Quando vi que ele tinha saído, eu voltei pra mesa, e fiquei esperando as meninas chegarem. A Bianca e a Carol vieram atrás de mim, logo depois que eu sai da pista.
- Ual, essa festa está superando a do ano passado! - A Bianca estava ofegante, e parou de falar quando a Carol fez um sinal para ela olhar pra mim. Como se eu fosse um cadáver deprimido (como se cadáveres ficassem deprimidos), essa é a melhor definição.
- Não, tudo bem... - Eu balancei a cabeça. - Eu também estou achando legal. - Eu tentei um sorriso. - E a Ju?
- Eu não sei direito... Mas, parece que ela está ficando com um garoto na sala vazia de informática.
- Como assim ''um garoto''? Não é o Diego? - A Bianca se assustou, e a Carol balançou a cabeça negando.
- Eu não sei, eu só sei que a Ju está se divertindo mais do que todas nós, e que depois ela vai nos contar tudo! - Quando a Carol ia dar um gole na bebida dela, o Léo chegou sentando no lugar da Ju, e as meninas sairam dizendo: ''vamos deixar os pombinhos sozinhos, e sando risadinhas.''
- Oi? - Ele me olhou sorrindo, com a carinha fofa que ele tem. - Oque você está bebendo? - Ele olhou para o meu copo.
- Hã... Isso aqui? - Eu peguei o copo que eu m*l lembrava estar bebendo, e sorri. - É batida de morango, maçã e menta. Eu adoro isso.
- É claro que adora, eu também adoro.
Pronto, começou!
- Ah, claro que adora! - eu disse, irônica.
- Não, é sério. Eu sei que você terminou comigo por eu ''gostar'' das mesmas coisas que você, mas, eu não estou mentindo.
Ele passou as mãos no meu braço e eu vi que não sentia nada... Arrepios, frio, ou calor como antes. Nada. Apenas senti a mão de um garoto comum me tocando. Era constrangedor. Como se eu nunca tivesse amado ele na vida. Que estranho.
- Tudo bem... Eu já superei.
- Mas eu não. - Ele arregalou os olhos e chegou cada vez mais perto de mim.
- Léo, eu não sinto mais nada por você.
- Eu acho que você não tem muita certeza do que está dizendo.
- Mas eu tenho. Não quero mais ficar com você. Acho melhor ficarmos longe um do outro, até você me esquecer.
- Eu fui e sempre serei o seu primeiro namorado de verdade, e isso você não vai esquecer nunca.
- Disso eu sei, e foi muito bom enquanto durou. Mas, acabou.
- Se você não me quer mais, então olha nos meus olhos e diga isso.
Ele aguardou me olhando, e eu respirei fundo pra dizer.
- Léo... Eu não quero mais... ficar com você.
Eu detestava ter que fazer isso, mas se ele gostasse mesmo de mim, ele devia entender.
Ele me olhou por um instante, e se levantou, eu não vi ele saindo, só não estava preparada quando ele voltou e me deu um beijo, ele estava me segurando com os braços, eu não estava preparada, mas pra não ficar estranho, eu retribuí o beijo. Mesmo que tenha ficado muito estranho, ele não desgrudou aqueles lábios insistentes dos meus até que nós dois ficássemos sem folêgo.
Eu ia fazer alguma coisa, mas antes de tudo, ele sorriu e saiu misteriosamente, e me deixou sozinha sem saber oque dizer, fazer ou sentir. Quando as meninas sentaram nos seus lugares notaram que eu estava muito estranha.
- Fala Isa, oque houve? - A Bia ajeitou os cabelos longos e lisos pra trás. Eu me lembrei que os cabelos dela não estavam soltos no começo da festa.
Eu saí do meu transe.
- Nada. Por que? - Eu olho pra Carol prendendo os cabelos num coque. E depois pra Ju ainda um pouco descabelada. - E você Ju? Onde esteve?
- Eu? - Ela riu. - Em lugar nenhum... quero dizer... eu só fiquei com um garoto aí! - Eu a Bianca e a Ju aguardamos a resposta. - Mas, quem é... Eu quero deixar vocês curiosas, então só vou contar na segunda-feira!
- Então é assim? - A Carol disse. - Você esquece do Diego, o loiro mais gato do colégio, e fica com qualquer um por aí?
- Não é ''quarquer um''! Vocês conhecem, eu acho, bom a Isa conhece mais do que nós.
- Eu? E quem é? - Eu fiquei com medo de ser quem eu estava pensando. Mas... será? Não! Impossível.
- Você não sabe? - Ela me perguntou e eu balançei a cabeça. - Então aguarde, que você vai saber logo.
