Capítulo 79

2673 Words
ELLA. Eu coloquei cada m****o do meu corpo a trabalhar, depois da esteira, fiz os meus exercícios de perna, depois de braços, e colocando os pesos até ao limite. Eu estava querendo que esses pesos aliviassem a minha raiva, mas não aconteceu, em nenhum instante, nas horas que eu passei aqui, trancada dentro da minha própria cabeça. Ele deixou o James em coma... Em coma. E por que razão? Que razão aquele filho da mãe tinha? E como eu posso ficar daquele jeito, como eu posso... argh! Em momento algum a minha raiva passou, e mesmo depois de fazer todos os meus exercícios, coisa que o meu corpo estava a precisar, eu fui tentar descontar a minha raiva novamente na esteira, quando o som da porta automática do ginásio soa, chamando a minha atenção. TIM. Eu olho para lá, e vejo o i****a do Alexander, o Leonardo e o cão de guarda do Jake, entrando, e eu reviro os meus olhos, desacelerando essa brincadeira. Eles estão bastante calmos, o que deixa óbvio que ainda não sabem de nada. - Oh, cunhadinha! - o Leonardo exclama. - Correr nessa velocidade aqui sozinha, pode ser perigoso. - ele comenta enquanto eu espero que a esteira pare, para eu sair daqui. Eu não quero ficar perto de nenhum deles. - Eu estou acostumada. - eu respondo-o e ele sorri, levantando as mãos e assentindo. - É, a Ella adora coisas perigosas. - o Jake comenta sarcástico e eu olho para ele. - Eu vou subir. - eu falo, afinal de contas eu preciso tomar o meu banho, para estar fresca quando a notícia vier a tona. Eu ignoro o olhar do Alexander, com o que a Chiben falou ecoando pela minha cabeça. Eu não devia me importar, mas após saber como ele deixou o James, oh, eu me importo, e não é pouco. Mas eu simplesmente o ignoro e saio dali. Subo normalmente até ao quarto, escutando o carro da Kassandra chegar e simplesmente pronta para ver o pequeno caos que eu causei. Eu entro, e finalmente livro-me da minha roupa, se eu o tivesse feito logo após sair do quarto da Ginevra seria suspeito. Eu entro no chuveiro e tomo um banho, minimamente rápido, pois eu me recuso a perder o show patrocinado por mim. Eu fui ao closet e vesti umas calças jeans de cor preta, uma blusa de alças de cor bege, um design pouco comum, porém satisfatório, calço outras sapatilhas, passo o meu perfume e volto para o banheiro para fazer o meu cabelo quando eu ouço a porta ser aberta e a minha barriga já esfria e o meu coração dispara por alguma razão i****a. A vontade de sair o esbofeteando é tanta, mas a justificativa para tal, se é que eu preciso, acabará por me denunciar. Ele entra no banheiro e os meus olhos cruzam com os dele no espelho, e eu com certeza, preciso de alguma informação lógica, para explicar-me por que razão a minha temperatura aumentou desse jeito. Porque nada faz sentido. Eu ia continuar a fazer as minhas coisas, mas ficar no mesmo recinto que ele é um não, enorme. Eu saio de lá, e vou para o meu closet passar um gloss e botar dentro de uma bolsa, eu tenha que ir ao hospital, não? Eu saio, e ele já estava a sair do quarto, eu reviro os meus olhos e saio logo atrás dele, quando o celular dele começa a tocar. A maneira com que os meus olhos seguem para a tela do celular, fazem-me querer apertar o meu próprio pescoço. Ele atende sem que eu consiga ver o nome e eu reviro os olhos para mim mesma, indigna com o facto de que nem a merda de um celular eu tenho. Eu estou morando igual a Rapunzel. Nós cruzamos com a Chiben saindo com o Stefano no corredor. A Chiben olha-me de cima a baixo e o olhar do Stefano penetrou até a minha alma, furioso. E por quê? Porque a mamãe dele ficou triste, e com certeza mentiu dizendo que nunca teve uma filha, que ela deixou a mesma órfã? É por essa razão que ele está puto?! O Alexander está completamente indiferente a tudo e isso me irrita também, quando ouço passos de alguém subindo, e vemos o Gerardo, o mordomo subir atraindo o nosso olhar. - O que foi Gerardo? - a Chiben questiona vendo a face dele. - Todos vocês já deviam estar lá em baixo, o senhor Salvatore, já lá está, junto com todos os outros... - ele diz meio-apreensivo e chateado. - Para onde está a ir? - o Alexander o questiona vendo ele continuar a caminhar na direção do quarto da nonna. - A senhora Ginevra também ainda não desceu. - ele diz e eu mordo a minha bochecha internamente para não sorrir. Eu vejo o Alexander levar o seu olhar para o Stefano, meio surpreso, o que me surpreendeu. Afinal de contas, talvez eles não sejam realmente inimigos mortais. - Como assim não desceu? - o Alexander questiona preocupado, caminhando com o Gerardo e o Stefano até ao quarto dela. - E, porque isso seria algo demais? - eu questiono fazendo-me de desentendida, como se não a tivesse observado o tempo todo. - A senhora Ginevra