Bianca Narrando
— Tô juntando as coisas, mas minha cabeça não para um segundo. Roupa, documento, umas coisas da Eloah… tudo meio no automático. As mãos até fazem, mas a mente tá longe. Tá lá fora… com eles.
- Suspirei fundo, fechando a bolsa com mais força do que precisava. Eu só queria que isso acabasse sem guerra… Falei baixo, mais pra mim mesma do que pra qualquer outra pessoa.
- Mas no fundo… eu sei. Sei que não tem mais volta. Ferrugem já passou do limite faz tempo. Não foi só ameaça, não foi só disputa… foi dor, foi marca, foi coisa que fica na pele e na alma.
- Levei as mãos na minha pélvis, como se ainda sentisse tudo. — Eu carrego isso até hoje…
- Minha voz falhou um pouco, mas respirei fundo, tentando me manter firme.Olhei pra Eloah, tão pequena, tão tranquila no meio desse caos todo… aquilo apertou meu peito de um jeito diferente.
- Ela não merece crescer vendo isso…
Balancei a cabeça, afastando o pensamento r**m. Peguei mais umas coisas e terminei de organizar tudo. Não podia desmoronar agora. Não hoje.
- O Gabriel já tava pra chegar, e eu sabia… quando eu saísse por essa porta, não era só uma ida pra casa da minha amiga.
- Era espera. Espera com medo, com fé… e sem saber quando isso tudo ia acabar. Fechei os olhos por um segundo e respirei fundo.
— Deus… — sussurrei — só traz eles de volta. E inteiros. - Apertei a bolsa na mão.
- Olhei mais uma vez em volta, como se tentando deixar tudo em ordem… mas nada tava. Nada tava normal. Apaguei a luz do quarto e fui em direção à porta, com o coração apertado.
- A gente vai tá lá esperando… Seja o tempo que for, meu amor. - Falei baixo.
- Desci com a Eloah para esperar o Gabriel. A ansiedade tentando me consumir e eu lutando contra isso, não posso pesar a cabeça dele com meus medos, ele precisa ir tranquilo na certeza de que eu vou estar cuidando de tudo por aqui.