Ava segurava a foto com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudesse despedaçar mais do que o papel. O quarto estava silencioso, mas ela sentia o peso do olhar de Gael sobre si — firme, presente, constante. Por um instante, tentou se proteger. Fingir que aquele pedaço de imagem não significava nada. Mas a sensação era como uma fisgada no estômago. Algo estava errado. Muito errado. A menina da foto era ela, com não mais de seis anos. O sorriso pequeno, os cabelos vermelhos embaraçados, as bochechas redondas. Estava nos braços de um homem. Alguém alto, de expressão calma, barba por fazer. Os olhos dele estavam fixos nela com um tipo de carinho que fazia o peito apertar. Mas Ava não o reconhecia. Nada nele despertava lembrança. Nada. Ela apertou a foto com mais força, o polegar r