é pontual, e ela faz questão de cuidar das refeições pessoalmente, não me admira nada que nem isso você saiba. - a Chiben diz vindo atrás de mim, que ando normalmente. - Ela não foi para a cozinha? - o Stefano questiona alarmado. - Não senhor. - o mordomo responde e eu reviro os olhos os assistindo, e o Alexander bate na porta. - Nonna? - a forma como ele a chama é um tanto, interessante. - Nonna? - o Stefano chama por ela e ops! Ela não responde. - Talvez ela esteja na casa de banho, é melhor que eu entre. - a Chiben diz e eu acho que eu vejo preocupação no olhar dos dois, e sinceramente, isso me espanta. Imensamente. Eles afastam deixando-na passar, ela que bate duas vezes na porta antes de abri-la e eu aguardo pacientemente. Um, dois passos, e um grito ensurdecedor. - AHHHH! - ela grita, em alto e bom tom. Porra, ela tem pulmões fortes. A forma com que eles entraram foi mais rápida do que os meus olhos puderam capturar. E o desespero, o medo, e a surpresa no olhar deles, quando vêm o corpo da avó ali, na caminha dela, com o rosto roxo, era tudo o que eu queria ver, no entanto, tudo o que eu menos esperava ver, principalmente do Alexander. - Acione os médicos, mande prepararem os carros. - ele diz composto, mas o seu olhar demonstra todas as outras emoções. Emoções essas que eu não vi passar quando eu enfiei uma bala na testa do pai, e o mesmo caiu nos seus braços. Eu achei que a única emoção que ele era capaz de sentir, era raiva e possessão insana. - Nonna? - o Stefano chama por ela, e o Alexander o encara, enquanto eu vejo o Gerardo sair daqui correndo. - Você não está vendo que ela está morta c*****o? - ele questiona puto, e eu apenas assisto calmamente. A Chiben olha para ela e desvia o olhar, mas ela não está assustada por vê-la morta, e sim por nojo. Ela com certeza já viu cadáveres antes, o que não é surpresa nenhuma, ela deve ser filha de algum mafioso, para estar casada com o Stefano. - Ella? - ela questiona levando não só o seu olhar até mim, mas o do Alexander e do Stefano também. - Por que está assim? - ela questiona, me encarando confusa. - Não está a ver o que aconteceu? - ela questiona e eu não consigo nem fingir. Não consigo me importar menos, e claramente isso irrita o Alexander. Eu sinto o olhar dele em mim. - Ela chamou você para cá. - ela afirma como eu já sabia que ela faria e eu suspiro fundo, mantendo a minha compostura. Mas eu sinto a desconfiança apitar de forma intensa e alarmante no Alexander. - Você esteve aqui? - ele questiona-me, e eu assinto. - Eu estava. - eu afirmo olhando nos seus olhos que estão uma turbulência que só, calmamente. Primeiro, eu fiz muito pouco. Segundo, eu o avisei, e ele me provocou. E eu não sinto remorso algum. E nem deveria se esse fosse o caso. Eu não tenho por quê, porque eu não matei nenhum ser inocente. Muito pelo contrário. - Mas ela estava bem, quando eu saí. - eu comento tranquilamente, o Alexander visivelmente não compra essa história, e o Stefano não presta atenção em mim, tal como a Chiben que só queria destilar o veneno dela em mim. - O que houve? - as vozes do Leonardo, do Salvatore, e das esposas dele soam enquanto eles sobem, e o meu olhar toma diretamente o rosto do Salvatore, que sai de preocupado, para incrédulo quando vê o rosto da sua mamma ali, meio azul e meio roxo. Eu vejo a alma dele sair pelos seus olhos, e as palavras dele não passarem da sua garganta, e isso me satisfaz. O seu rosto embranqueceu enquanto ele observa o corpo da sua bela mãe ali, que não o vê, e muito mesmos o irá escutar, mesmo que ele consiga colocar as cordas vocais dele a funcionar. O meu pai também não pode me ouvir mais depois que ele o matou, e não dessa forma boazinha. Ele assassinou o meu pai de forma... c***l. Tão c***l que resolvi enterrar a imagem e aquele dia bem no fundo do meu subconsciente, para não acabar comigo mesma. O que fiz, parece brincadeira de criança perto do que ele fez comigo, sem contar que ele é bem mais velho não? Ele conseguirá conter melhor as suas emoções do que uma menina de sete anos que ficou sem pai e sem mãe no mesmo dia, e que teve que usar as pernas ainda para sair daquele lugar, mesmo elas não querendo mexer. Mesmo eu só querendo chorar, ou morrer junto do meu pai. E ele não tem sentimentos, também! Um bônus a mais. Ou talvez ele só tenha pela mãe, pois os meus olhos observam uma lágrima se formar no seu olho, ela não escorre, mas ela me faz ter o exato reflexo do que os seus olhos vêm. Essa imagem manipula a minha mente, e memórias que eu não quero, vêm e o meu coração fica agitado. - O que aconteceu? - ele questiona visivelmente chocado, porém, tão composto como eu imaginei. Deve estar só sentimental porque a mãe não irá mais apaziguar as duas mulheres dele ou