Não consigo respirar.
Enquanto minha mente continua uma bagunça, a mensagem ainda continua brilhando na tela, mesmo sabendo que as chances dele estar blefando eram poucas, eu liguei, com a esperança de que o meu amigo fosse atender.
Mas não obtive sucesso, deixando o nervosismo se apoderar dos meus pensamentos, fitei os meus braços e não pensei duas vezes antes de afundar as unhas na pele clara, buscando de alguma maneira um alívio, e só obtive quando comecei a sangrar.
Ouço alguém batendo a porta e pigarreio me levantando da cama.
__ quem é? __ questiono.
__ sou eu senhorita Bella, a camareira. __ explica e abro a porta do quarto, escondo o braço machucado e a observo pegar o cesto que pedi e se retirar logo em seguida. Respiro fundo e tento ligar novamente para o Kai, só que ao invés de me atender e agir feito a p***a de um homem, aquele cretino mandou mensagem, e o número não pertence ao meu amigo.
" Não machuque a sua linda pele, deixe que eu o faço por você "
Doente do c*****o!
Digitei de volta sem pensar duas vezes.
" Me deixa em paz e vai se f***r"
Ele demorou cerca de dois minutos para me responder e eu só consegui pensar no que podia estar fazendo com meu amigo.
" Paz? Você não pode ter paz quando o seu amante é o próprio d***o "
Revirei os olhos e quase atirei o telefone na parede.
" O que você fez com o meu amigo? i****a! Ele não tem nada a ver com isso "
Outra demora, parece ter prazer em me torturar.
" Seu amigo está em um bom lugar agora, e pare de se machucar, ou terei que tomar providências e não vai querer que eu faça isso"
Solto um suspiro e a porta é aberta de maneira brusca pelo meu irmão. Seus olhos vasculham o quarto em busca de algo ou alguém, e infelizmente pousam no meu braço.
__ Lorenzo... eu posso explicar.
Seus olhos, antes passivos e calmos, agora parecem me julgar.
__ eu vi o presente no cesto, pretendia contar alguma coisa?
__ sim. __ minto.
__ por que sinto que está mentindo?
__ p***a! Estou falando a verdade, e toma, rastreia esses números aqui. __ desconverso jogando o celular para ele, já cansada da brincadeira de gato e rato na qual Gabriel Marine está me metendo.
__ o que é isso? __ pergunta se referindo a mensagem.
__ eu não sei, só verifique de onde são os dois números, e em seguida eu explico... por favor. __ peço e ele suspira.
__ Bels, você tem que contar para o pai.
__ não! Você não pode ser desleal a mim, eu nunca fui a você, então não vai contar. __ exijo e meu irmão assente a contragosto.
__ eu volto daqui a trinta minutos, se recomponha, está péssima, qualquer um com cérebro que entre aqui, irá perceber que você está com problemas. __ fala e engulo em seco, mas concordo, espero que saia, e tiro minhas roupas, caminho em direção ao banheiro e enquanto a água cai sobre o meu corpo me permito pensar em como ele soube que estava me machucando? Como conseguiu entrar aqui sem ser visto? Eram muitos" porquês" e nenhuma reposta parecia certa e isso me leva a acreditar no que Kai disse.
Ele é a p***a de um stalker e por mais que eu o conheça, sinto medo... e odeio sentir medo de quem gosto... e gostar é muito pouco perto do que sentia e talvez ainda sinta por ele.
Mas a sensação dele estar me espionando como um maldito Serial-Killer maluco, me dá nos nervos. Depois de alguns minutos de banho e me sentindo melhor, visto uma roupa confortável e espero que meu irmão venha até mim. Suspiro me ajeitando no colchão e fito o prato com sanduíche mastigado, p***a! Até a minha comida aquele figlio de una puttana se apossou.
Lorenzo bate na porta e se senta ao meu lado com o notebook sobre as suas pernas.
__ me diz que conseguiu algo?__ pergunto esperançosa.
__ o celular do Kai continua no alojamento da faculdade, então se alguém o pegou deixou o telefone para trás, mas já mandei dois homens de minha confiança para verificar, e quanto ao segundo número. __ olhei ansiosa pela resposta, queria saber onde ele havia se metido durante todos esses anos.
E dentro de mim ainda existe aquela Bella que anseia curiosa para saber como ele ficou depois de tantos anos.
__ sinto muito sorella, mas esse número é impossível rastrear.
__ está me dizendo que não podemos achá-lo? __ pergunto e ele pensou que estava me referindo ao Kai o que não era uma inverdade. Mas se queria saber onde meu melhor amigo estava, preciso primeiro da localização do meu stalker.
__ sim, a tecnologia que essa pessoa está usando é de última geração, e mesmo que consigamos rastrear, nunca vai nos dar uma localização exata.
__ p***a! Que merda! __ esbravejo e ele deixa o notebook de lado e me puxa para um abraço, encosto a cabeça no seu peito e sinto sua carícia suave em minha costa.
__ eu não sei o que está acontecendo, mas é melhor contarm...
__ por favor, não faça isso, se conseguíssemos descobrir o segundo número daria certo contar ao papai, mas agora... não tem nada que ele possa fazer.
E uma parte dentro de mim, não o queria envolvido naquilo, não quando as chances de sucesso eram mínimas.
__ se o papai descobrir isso, vai me odiar ao saber que estive te acobertando, tem certeza de que não sabe quem é?
Respiro fundo e engulo em seco.
__ tenho... ou não, eu não sei... estou confusa. __ falo me sentindo péssima por omitir que de fato sabia quem era o meu espião. Mas eu já estava colocando sua relação com papai em extremo risco, Lorenzo é como os olhos e ouvidos dele, e se Pietro Ferrari souber que o filho mais velho tinha todas as informações do herdeiro de um velho inimigo e não contou, abalaria a relação e por isso tomei a decisão de não envolver nenhum dos meus irmãos, se eu tiver que enfrentar o meu passado, o farei sozinha.
__ tutto bene, descanse, não existe m*l nesse mundo, que não possa ser remediado. __ fala e me concentro nas carícias, deixando ser vencida pelo cansaço.