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495 Words
Estava toda concentrada no meu serviço quando ouço uma buzinada no portão. Por um momento fiquei paralisada, sem saber quem seria, tomada pelo medo. A pessoa insistiu, buzinou de novo e começou a bater à porta. Então, fui verificar quem era, segurando firme a pá na mão; preciso estar pronta para me defender caso seja alguém com más intenções. Quando abri o portão, preparada para o confronto, me deparei com três homens armados, carregando várias sacolas nas mãos. — Fé, gatinha. O patrão mandou deixar essas compras aqui para você. — O Terror? — O próprio! — Obrigada. Podem entrar. Eles entraram trazendo uma quantidade imensa de sacolas, depositaram tudo na cozinha, agradeciam e foram embora. Fiquei um pouco envergonhada com a forma que um deles me olhou, parecia que nunca tinha visto uma mulher na vida. Na verdade, não sei o que viram em mim, estou com cara de quem saiu da cova, cabelo bagunçado e olheiras tão fundas que quase batem no peito. Tem homem que realmente não tem critério nenhum. Comecei a tirar as compras dos sacos e fiquei de boca aberta: nunca vi tanta coisa. Parece mantimento para alimentar um batalhão. Ele comprou tanto que acho que vai faltar espaço para guardar tudo, meu Deus! Até itens de higiene pessoal ele lembrou de comprar. Fiquei radiante com a novidade; agora vou poder lavar o meu cabelo, que já estava quase formando dreads de tão sujos. Organizei tudo direitinho e fui para o banheiro tomar um banho premium, daqueles de ficar horas. Que saudades desses momentos de auto cuidado que eu tinha comigo mesma. Ao sair desse banho, senti como se tivesse tirado um peso enorme das minhas costas. Lavei as minhas roupas, pendurei no varal para secar e fui pentear os cabelos; estão enormes, preciso aparar as pontas. Geralmente sou eu mesma que faço isso, mas como não tenho tesoura aqui, não vou me arriscar a estragar tudo. Fiquei ali pensando se mandava ou não uma mensagem agradecendo. Não queria parecer oferecida, longe disso. Mas a minha intenção era realmente demonstrar gratidão por tudo o que ele tem feito por mim. Ele não tem nenhuma obrigação em me ajudar e mesmo assim está fazendo tudo isso. O cansaço começou a me vencer, mas fico com receio de fechar os olhos e dormir. Preparei um almoço rápido: arroz, feijão, frango à parmegiana e batata frita. O cheiro de comida fresca já estava tomando todo o ambiente quando, de repente, dou de cara com o Terror na minha cozinha. Fiquei corada de tanta vergonha, estava enrolada apenas na toalha e não esperava de forma alguma que ele aparecesse assim. Não queria ser rude com ele, ainda mais por tudo o que tem feito por mim, mas também não se entra na casa de ninguém sem ao menos bater ou chamar. Mesmo a casa sendo dele, se eu estou aqui sob sua guarda, ele deveria ter o mínimo de noção de respeito e limites.
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