A Ju deu um sorriso de lado, e muito m*****o. Ela está querendo ser chata ou só quer fazer um draminha?
- Aí meu Deus quanto mistério! - A Bia disse.
- Eu só sei que eu já fiz demais por hoje!
- Como assim Isa? Você m*l dançou... - A Carol se interrompeu. - Espera ai, você ficou com um garoto? E não contou para a gente?
- Eu não fiquei com ninguém, o Léo me beijou de surpresa... e eu... também retribui o beijo. Mas não foi nada...
- Os meus pombinhos preferidos voltaram! - Ela correu ao meu lado e me abraçou. - Que bom que você ainda tem cérebro amiga.
- Eu não voltei com ele.
- Mas se você beijou ele, ele com certeza acha isso!
- É disso que eu tenho medo. Eu só beijei ele porque... - Eu respirei fundo, sabia que não podia falar que eu estranhamente queria esquecer uma pessoa que nem tive nada com ele, e de repente, beijei o meu ex namorado para afogar minhas dúvidas. Mas isso seria estranho demais. - Bom, ele é lindo, não custava curtir? - Eu sorri, sem nenhuma v*****e. E peguei o celular para mandar uma mensagem, pra minha mãe vir me buscar.
- Oque foi? - A Carol me notou quieta, e perguntou.
- A minha mãe não responde as mensagens e também não atende o celular. - Eu fiz uma cara de preocupada.
- Não esquenta, ela deve estar dormindo, já são dez horas da noite.
- Mesmo assim, é estranho, já que ela sempre fica grudada no celular quando saio de casa.
- Se você quiser, eu peço pro meu pai te levar... Então, eu vou embora com você.
- Não, não precisa, e além do mais, eu tenho alguém que quer muito falar com você. - Eu apontei pro John que estava logo à frente sorrindo, e a Carol se virou devagar e foi até ele.
- Bom, oque quer que seja que você tem a me dizer... Eu quero que você saiba... - Ela abaixou os olhos, mas ele levantou o rosto dela, fazendo com que ela ficasse da sua altura.
- Só quero que você me dê uma chance, só... Uma. - Ele a olhou esperançoso.
- É complicado, a gente já tentou no ano passado, e olha no que deu: brigas, inimizade, e me fez ficar muito triste também.
- E você acha que eu também não sofri? Depois que terminamos... eu não fiquei com nenhuma garota.
- Mas só fazem dois meses! E eu soube que você ficou com a Cristina, não minta pra mim, você não precisa.
- Oque? - Ele riu. - Eu não fiquei com ela. Ela só me deu aquele abraço e eu nem sei porque, já que eu deixei bem claro pra ela que não quero nada com ela, eu gosto de outra pessoa... - Ele chegou mais perto dela. - Só diz que me perdoa por eu ter mentido sobre a Cristina quando estavamos namorando? E então eu te deixo em paz se disser que eu não mexo com você. - ele apertou os lábios, e a olhou nos olhos.
- Só isso? - A Carol olhou de volta pra ele com os olhos castanhos claros. - Então, eu te perdoo por ter mentido e peço desculpas por não ter te dado chances de se explicar.
Ele a olhou por mais alguns segundos com os olhos escuros e brilhantes e quando ela se virou pra sair, ele a puxou de volta, e beijou ela, colocando as mãos entre os cabelos dela e a puxando cada vez mais perto de si.
- Ual. - A Bia gritou. - Que beijo! Estão todos olhando, e eles não param. - A Bianca estava olhando para o John e para a Carol, que estavam grudados como se estivessem sozinhos.
- Mas é claro que não! quando a gente beija alguém que a gente gosta, perdemos a noção do tempo, e de tudo! - A Ju disse, com uma voz apaixonada.
Será...?
- Isso é verdade.
E eu... Bom, eu estava pensando em um jeito de ir embora sem precisar que as minhas amigas saiam da festa, a Ju tem o "garoto mistério'' dela, a Carol... bom, agora ela está MUITO bem. E a Bianca estava se arrependendo cada segundo de não ir falar com o Ian que nesse momento, estava tomando uma lata de coca-cola, conversando com os garotos e com as meninas da nossa sala, incluindo a Michelle, que ficava tentando flertar com o Ian de um modo nada discreto, mas ele nem ligava, ele estava mais interessado na Bianca, que quando notava ele a olhando, virava o rosto.
- Bia, será que eu posso falar com você um pouco? - O Ian chegou perto da Bianca, sentando ao lado dela depois de dar uma olhada para mim e para Ju.
- Ju, vamos no banheiro? - Eu disse entre dentes.
