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616 Words
Maria Clara Narrando Para variar, tive um pesadelo horrível, seguido de uma paralisia do sono. Eu estava acordada, mas não conseguia mover um músculo sequer para sair daquela tormenta. Quando o Terror me tirou daquele transe, me joguei com tudo nos seus braços, e aquele abraço acalmou a minha alma de uma forma que é difícil explicar com palavras. Fomos deitar no seu quarto e, apesar de estar exausta, a minha mente permanecia um caos, com pensamentos me assombrando. Parece que vai ser impossível viver uma vida normal depois de tudo o que tem me acontecido. Por mais que eu tente ser forte e pensar que um dia tudo isso vai passar, não acho que de fato aconteça; sinto que vou viver nesse inferno para sempre. O quarto dele é perfeitamente lindo e extremamente confortável, mas não tem vida: tudo é preto e cinza, sem cor, sem alma. Deitar naquela cama é como se eu estivesse flutuando nas nuvens. Tentei não passar dos limites, mas eu realmente precisava descansar e não tive outra escolha a não ser me aconchegar nele, puxando as suas mãos para envolver a minha cintura. Senti o seu m****o dando sinais de desejo, por mais que a minha i********e tenha formigado com a sensação de tê-lo tão perto, entendi que não era a hora nem o momento para isso. Acho que não faço o tipo dele e, acima de tudo, não quero ninguém ao meu lado por pena. Não posso confundir o fato de ele estar me ajudando com interesses outros. Mas que sensação maravilhosa foi sentir o toque dele no meu corpo, ah, isso foi. Apagamos. Não me lembro da última vez que dormi tanto tempo, sem medo, sem preocupação e sem pesadelos. Parecia que eu estava realmente nas nuvens; uma sensação surrealmente gostosa. Queria poder congelar esse momento e ficar aqui para sempre, nos seus braços, sei que nada vai me atingir, ele tem sido a minha base forte e inabalável. Depois de horas de sono profundas, despertei com a necessidade de ir ao banheiro, mas parecia impossível me soltar daqueles braços fortes, que mais pareciam uma muralha de proteção. Com todo o cuidado do mundo, tentando não acordá-lo, consegui me mover, mas ele me puxou de volta, apertando-me com carinho. — Vai aonde, mocinha? — Perguntou ele, com os olhos ainda fechados, me levando um susto. — Credo, que susto! Vou ao banheiro. — Expliquei. — Volta pra cá. Hoje nós só vamos comer e dormir, estamos precisando. — Murmurou ele, ainda com os olhos pregados de sono. — Você é quem manda. Fui ao banheiro, fiz minhas necessidades e voltei para a cama. Fiquei ali, pensando: será que esse homem não tem bafo quando acorda? Meu Jesus, fiquei desacreditada com tamanha perfeição, hahahaha. Deitei ao seu lado novamente e ele me agarrou mais uma vez, dessa vez de frente. Fiquei olhando para ele, com os olhos fechados, a imagem mais linda do mundo. Esse homem deve dar um trabalho surreal, porque a beleza que ele tem não está escrita em lugar nenhum. Tratei logo de afastar esses pensamentos indevidos; nós dois juntos é improvável, é impossível. Sortuda é a mulher que o tem — ou melhor, as mulheres que ele tem. Ele pode ser uma pessoa legal como amigo, um líder respeitado no morro e tudo o mais. Mas como homem, deve ser um caos. Todos são assim, é uma das características mais fortes desse mundo. Cresci na comunidade, sei exatamente como funciona, mesmo não me misturando muito. E a última coisa que eu preciso agora é de um problema amoroso; já tenho tantos e não estou conseguindo resolver, mas esse, ao menos, eu posso e vou evitar.
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