Ferrugem Narrando
- Depois de muito tempo longe… eu voltei. E minha volta não passou despercebida.
Pra tristeza de muitos… e alegria de quase ninguém. Porque geral sabe… quando eu piso no meu morro de novo, não é pra fazer visita, é pra ficar, é pra tomar o que é meu.
- O ar parecia mais pesado, carregado. Cada olhar atravessado, cada cochicho… eu percebia tudo. Tinha n**o incomodado, tinha n**o com medo… e tinha os que fingiam que nada tava acontecendo. Mas no fundo, todo mundo sabia. O dono tinha voltado.
- Dado veio me receber. Postura firme, olhar no olho. Não arregou, não tentou crescer… fez o certo e eu reconheço isso.
Ferrugem: Mandou bem — falei, batendo no ombro dele. — Teve cabeça. Devolveu sem precisar de guerra.
- Ele não disse nada, só assentiu com a cabeça. Porque no fim… ele sabia que não ia segurar. Ninguém segura o que é meu.
- Subimos pra boca. E ali, eu já comecei a reorganizar tudo. Olhei pros vapores, senti o clima estranho… mas nem dei espaço pra dúvida.
Ferrugem: Quero tiro pro alto agora. - Falei seco. Quero o morro inteiro sabendo que eu voltei.
- E foi dito e feito. Em segundos… o barulho começou a rasgar o céu. Rajada atrás de rajada. O recado tava dado. O comando tinha dono de novo.
- Entramos pra sala da boca. Sentei, acendi um, e comecei a puxar tudo com o Dado. Informação, movimento, quem colou, quem saiu, quem vacilou…Fiquei tempo demais longe pra voltar desinformado.
- E cada detalhe importava. Depois que já tava tudo na minha cabeça… eu comemorei, do meu jeito. Bebida descendo quente, fumaça subindo pesada… aquela sensação voltando pro corpo. De poder, de controle, de território. Mas faltava uma coisa.
- Puxei um celular novo, número limpo… e mandei.
- w******p On.
Achou que tava tudo certo, né?
Tô de volta. No meu lugar.
Dessa vez, tu se fudeu.
Vou buscar o que é meu.
A Maria… e tudo que vem com ela.
Inclusive esses malditos bebês.
E dessa vez, tu vai assistir sem poder fazer nada.
- Enviei.
- w******p Of.
Fiquei olhando a mensagem… com um sorriso torto no rosto. Minha mandíbula travou.
- Joguei o celular de lado e dei mais um gole na bebida. Agora sim, o jogo começou de verdade.