- Ah, não... - Ela largou o celular e viu o Ian, depois se levantou para me acompanhar. - Claro, vamos.
- Ian, eu não quero falar com você agora. - A Bia tirou uma mecha do cabelo do olho e olhou para ele com um olhar de ''eu quero te beijar garoto! Mas sei que você não quer! Então, sai daqui.''
- Eu sei. - Ele chegou mais perto dela, com um sorriso de lado. - E não entendo o porquê. Você não me deixa aproximar de você, não me deixa falar com você. Eu não sei oque tem de errado, nós não conseguimos nos comunicar, e você não me escuta...
- Você só fala coisas que me magoam... por isso eu não quero te escutar, e você não entende que para mim... é difícil. Eu não quero ficar perto de você...
- E por que? - Ele a olhou sério, com os olhos castanhos escuros meigos e brincalhões.
- Porque... Olha, você mesmo disse que não quer ser meu amigo, e nem eu, então para que nos machucar mais? Só ficamos uma ou duas vezes...
- Três vezes.
- Não importa!.. Passou, não dá pra ficar... - Ela quase se engasgou com as próprias palavras. - Desse jeito.
- Você não entende?
- Oque eu não entendo?! - Ela explodiu. - Que eu não posso ficar alimentando uma esperança que não existe? Ficar gostando de alguém que não sente o mesmo? E ficar o tempo todo se perguntando: ''por que eu pensei que um garoto tão inteligente, gato, e muito fofo... ia querer ficar muito tempo com uma garota só?'', não é fácil, mas eu quero que você não se sinta obrigado a ser meu amigo, por pena, sei lá... - Ela abaixou a cabeça. - Eu vou ficar bem, vai demorar... mais eu vou ficar bem. Só preciso que você fique longe.
Depois de alguns minutos se olhando em silêncio, o Ian resolveu dizer alguma coisa.
- E quem te disse que eu quero ser o seu amigo por pena, ou que seja... Ser seu amigo. Eu não quero.
A Bia olhou indignada pra ele. Como se ele estivesse chingado ela.
- Eu quero ser mais que isso... - ele continuou. - Aliás, eu quero ser bem mais que isso, desde quando eu te conheci, em uma festa como esta... - Ele sorriu e a Bianca também, talvez relembrando um momento bom, - Eu senti que queria ficar junto com você. Mas, eu tinha medo de que você não sentisse o mesmo. E agora você me fala tudo isso? - ele arqueou uma sobrancelha, surpreso e sorridente. - Você tomou alguma coisa?
A Bianca sorriu e se encolheu, corada. Parecia que sua fúria desapareceu por um instante.
- Por que demorou para você confessar oque sente? Eu tinha esperanças de que você gostasse de mim, e quando eu tentava me declarar pra você... você fugia, e eu não sei oque dizer... Eu só não estava preparado. - Ele juntou as mãos, meio sem saber oque dizer.
- Deixa eu ver se eu entendi... - a Bia começou, ainda em choque. - Quando você me disse que não queria ser mais meu amigo, você quer dizer que queria ser meu...
- Namorado. - Ele disse bem rápido, e ela congelou ao ouvir a palavra saindo da boca dele. - Que eu sempre quis ser o seu namorado, e agora eu acho que você quer um inteligente, gato e fofo... Pra ser o seu, e eu sim, não me importo em ter que ficar só com uma garota. - Ele chegou mais perto dela ficando extremamente perto. - Porque é só uma garota que me interessa, e essa garota é você.
Ela m*l conseguia respirar.
- E oque me diz? Você quer ser minha namorada? - ele inclinou a cabeça para um lado, sorridente.
- Eu...
Ela estava muito nervosa, pois era a primeira vez que ela sentiu que queria dizer sim, mas estava congelada, sem se mecher, só olhando os olhos dele, que estavam anciosos pela resposta.
- Sim. - ela disse, com firmeza na voz, e parecendo alíviada por finalmente dizer oque queria desde o começo. - Eu quero.
Ele sorriu e os dois ficaram sem saber oque fazer. Ficaram apenas se olhando, e sorrindo de vez em quando. Ambos estavam bem felizes.
- Bom... - Ele gaguejou. - Eu não tenho nada pra te dar...um presente, um anel, bombons, não vai ser perfeito... - Ele olhou pra ela, que estava balançando a cabeça tentando dizer: ''não precisa". - Mas, oque importa? Eu tenho o melhor presente bem aqui...
Dizendo isso, ele se inclinou devagar sobre ela, e a beijou com calma e carinho.
- Ju? - Eu olhei para a minha amiga, ela estava retocando o lápis de olho no espelho do banheiro. E eu, o batom. Ela parecia radiante, como eu quando acabo de fazer compras.
