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835 Words
Terror Narrando Fiquei no meu escritório, em casa mesmo, resolvendo umas paradas. A fome começou a apertar pra c*****o, e olhando ao redor, só via besteira. Geralmente não costumo comer em casa, nem mesmo andar muito pelo morro; não gosto de ser visto de bobeira, chamar atenção à toa. Então, pedi algo de comer pelo w******p mesmo, aqui os lanches são os melhores da região, tá maluco. Continuei tocando os meus trabalhos, organizando as minhas coisas, até que o lanche chegou. Então, chamei o GB na frequência reservada, aquela que só pega entre mim e ele. Rádio On Terror: Na escuta, GB? GB: Fala, chefe. Tudo certo. Terror: Você vai montar a equipe agora. À meia-noite quero geral na boca principal, alinhados e prontos. Não adianta explicar o que vamos fazer, só avise que você está selecionando os melhores para uma ação contra carro forte. É pra manter sigilo total. GB: Deixa comigo, patrão. Vou providenciar. Terror: Fé. Rádio Off Abaixei o rádio e fui comer. Amei aquele lanche de bife, suculento como eu gosto. Se tem uma coisa que eu amo nessa vida é comer bem, sou taurino nato, filho. Como muito e o tempo inteiro, ainda bem que a genética me favorece, senão eu já estava um gordo do c*****o. Depois de matar a fome, fui tomar um banho quente e tentei dar uma descansada. Mas isso tem sido difícil ultimamente; praticamente não durmo, o sono simplesmente não vem. Um tempo atrás, até pensei em usar uns fármacos para dormir, mas rejeitei a ideia na hora. Não aceito esse tipo de dependência na minha vida, sou novo pra c*****o para ficar refém de remédios. Sem contar que essa p***a deixa a gente mais "viajado" do que o próprio baseado, parecia que eu ia ficar chapado 24h por dia. Agora, só recorro a isso em casos extremos, se é que um dia vou tomar. Não curto muito usar drogas, ponto final. Acho que a gente não pode misturar o trabalho com a vida pessoal. Quem vende não pode usar, senão dá r**m, a visão fica turva. Muito de vez em quando, fumo um baseado só para dar uma espairecida, relaxar a mente, mas nada que me vicie. Quando vejo que estou fumando muito, já dou uma segurada, sei controlar o meu corpo. Fiquei deitado na cama, rolando de um lado para o outro, mas o sono não vinha de jeito nenhum. Então decidi ligar a televisão e ver uns filmes. O meu w******p tem um trilhão de mensagens, mas eu só respondo o que é necessário mesmo. Não tenho saco para redes sociais, vejo o povo postando e ostentando uma vida que na realidade não vivem, uma cambada de hipócritas. Quem tem poder de verdade, dote de verdade, não precisa ficar mostrando nada. Mas fazer o que, né? A vida é muita vezes só aparência. Fiquei algumas horas acompanhando as histórias na tela, depois me levantei para o segundo banho do dia, para me trajar a rigor. Já já é hora de invadir e avermelhar o morro do Jorge Turco. O Ferrugem vai ter uma surpresa daquelas. A sorte dele é que eu não sou covarde e não gosto de prejudicar morador de bem; se não fosse por isso, eu tacava fogo em tudo. Aquele morro até que não me chamava muita atenção no início, mas ao ver aquelas bocas movimentando milhões, vi que vou ter que trabalhar duro para limpar a má impressão que a favela tem por lá. Não é fácil reerguer um território, mas quando o povo souber que o lugar vai estar sob o meu comando, as coisas vão mudar. Os viciados vão ver que o meu produto é de primeira, não é qualquer porcaria que se encontra por aí. Terminei o meu banho caprichado. Aliás, passei no barbeiro ontem, finalmente me toquei que preciso manter a aparência e lembrar que também tenho uma família que me espera. Coloquei uma cueca box, vesti um conjunto preto da Nike — calça e casaco, tudo igual. Ajustei o meu boné, calcei um tênis preto da Nike, passei desodorante, borrifei o meu melhor perfume, coloquei o meu cordão e o relógio que faz questão. Peguei a minha Glock, arma que eu confio de olhos fechados, com pente de trinta munições. Essa é a melhor, quando tu aperta o gatilho ela cospe trinta balas ventando. Fechei tudo com chave, entrei no meu carro e parti acompanhado dos meus seguranças. Não gosto de andar escoltado, parece que chamo atenção, mas infelizmente não tem jeito, ainda mais quando estou saindo de casa. Ali é o meu refúgio, onde tento ficar relaxado, e não posso dar bobeira nenhuma. Cheguei na boca principal e os mano já estavam todos reunidos, esperando ordens. Eles só vão saber o alvo quando a gente estiver encostando no território do Jorge Turco. Não sou maluco de falar antes para meio mundo, não quero riscos nem erros. Hoje o Ferrugem morre, e quem tentar intervir ou cruzar o meu caminho, morre junto também.
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