sei lá, ter a mamãe fazendo os seus caprichos e dos mais macabros que existem por ele, e ainda o consolar por isso. - Ela está morta. - eu falo a coisa mais óbvia do mundo, não resistindo, e recebo olhares de todos eles imediatamente. Era suposto eu ao menos fingir que estou com pena, mas eu quero ver o máximo de dor nele, nem que isso seja o mínimo aos meus olhos. - Os carros estão prontos. - o Gerardo diz, com homens entrando para frente e para trás, e todos aqui movimentam-se e descem com o corpo apressados, inclusive o Alexander. Eles acham mesmo que ainda podem a reanimar, uma questão boba. Enquanto eles saiam do quarto, eu subi rapidamente para pegar a bolsa que eu já preparei, nunca se sabe se no meio do caos, eu consiga mais alguma coisa. E desci logo em seguida, vendo eles colocando-a numa ambulância, e eu me encosto a porta, aguardando o carro que eu entrarei para continuar a ver o espetáculo que só está existindo por minha causa, calma. - Porque eu tenho a sensação de que foi você quem fez isso? - eu sorrio, escutando a questão do Jake ao aproximar-se e ficar bem do meu lado, sorrateiramente. - Humn, talvez porque você é tão obcecado por mim, que ao invés de ajudar o seu amiguinho que está de luto, você prefere me deixar irritada. - eu respondo-o e o sinto assentir do meu lado. - Eu espero que saiba, que se for descoberto por ele que foi você quem fez isso, você se arrependerá para o resto da sua vida, Ella. - ele diz e o seu tom é ameaçador. - É mesmo? - eu o questiono retoricamente. - As vezes eu acho que ter enfiado a minha mão no seu peito e ter arrancado o seu coração fora, teria sido um golpe mais certeiro do que ter deformado o seu rosto. - eu falo e ele sorri. - Eu avisei você. - ele diz, indo para o carro atrás do que eu suponho ser do Alexander, pois ele vem nessa direção. O seu olhar fica no máximo três segundos no meu, e sinceramente, fez o meu coração falhar, quando a sua mão encaixou-se no meu braço e ele literalmente empurrou-me para dentro do carro, fulo. E a intensidade da raiva dele, consegue surpreender-me sempre. O aperto foi tão forte que até o instante em que ele simplesmente me largou e bateu a merda da porta em mim, eu achei que o meu osso fosse quebrar. - ... - eu gemo de dor, pegando no meu braço até ele simplesmente entrar no carro e simplesmente acelerar seguindo o carro. - Você é louco? - eu o questiono p**a, mais fula que antes, principalmente por eu saber que ele deixou o James em coma, e ele está visivelmente nesse estado também. As suas... enormes com veias atraindo a minha atenção de forma inapropriada, apertam a merda do volante como se ele estivesse estrangulando alguém, ou como se ele o quisesse fazer. - Cale... - ele fala, mas com vontade. - Eu quero que você cale a merda da sua boca, Ella. - ele rosna, literalmente. E eu também acho que eu vou despejar o que não devo nele, na hora errada, portanto eu fico calada, exatamente calada. Mas não porque ele o quis, e sim por que eu decidi assim. Quando fui ver, nós chegamos no estacionamento subterrâneo de um hospital privado, que obviamente eles possuem conexões até onde eu sei, diferente do que eu fui, quando envenenada pela irmã perdida da Laila. Esse eu não tenho chances nenhuma de fazer alguma coisa, mas tem restaurantes, e eu estou precisando comer como uma pessoa, porque eu simplesmente não consigo ingerir comida como deve ser naquela casa. Aqui foi onde supostamente suturaram a merda da cabeça desse filho da mãe. Oh, ele não tem mãe agora, como ele levou a minha! Os enfermeiros entraram puxando o cadáver da Ginevra apressados e o Alexander saiu logo em seguida do carro apressado, tal como os irmãos e o pai, e as respectivas mulheres e eu reviro os olhos saindo do carro e dando-me de frente com o Jake e alguns dos homens desse i****a. - Mhmm... - eu suspiro frustrada e revirando os meus olhos mais uma vez. - O que foi? - eu questiono para o Jake, que olha para a minha bolsa. - Oh... - eu falo em entonação de pena. - Você acha que eu sou estúpida de tentar matar uma pessoa cuja alma já está no inferno? - eu o questiono, entregando-o a minha bolsa. - Vocês são um pouco psicadélicos. - eu falo, enquanto ele abre literalmente a bolsa, e encontra um lipgloss e mais nada. - ... - eu inspiro fundo. - Vocês deviam se envergonhar. - eu falo puxando a minha bolsa das suas mãos. - Vocês se apoderam de absolutamente tudo meu, casa, carro, bens, cercam-me por tudo quanto é canto e ainda assim, sentem a necessidade de vasculhar a bolsa, que vocês mesmos enfiaram naquilo que chamam de closet. - eu falo, jogando os meus cabelos para trás. - Vocês são ridículos. - eu falo bem do fundo do meu coração, e saio o deixando ali.
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