Fael Narrando
- Cheguei em casa já no pique, chave girando na porta e aquela sensação estranha de ter alguém me esperando. Bagulho novo pra mim. Quando entro, dou de cara com a casa brilhando… limpa, cheirosa, organizada de um jeito que eu nem lembrava que era possível.
- c*****o… — soltei baixo, olhando em volta.
- Aquela ali não perde tempo mesmo. Só pode tá querendo me provar alguma coisa… ou me deixar m*l acostumado.
Fael: Ô Viviane! - chamei, jogando a chave na mesa. - Bora no mercado comigo.
- Ela apareceu com aquela cara de quem não tá nem aí, mas eu já saquei… ela tava só se fazendo hahaha.
Viviane: Até que enfim, né? Já tava achando que tu ia viver de lanche pro resto da vida. - Respondeu, cruzando os braços.
Dei uma risadinha de canto.
Fael: Relaxa… hoje tu vai comer direito. - Disse e saímos de casa, entrando no carro.
- No mercado, eu já tava de boa, pegando umas paradas, carrinho enchendo… Quando sinto aquele olhar. Nem precisei virar muito pra saber.
— Fael? — a voz veio doce.
Quando olhei… já sabia. Essas mina que cola, que conhece, que já teve história ou queria ter hahahahah, é f**a, tantas horas pra isso acontecer, tinha que ser aqui e agora.
— Sumido, hein… — ela veio chegando perto demais, sorrindo daquele jeitinho.
Fael: To na correria. - Dei aquele meio sorriso, educado.
- Mas aí… eu senti, não precisei nem olhar direito. A energia da Viviane mudou na hora. Quando virei o rosto de leve… Ela tava lá, fingindo que escolhia um pacote qualquer, mas com uma cara debochada. Aquela expressão de quem tá julgando até minha alma.
— Nem pra apresentar? — a garota soltou, olhando pra Viviane.
Antes que eu abrisse a boca, Viviane respondeu.
Viviane: Ah, relaxa… não precisa não. Ele parece ser bem conhecido mesmo. Tom… ácido. Sarcástico. Aquela cutucada bonita hahaha, tô fudido. Eu segurei o riso.
Fael: Vamo, Viviane — falei, já empurrando o carrinho e ela veio… toda plena, mas eu vi. Eu vi direitinho o ciúme, só que ela não sabe ainda.
- A volta pra casa foi naquele silêncio estranho, não era pesado… era tipo um jogo. Ninguém falava nada, mas tinha coisa ali.
- Quando chegamos, começamos a guardar as compras. Eu puxando assunto, ela respondendo seco.
Fael: Pega aquilo ali pra mim — falei.
Viviane: Tu tem mão não? — respondeu na hora. - Dei uma risada.
Fael: Ih… tá estressadinha?
Viviane: Eu? Jamais — respondeu, sem nem me olhar.
- Fui pra cozinha, comecei a fazer a janta. Ela até ajudava, mas sem dar muita moral. Passava por mim, esbarrava sem querer querendo… mas nada de olhar no olho.
Fael: Tá com ciúme, Viviane? — soltei, direto. Ela parou por um segundo… virou devagar, com aquela cara de deboche.
Viviane: De você? - Deu uma risadinha curta. — Menos, né. Só acho engraçado, que você nem disfarça.
- Chegou mais perto, pegou uma panela, virou de costas pra mim.
Fael: Disfarçar o quê? - Agora é minha vez de sorrir.
- Ela virou o rosto de leve, me olhando de canto.
Viviane: Que tu gosta de plateia. - Disse e eu cheguei mais perto, baixinho, quase no ouvido dela.
Fael: E tu? Não gostou? - Ela travou por um segundo. Eu senti, mas se afastou logo, toda marrenta.
Viviane: Sonha, Fael.
- Jantamos juntos… ou quase. Porque ela tava ali, mas ao mesmo tempo distante. Quieta demais pra quem fala pra c*****o, mas eu conheço esse tipo de silêncio. Não é indiferença, é sentimento tentando não aparecer. E o pior? Eu tô gostando desse joguinho mais do que deveria.