Capítulo 7

1117 Words
Fazia algumas anotações do progresso da saúde de Katie Bryce depois do almoço, quando os pais dela entra de repente no quarto, indo até a filha. – Katie, amorzinho, mamãe e papai estão aqui – diz a mãe acariciando seu rosto. – Ela tomou um sedativo para a tomografia, está um pouco grogue – digo atraindo ambos os olhares, me arrependendo no mesmo instante. – Ela vai ficar boa? – A mãe pergunta rapidamente. – Nosso médico disse que talvez ela precise ser operada. É verdade? – O pai pergunta. – Que tipo de operação? – A mãe volta a questionar, os olhos fixos em mim. – Ela...bem... – balbucio sem saber o que dizer, nem por onde começar a responder – Sabem de uma coisa? Não sou a médica. Sou médica, mas não sou a médica responsável pela Katie, então vou chamar o médico responsável para vocês – Saio o mais depressa que posso, sem saber enfiar minha cara com a minha gafe, quase que trombando em Dra. Sanders no corredor. – O que foi? – Os pais da Katie têm perguntas. Você fala com eles? – O caso da Katie pertence ao Dr. Reed. Ele está ali – diz apontando em direção da recepção, continuando a andar. Nossos olhares se cruzam a medida que me aproximo, meu coração acelera a medida que encurto o espaço, com minha mente me lembrando do poder daquele homem na cama. Inspiro profundamente ao me colocar em sua frente. – Dr. Reed – digo tentando mostrar a naturalidade que, não tinha naquele momento. Ele sorri malicioso, me olhando de cima a baixo. Aqueles olhos... p**a merda. – Dr. Reed? Hoje pela manhã era Sebastian – diz um com leve sorriso nos lábios rosados, que me lembrava dele fazendo outra coisa mais... em baixo. – Por quê não me disse que era um Reed? – pergunto sem rodeios. Odiando o fato de ter sido pega desprevenida. – Você não me disse no que trabalhava – lembra – Talvez se tivesse dito, saberíamos que iríamos trabalhar juntos – Ele dá um passo na minha direção – E disse que não nos veríamos mais. Apesar de eu querer repetir aquela noite – Morde levemente o lábio inferior. – Não vai ter outra noite – digo séria, mantendo uma postura inicial de não se envolver – Os pais da Katie querem ver você – Sustento seu olhar por alguns segundos, até sermos interrompidos. Meu bip toca na minha cintura, indicando a sala de cirurgia 3. Me preparo antes de entrar na sala, vestindo roupas cirúrgicas, incluindo bandana, máscara e luvas brancas plásticas. Toda sala já estava preparada, inclusive o paciente já estava na mesa cirúrgica. Dra. Sanders já estava ao lado do paciente quando me aproximo hesitante. – O.k Jones, vamos ver o que sabe fazer – diz me olhando. – Bisturi – peço, mantendo a voz firme. Não precisava saber do meu nervosismo. – Bisturi – Uma enfermeira me entrega. Inicio um corte na área demarcada. – Mais pressão – Dra. Sanders orienta – A carne humana é uma concha grossa. Vai fundo – Continuo o corte, colocando um pouco mais de força. – Pinça – peço. – Pinça. Minhas mãos procuram no corte, o que tanto queríamos. – Grampo. – Grampo. Consigo abrir o peritônio. – Bisturi – peço novamente. – Bisturi. – Apêndice removido – Retiro o pequeno órgão, colocando em uma tigela de metal. – Nada m*l – Dra. Sanders elogia, dando um leve sorriso. – Obrigada – Estava tudo sob controle. Só precisava terminar e estaria livre para minha vida de interna. – Agora só precisa inverter o toco no ceco – Inicio o procedimento, não conseguindo me concentrar no que estava fazendo. Não com tantos olhares sobre mim – e puxar as alçada simultaneamente, mas tenha cuidado para não... – Puxo com força os fios, os arrebentando – quebrar. Rasgou o ceco. Arrumou um sangramento – O sangue começará a brotar rapidamente – Está enchendo de fezes. O que faz agora? – Meu coração dispara e minha respiração se torna pesada. Não sabia o quê fazer. Tento voltar para o foco. – Hã...hã... – balbucio com um branco na mente, os olhos fixos nada luvas sujas de sangue. – Pense. Inicie a aspiração e procure as alças antes que ela sangre até a morte – Ela olha para a enfermeira ao lado – Dê um grampo para ela. – Pressão caindo – Outra enfermeira avisa. – Vamos. O que está esperando? Aspiração – Não conseguia me mexer. O monitor ao lado não parava de apitar, indicando a queda na pressão arterial. Sabia o que era para fazer. Sabia. Estava na ponta da língua. – Pressão caindo muito. Dra. Sanders. – Sai da minha frente – Ela me empurra, tomando meu lugar na cirurgia – Tirem ela daqui. Observo por alguns instantes se mover com agilidade, antes de uma enfermeira indicar gentilmente a saída. Pressiono os lábios com força, evitando a vontade de chorar. Era uma cirurgia simples de apendicite. Não tinha como errar e simplesmente travei. Travei na primeira oportunidade que tive para mostrar meu possível potencial. Um potencial criado pela minha mãe. Seguro a pia de metal do lado de fora da sala, inspirando e expirando algumas vezes, numa tentativa de me manter calma. Tiro toda a roupa cirúrgica, deixando para lavar as mãos por último. Decidida em terminar meu plantão de 48 h. Havia se passado apenas dez horas, o que significava, que precisava poupar energias, para não parecer uma completa s*******o na frente dos residentes. Entro no elevador, apertando o botão do andar da cirurgia, tendo as portas impossibilitada de fechar por Sebastian. – Nos encontramos de novo – diz se colocando ao meu lado – Vi a cirurgia. Estava se saindo bem. – É. Estava – concordo mau humorada. – Ficou nervosa. Olho para ele séria. – Sei que fiquei nervosa. Era minha primeira cirurgia de apendicite. – Sabe o que pareceu para mim? – Ele se encosta na parede do elevador, se virando para mim – Não era a mulher do bar. – A mulher do bar não existe aqui. Ele ergue uma sobrancelha intrigado. – Então, fora daqui ela existe? Sabia onde exatamente o rumo em que aquela conversa iria nos levar e a resposta continuava sendo não. – O que aconteceu... entre nós... não vai mais acontecer – digo forçando um sorriso, tentando ser o mais clara possível. Ele dá de ombros, virando o corpo para frente. – Está bem. – Sério? – Sério – confirma. Havia sido mais fácil do que imaginei. As portas do elevador abrem e posso finalmente sair dali, deixando tudo o que aconteceu para trás.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD