Costela Narrando
- O clima na boca já tava estranho… não era gritaria, nem correria. Era pior. Silêncio pesado, daquele que deixa qualquer um desconfortável. Terror tava lá, encostado, olhando o movimento… tranquilo por fora, mas dava pra sentir que a mente dele tava a mil. Mas a cara dele, estava de assustar qualquer um, até quem não está na mancada, fica com medo.
- Aquilo me apertou mais ainda. Não dava mais pra fugir. Fui até ele, sem pressa, mas com o coração batendo diferente.
Costela: Terror… preciso trocar uma ideia contigo. Papo reto. - Ele virou o rosto devagar, me encarou… não tava agressivo, mas também não tava leve. Era aquele olhar que pede verdade.
Terror: Então fala, Costela. - Respirei fundo. Sem enrolar.
Costela: Vacilei contigo, mano… e não foi pouco. - Ele ficou em silêncio, só esperando eu continuar. — A Gláucia colou lá no puteiro aquele dia… tentou puxar informação, não conseguiu nada. Só que depois quis se envolver, entrar no meio do salseiro… e eu acabei indo no embalo. Só que depois ela veio me pressionando, me ameaçando… e eu, na pilha, acabei deixando ela subir.
- O silêncio voltou… mas não era explosivo. Era frio. Ele abaixou o olhar por um segundo, passou a mão no queixo, pensativo…
Terror: Tu tá ligado que isso aí tu podia ter resolvido fácil, né? - Disse calmo, mas com o olhar frio. - Aquilo já bateu diferente… não era grito, era decepção. — Era só ter vindo falar comigo na época. “Ah, Terror, a Gláucia tá me ameaçando”… pronto. Acabava ali.
- Ele levantou o olhar pra mim de novo.
- Tu acha mesmo que isso ia dar em alguma coisa? - Balancei a cabeça de leve, sem resposta…
- Aquela mina nunca foi nada pra mim, Costela. Nunca teve importância. Era só mais uma… como várias que passam por aí. Se ela fosse alguma parada minha, todos saberiam, como sabem hoje que a Maria é a minha fiel. - Cada palavra dele era tranquila… mas pesada.
- Tu deu mancada à toa, mano. Criou um problema que não precisava existir.
Aquilo desceu seco. - Porque era verdade.
Costela: Eu sei… fui na emoção, no nervosismo. Não pensei direito.
Terror: Aqui não dá pra agir assim. - Ele falou baixo, sem alterar o tom… mas firme.
- Ainda mais com o que tá pra acontecer agora. - Assenti na hora. Sem discussão.
Costela: Tô ligado. Por isso vim agora… não quis esconder mais nada. Pode contar comigo nessa guerra. Tô contigo pro que der e vier. Não vou vacilar de novo. - Ele me encarou por alguns segundos… como se estivesse medindo se dava pra confiar ainda.
Terror: Espero que não mesmo. - Sem grito, sem ameaça direta… mas o recado tava dado.
- Dei uma respirada, e antes de sair, falei mais baixo…
Costela: E… parabéns pelos teus filhos, mano. De verdade. É bom ver tu construindo tua família, mesmo no meio disso tudo.
- Ele não respondeu na hora… só desviou o olhar, pensativo.
- Saí dali com o peso ainda nas costas… mas pelo menos agora era limpo. Aqui é assim… pior que errar, é esconder. E eu já tinha feito o suficiente por hoje. To tranquilo e mais leve, agora é só esperar o tempo mostrar minha lealdade e eles verem na prática, que eu nunca deixei de fechar com eles.
- Fiquei na entrada da boca, na atividade. Aguardando qualquer comando. Não era meu plantão, mas ritmo de guerra não tem essa, tá todo mundo no miolo pra segurar a merda que der.