A tarde caía devagar, enquanto os últimos alunos deixavam o pátio da escola. O clima ainda era morno, mas havia uma tensão sutil no ar, um peso silencioso pairando entre alguns dos presentes. Principalmente entre Lua e Filipe. Ela observava de longe, com os olhos fixos nele. Cada passo que Filipe dava era medido, contido, como se evitasse deixar qualquer rastro que pudesse ser seguido. E isso incluía ela. Lua já havia sentido esse afastamento nos últimos dias, mas agora era como uma parede erguida entre os dois. Ele sequer cruzava o olhar com ela, sequer lhe dirigia uma palavra — e naquela tarde, nem mesmo um aceno. Quando ele passou direto por ela, abrindo a porta do carro e entrando sem se despedir, sem ao menos hesitar, Lua sentiu algo apertar no peito. A frustração crescia como ervas

