Aurora não gostava de ver a sua irmã mais velha Inês chorar, aquela que também foi como uma mãe para Aurora.
— Sinto muito, Inês. Você deve estar passando por um momento muito difícil. Mas já tentou falar com o Oliveira sobre como se sente? Acho que seria melhor.
Aurora sugeriu apesar de não ser especialista, pois nunca, já casada.
Inês balançou a cabeça.
— Eu não queria pressioná-lo, sei que ele está muito ocupado com o seu trabalho, especialmente nesse projeto que deve terminar o mais rápido possível. Mas às vezes sinto que ele está-me ignorando completamente. — Ela expressou com uma expressão triste e ferida.
Aurora pegou sua mão com amor.
— Devia falar com ele, Inês. Você não pode manter tudo isso dentro de você, você precisa dizer como esta situação está fazendo você se sentir. O casamento é trabalho em equipa e é importante que ambos o façam juntos para ultrapassar esta situação. — Tentaram incentivá-la a tomar a iniciativa.
Inês ficou, grata pelas palavras de sua irmã. Ela estava certa no que ela disse, não podia continuar esperando que as coisas funcionassem por conta própria. Ela tem que enfrentar a situação e conversar com o marido. Falar com Oliveira seria difícil, mas ela sabia que era necessário se quisesse salvar seu casamento. Aurora a abraçou e as duas ficaram em silêncio, sentindo-se unidas em seu relacionamento de irmãs e apoio mútuo.
Aurora decidiu ir para o seu quarto para descansar, a gravidez fez com que ela se sentisse exausta e sem energia. Enquanto isso, sua irmã estava preparando o jantar na esperança de poder falar com o marido naquela mesma noite.
Horas depois, Oliveira estacionou o carro do lado de fora da casa e entrou em sua casa, onde ficou surpreso ao ver Inês esperando por ele na sala de estar. Levantou-se notando a presença de seu marido, e aproximou-se dele sem hesitação. Ela colocou os braços em volta dele.
Oliveira não hesitou em devolver o gesto, apertando seu corpo com carinho.
— Desculpe querida, perdoe-me por tudo — Oliveira murmurou quando percebeu o quanto aquela situação — estava a afetar ambos. Eu...
— Oliveira, amanhã conversamos. — ela interrompeu colocando um dedo nos lábios.
Oliveira acenou com a cabeça e aproximou o rosto de Inês, beijou ternamente, mostrando o quanto ele a amava. Por outro lado, Aurora observava o casal da porta de seu quarto, escondido para não arruinar a reconciliação de sua irmã e cunhado.
Ela sorriu feliz antes de fechar a porta e entrar em seu quarto dando privacidade. Inês e Oliveira decidiram sair para jantar fora de casa, eles queriam passar o tempo como um casal para conversar melhor. Antes de sair, eles disseram a Aurora que logo voltariam em breve, no entanto, não foi.
Os ponteiros do relógio moviam-se lentamente, marcando dez à noite.
Aurora estava na sala de estar, esperando a chegada de Inês e Oliveira. Ela tinha ligado a televisão para não se sentir tão sozinha naquela casa enorme, e como ela mudou de canal, ela encontrou o programa de notícias que ela costumava assistir. De repente, seu olhar foi fixado na tela, enquanto a notícia anunciou com pesar o infeliz acidente que havia acontecido horas antes em um dos edifícios que Oliveira supervisionou.
Seu coração começou a bater forte quando, entre as imagens mostradas, ela reconheceu o carro onde a sua irmã e cunhado haviam partido.
— Segundo os bombeiros, foram encontrados dois mortos e três com vidas, mas em estado crítico. A identidade dos afetados ainda não foi revelada, mas eles garantem que é um casal que estava no local do incidente... — informou que o repórter continuou a notícia, mas Nora não conseguiu ouvir mais.
Sua mente estava cheia de preocupações, o que teria acontecido? Era possível que fossem eles? Ele tentou se comunicar com Inês, mas seu chamado foi em vão. Preocupada e perturbada, ela discou o número de Oliveira, mas o resultado foi o mesmo, a linha manteve-se ocupada.
O medo tomou conta dela e ela decidiu ir em sua busca, não importa o quão longe ela tinha que ir para encontrá-los. Sua família ficaria bem. Seria apenas uma coincidência que o carro na televisão fosse o mesmo para onde sua irmã e cunhado estavam indo?
Tive um mau pressentimento. Aurora saiu de casa com o coração batendo freneticamente, parou um táxi e dirigiu o motorista para o lugar que viu no noticiário.
Ela continuou tentando se comunicar com Inês e Oliveira, embora eles ainda não atendessem as suas ligações. Ao chegar ao local, ela correu pelo táxi, encontrando várias pessoas que pareciam querer saber o que havia acontecido. Havia paramédicos, bombeiros e até mesmo a polícia proibindo a passagem para a entrada da casa que ainda estava em construção.
Aurora entrou na multidão tentando descobrir quem havia sido morto.
— Desculpe agente, pode dizer o que aconteceu? — Aurora perguntou quando reparou um dos agentes da polícia nas proximidades.
— Construção entrou em colapso enquanto o gerente estava dentro com sua esposa. Encontraram-nos sem vida. — disse ele sem dar mais detalhes.
— Sabe quem eram? — perguntou à Aurora na esperança de não ouvir o que tanto temia.
— Desculpe, não podemos dar-lhe essa informação — respondeu o policial.
Aurora bufou, sentindo-se cada vez mais frustrada. No entanto, à medida que os minutos passavam, ela podia ver como os paramédicos realizavam seu trabalho levando os afetados um por um. Alguns estavam em macas e outros foram transferidos em ambulâncias.
Então Aurora viu algo que paralisou seu coração. Uma das pessoas cobertas pelo tecido branco usava uma pulseira de prata na mão. Ele reconheceu essa pulseira instantaneamente, era a mesma que Inês lhe havia dado no dia do seu casamento.
O coração dela parou por um instante.
Independentemente do risco, Aurora fez o seu caminho através das pessoas e correu para a maca. E lá estava, sob o pano branco que cobria seu corpo imóvel, sua irmã mais velha, Inês. Aurora se ajoelhou ao lado dela, chorando e lamentando a perda. Ela pegou a mão de Inês sentindo fria sua pele, enquanto soluçava de dor.
— Inês, acorda! Por favor, irmã, abra os olhos...
Aurora estava chorando sem consolo, sua voz engasgou-se em soluços enquanto abraçava o corpo silencioso de sua irmã. Ela não podia acreditar no que estava acontecendo, era um pesadelo do qual não conseguia acordar. Inês tinha sido sua parceira de vida, sua confidente, sua melhor amiga, e agora estava lá, inerte e incapaz de atender suas chamadas.
— Senhorita, você não pode estar nesta área, você deve retirar — ordenou um paramédico tentando afastá-lo.
Mas Aurora parecia não ouvi-lo devido ao estado de choque em que ele estava. Guilherme apareceu de repente no meio do caos, aproximando-se rapidamente dela e a pegou pelo braço, arrastando-a para longe daquele lugar. Apesar do fato de que Aurora resistiu, tentando ficar com sua irmã, Guilherme levou-a vigorosamente para seu carro estacionado a poucos metros da cena, ignorando as tentativas desesperadas da jovem de se libertar.
Aurora estava chorando de coração partido quando foi arrastada por Guilherme, incapaz de aceitar que ela acabara perdeu sua amada irmã e cunhado. Seu corpo estava tremendo de tensão e dor, e ela se agarrou à esperança de que em algum momento ela estaria com sua amada irmã novamente.
Finalmente, depois de removê-la das pessoas que estavam lá, Guilherme levou Aurora para uma área tranquila e isolada, longe do barulho e do caos daquele lugar. Ele parou na frente dela, olhando para ela com compaixão enquanto ele parecia decidir o que dizer a ela. Aurora, enquanto isso, permaneceu trêmula e instável, de coração partido e alma vazia.
— Não pode ser possível, porque é que eles ?! — exclamaram em lamentos enquanto se abraçava.
Guilherme notou o pequeno nódulo saindo da camisa solta de Aurora, percebendo a gravidez da jovem.