O morro acorda antes do sol, sempre acordou. O cheiro de café mistura com pólvora velha, moto sem escapamento e gente correndo atrás da própria sobrevivência. Abro a janela do meu quarto e vejo o movimento lá embaixo. Olheiro em cima da laje, vapor fazendo troca de turno, dois moleques carregando caixa de bebida para o baile, tudo funcionando, do jeito que eu gosto! Acendo um cigarro sem me importar com a Rebeca dormindo, o meu celular vibra. “Bom dia, amor ❤️” Alana. Dou um sorriso de canto, ela é bonita, nova, sabe exatamente como me agradar, diferente da mulher que mora comigo, aquela ali desaprendeu até a sorrir, ou talvez eu só tenha parado de reparar. Tanto faz. Apago o cigarro na mureta e o meu rádio chia. — Chefe, pegaram um moleque roubando carga lá embaixo. Eu: Tá vivo
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