- Oi?
- Você sabe que... eu jamais, faria nada de r**m pra magoar você, não sabe?
- Sei. - Ela sorriu, - Por que você está dizendo isso? - E fez careta.
- Por nada, eu só quero que você me prometa que jamais ficaria sem falar comigo, por nada, por nada mesmo, roupas, sapatos, amizades... garotos?
- Eu jamais faria isso, lembra do nosso pacto? - Ela chegou perto de mim e cruzamos os dedos mindinhos.
- Best friends forever, together! - Dissemos em uníssono. Sei que isso parece bizarro ou infantil, mas é assim que somos juntas.
- Eu sei do pacto, mas isso nós já vimos nos filmes, Ju, e sempre dá errado... Oque eu estou dizendo é que... eu quero que seja cumprido realmente.
- Isa? - ela franziu o cenho. - Tem alguma coisa errada? Alguma coisa que você tenha que me contar?
Eu respirei fundo, não podia dizer pra ela que talvez ela tenha ficado com o garoto que estava dando em cima de mim desde quando nos conhecemos, não podia acabar com a nossa amizade pelo primeiro garoto indeciso que aparecesse.
Isso seria ridículo.
- Não Ju, eu não estou te escondendo nada, - Eu abracei ela, ela sorrindo de um lado, e eu pertubada do outro. - Eu só quero que fiquemos juntas não importa o que aconteça.
- Eu prometo. E você promete?
- Eu prometo.
Quando eu olhei para a Bianca, ela estava conversando com o Ian na mesa, sorrindo um para o outro em uma conversa bastante interessante, eu não quis interromper, e depois vi a Carol sorrindo e dançando com o John. Elas estavam realmente curtindo o melhor da festa.
- Tem certeza que ela vai vir? Eu posso chamar a minha mãe e...
- Não Ju! A minha mãe está vindo me buscar. Você pode ficar e curtir a festa. Eu não vou me perdoar se você não ficar e curtir. - Eu olhei mais uma vez para a entrada, vendo se a minha mãe aparece. Eu não estou mais com cabeça pra aguentar aquelas meninas arrogantes, dançando como se fossem quebrar ao meio a qualquer momento.
- Ah, você é quem sabe, mas eu juro que não vou me importar.
- Eu sei, eu só quero que vocês fiquem mais um pouco, então você pode... - Eu me perdi nas palavras. - Conhecer melhor o seu novo amigo...
- Está bem. - ela sorriu, se lembrando de algo muito bom. Ah! Como eu d****o saber ler os pensamentos de alguém agora.
- Olha, a minha mãe me mandou uma mensagem. - Peguei meu celular pra ver uma mensagem da minha mãe: Cheguei. - Eu já estou indo Ju. Fala para as meninas que eu mandei um beijo.
- Pode deixar. - Eu sai, e a Ju se misturou na pista de dança novamente, procurando com os olhos, pelo príncipe mascarado dela.
***
Eu tinha chegado em casa com a minha mãe me fazendo perguntas como: ''você não bebeu álcool, bebeu?'' ou então, ''aconteceu alguma coisa para você sair cedo da festa, e você não quer me falar?'', como se eu bebesse álcool alguma vez na minha vida.
- Não mãe, não aconteceu nada. - Eu estava subindo para o meu quarto, exausta, e segurando os sapatos em uma mão. - E por que você não me atendeu mais cedo?
- Eu estava ocupada. Desculpe. - Ela estava entrando na cozinha agora, para tomar água provavelmente. Ela não estava em casa?
- Ocupada? Com oque?
- Hã... - Ela tomou um gole de água pra disfarçar. - Hmm, eu estava num encontro.
- Oque?! - Eu quase pulei da escada. - Com quem?
- Ah, com um cara que eu conheci no trabalho.
- Nossa! Quem diria? Minha mãe, ''saindo com um cara que conheceu no trabalho!'' Isso é estranho e... meio bizarro. - Fiz careta.
- Isabella!
- Oque é?! - Eu voltei a subir as escadas. - Tudo bem, eu vou para o meu quarto. Já tive que engolir informação demais por hoje.
- Boa noite. - ela respondeu, irritada.
Eu entrei no meu quarto e estava tão exausta que nem tomei banho ou troquei de roupa, só deitei na minha cama e fiquei com um forte pressentimento de que alguma coisa nada boa estava para acontecer... Mas, não deixei isso atrapalhar os meus sonhos de beleza e relaxamento. Respirei fundo, e deixei a onda chamada sono me levar para as nuvens. Hmm, isso é tão bom.