Ferrugem Narrando
Ontem fiz contato com o Fael e tenho quase certeza que ele vai pular para o meu lado. Pela ideia que troquei com ele, já deu para perceber que o cara é ambicioso e faz de tudo para subir na hierarquia do crime. Eu sempre falo: não existe lealdade quando se trata de poder. E aquele cuzão lá acha mesmo que tem soldados leais ao seu redor? Vai pensando, hahahaha.
Eles se garantem muito nesse sentido, mas vão tomar bonito. A gente ouve por aí que na Rocinha não tem ratos, que as bocas são milionárias, ninguém dá desfalque e blá-blá-blá. Vamos ver agora quando descobrirem que o Fael trabalha para mim. Claro que é uma questão de estratégia; se ele trai o próprio chefe, não vai me trair também? Não duvido de nada. Mas depois que o meu plano estiver executado, jogo esse verme na vala, sem dó nem piedade.
O meu plano é chamar a atenção do Terror para que ele saia do morro. Enquanto isso, o Fael entra e captura a Maria Clara antes mesmo que percebam a traição. O mano vai invadir a casa como se fosse buscar alguns pertences e, quando verem, já a trarão até mim. Vou dar um "boa noite, cinderela" nela, levar para um motel bem próximo da Rocinha. Tem que ser um trabalho rápido e bem feito, sem margem para erros. Vou tirar várias fotos com ela no motel, parecendo que está se entregando por livre e espontânea vontade, e depois envio tudo para aquele cuzão. Aí ele vai tirar as suas próprias conclusões. Pela fama daquele filho da p**a, com toda a certeza vai mandar ela para o asfalto. Lá fora eu pego de qualquer jeito, ainda mais sem a proteção dele. Poderia sequestrá-la e levá-la direto para o meu esconderijo, mas ele iria nos caçar eternamente, seria uma guerra sem fim. Prefiro queimar a imagem dela primeiro, assim tiro ele do meu caminho de uma vez só.
Ele vai se arrepender de ter cruzado o meu caminho. E essa vagabunda mirim vai apanhar tanto, mas tanto, que vai se arrepender de ter fugido e ficado se oferecendo para aquele desgraçado. Ela é minha, ninguém tira, só Deus e eu. Enquanto eu viver, ou ela viver, não vai ter escapatória. O velho dela já era e não está mais aqui para atrapalhar, então não será esse infeliz que vai afastá-la de mim. Uma hora ou outra ela acaba gostando. É tudo questão de costume e convívio.
Sei que ando cheirando pra c*****o, chegando perto dela meio descontrolado e tudo mais. Mas cada vez que ela gritava e chorava para eu me afastar, me dava mais t***o, ficava alucinado, como se o sofrimento dela alimentasse a minha onda. A única coisa é que não conseguia ir até o fim, mas isso é culpa do pó, só pode ser. Porque brocha eu não sou; as putas da rua eu como normal, sem neura e sem problema. Só com essa filha da p**a que acontece isso. Mas ela está fudida: dessa vez eu vou comer ela de qualquer jeito, nem que para isso eu tenha que tomar remédio. Ela vai voltar para lá sem cabaço, porque esse aí é o meu filhão e ninguém toca. Ele vai surtar ainda mais sabendo que ela me deu e que não é mais virgem — se é que ele vai ficar sabendo dessa parada. Mas que se f**a, vai ser a cereja do bolo para ele ficar com ódio da cara dela e mandá-la embora.
Aí ela toma uma surra lá e outra aqui, só para aliviar a minha raiva, depois a gente segue como se nada tivesse acontecido. Aqui onde estou está tranquilo, estou aprendendo várias paradas sobre administração; porque uma boa gestão faz toda a diferença. Não posso viver só me drogando. Se não fosse por esse vício, o meu morro não teria sido tomado e eu não estaria tão envergonhado e m*l visto pela facção e pela cúpula. Mas está tudo no seu devido lugar. Quem ri por último, ri melhor. O meu território vai voltar a ser meu, vou investir pesado e, futuramente, a Rocinha será minha. Com a minha ninfeta ao lado, para ficar perfeito é só engravidar essa maldita. Aí ela nunca mais vai sair do meu lado; se tentar fugir, fica longe do filho. E como provavelmente ela vai querer ser uma boa mãe, vai pensar duas vezes antes de me contrariar. E assim eu construo a minha família, tá ligado? É isso e fé, paz na senhora!!