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992 Words
Terror Narrando — Naquele dia eu não fiquei com ninguém, fui resolver um problema e acabei esbarrando em outro, com uma pessoa do meu passado. Ela surtou e veio para cima de mim, por isso fiquei arranhado. Sobre o que falei do cara que ficou com você, também te peço desculpas. Não tenho o direito de me intrometer na sua vida; você ficou muito tempo presa e agora que te prometi a liberdade, não vou ser eu quem vai tirá-la. Quero só que a gente se respeite e viva em paz como foi no início. Fico feliz que, mesmo que fosse para me irritar, não era verdade. E o que rolou entre nós, só aconteceu porque era eu mesmo. E é isso, estamos em paz? — Disse, olhando firme para ela e chegando mais perto. — Acho que, pelo visto, a gente gosta de se irritar. Você poderia ter falado isso antes sobre o seu passado, mas preferiu deixar eu interpretar o que quisesse. Sei que não temos nada, mas deixa isso para lá. Estamos em paz. — Respondeu, sorrindo aliviada. — E não podemos continuar com essa briga, daqui a pouco um vai acabar matando o outro, hahahaha. Vamos, que eu vou te deixar em casa. — Falei, estendendo a mão para ela. — Não que seja da minha conta, mas para onde você vai agora? — Perguntou, segurando na minha mão. — Estou de plantão hoje, meu sub não está muito bem. Posso até ficar em casa, mas tenho que permanecer acordado. — Expliquei, subindo na moto e ajudando ela a subir também. — Eu fico acordada com você. — Disse ela, se acomodando e segurando firme na parte de trás da moto. Não respondi e acelerei para casa. Ela vai me agarrar nessa p***a, quer queira quer não. Mandei a XTREME cortar pelas vielas e, na hora, senti os braços dela envolverem a minha cintura, hahahaha. Depois, me abraçou com carinho, passando os braços por baixo da minha camisa e apoiou a cabeça nas minhas costas. Esse momento vai ficar eternizado em mim. Depois de quase dois dias de guerra, finalmente tivemos uma conversa onde ela expôs os seus pontos e eu entendi um pouco dos meus defeitos. Sou muito fechado, não consigo me abrir com facilidade, mas ela falou literalmente tudo o que estava a incomodando. E eu admiro pra c*****o isso nela: não tem medo de expor os sentimentos e frustrações. Isso é uma coisa rara de se ver hoje em dia; a gente tende a esconder o que sente para não mostrar fraqueza, até porque, quando se expõe, fica vulnerável para os outros fazerem de gato e sapato. E o melhor de tudo é que, depois dessa conversa, pareceu que todos os problemas sumiram. Ela consegue agir com naturalidade, deixando as brigas no passado, me tratando normal e ainda por cima me abraçando. Deu um show de maturidade e eu tenho muito o que aprender com ela, sem dúvida. Chegamos ao portão de casa e ela desceu da moto com dificuldade. Olha o tamanho dela, hahahaha, verdadeira pigmeia, muito baixinha, cara. Entramos e deixei a moto do lado de fora, já que logo logo vou precisar sair caso me chamem. — Você está com fome? — Perguntou, indo até a cozinha pegar um copo de água. — Pô, diaba, tô mesmo. — Respondi, sentando na cadeira da cozinha. — Para de me chamar assim, que horror! Fico passada com esses apelidos, hahaha. Vou fazer misto quente para nós. — Disse, rindo. — Apelidos carinhosos, acredita, hahaha. — Falei, pegando logo o meu rádio. Rádio On — Bocas abastecidas. Não estou fisicamente na boca principal, mas o plantão continua sendo meu. Qualquer parada, chamem na minha frequência. — Já é, chefe. — Responderam os vapores. — Hoje o pai tá baleado e off para tudo. — Entrou a voz do GB. — Qual foi? Tá morrendo, é? — Perguntei. — Qual é, GB? Tá pegado? Hahahahah. — Zuaram os meninos. — Tô arriado, mano. Alguém compra um caldo e entrega aqui em casa pelo amor de Deus, e uma bombinha de Aerolin. O pai tá m*l das pernas. — Pediu ele. — Alguém vai lá nessa visão. Se não, daqui a pouco é caixão e vela preta para esses safados. Fé, tropa. — Ordenei. — Já é. Aguenta aí por cinco minutos, GB. Fé. Rádio Off Ela colocou os mistos na mesa, junto com a coca e os copos. Tudo muito bom, amassado e em um silêncio bom, sem tensão. Que alívio. Depois de comer tudo, ela me mandou lavar a louça que sujamos e subiu. Já começou o abuso, hahaha. Mas lavei mesmo, afinal não vou estragar o clima, né? Pelo menos até amanhã tem que ser sem guerras, senão eu surto. Subi para o quarto e ela estava no seu, se arrumando para dormir. Bati três vezes na porta e ela mandou eu abrir. A safada estava de baby-doll rosa e preto; não é tão curto como o de mais cedo, mas também não é muito decente, marca cada curva. Isso aqui é teste para cardíaco e eu não sei até onde vou aguentar. Fiquei olhando mesmo, f**a-se. Ela quer me provocar e está conseguindo. — Bora lá para o meu quarto ver um filme? — Convidei, coçando a cabeça e meio nervoso. — Vamos. — Respondeu, passando por mim e indo na frente. Deitou na minha cama, ligou a TV e começou a escolher o que assistir. Fiquei só de canto observando a folga dela, hahaha. Fui ao banheiro jogar uma água rapidinho no corpo e vesti um short de jogar bola, sem cueca mesmo. Deitei ao lado dela e a doida já coloca a p***a de um filme da Disney. — Qual é, mina? Tá malucona? Vamos ver desenho, é isso mesmo? Hahahahah — Disse, sem acreditar. — Então escolhe você, hahaha. Eu só sei ver essas coisas. — Falou, meio sem graça.
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