela sorriu, e voltou para o tablet.
Depois de assistir cinco episódios seguidos de Hanna Montana, eu despachei a Sabrina para o quarto dela, e fechei os olhos para tentar dormir. Mas eu não consegui dormir, ao invés disso, eu fiz oque qualquer pessoa estranha o suficiente para tocar piano às duas horas da madrugada sozinha faria. Peguei meu diário, minha caneta preferida, meu celular para iluminar o meu caminho até a sala de estar, e desci as escadas só de pijama de estrelas e minhas pantufas de coelho.
Enquanto eu dedilhava nas teclas do piano, tocando alguma música que eu lembrava e tentando compôr qualquer canção de ninar, eu começei à deixar meus pensamentos me levarem para onde eles quisessem, e eles me levaram para a única pessoa que eu não queria pensar. Mas eu deixei, e a inspiração me veio como um turbilhão que rapidamente me deixou alegre. Eu tentei tocar baixo, mas a música estava ficando tão boa que eu me empolguei e só parei de tocar quando a minha mãe me enviou uma mensagem de texto, dizendo:
"Isabella Collins, se você não parar de tocar neste piano agora e ir dormir, eu vou descer aí e você vai ver só uma coisa"
Eu parei de tocar imediatamente, ao sentir a fúria nas palavras da minha mãe. E depois de anotar tudo no meu diário, eu fui dormir.