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Terror Narrando Acordei já no pulo, a manhã estava daquele jeito… movimento pesado na boca, carga chegando sem parar, e eu ali, na responsa, conferindo tudo pessoalmente, junto com o GB. Não confiamos em ninguém pra contar minha mercadoria, ainda mais com tanto olho grande rondando. - Abro uma caixa, confiro outra, passo a visão nos vapores… tudo no controle, tudo do jeito que eu gosto, sem erros! - O rádio na cintura dá aquele chiado seco… - Rádio On. Xxxx: Terror, na escuta… Glaucia tá aqui na barreira, ta pedindo pra subir, falou que tem informação quente pra tu. - Na hora já fechei a cara. Glaucia… essa hora, tá querendo assunto. Mas informação nunca é demais nesse jogo. Terror: Libera ela. Mas vem direto, sem gracinha. - Rádio Of. - Continuei ali, fingindo que tava tranquilo, mas já ligado. Quando ela subiu, veio meio ofegante, olhando pros lados, claramente nervosa. Parei na frente dela, encarei sem piscar. Terror: Fala logo… e escolhe bem o que tu vai falar — minha voz saiu baixa, mas pesada. — Porque se essa informação for furada, tu sabe como termina pra tu, né? - Ela engoliu seco, começou a abrir a boca pra falar… - E foi aí que o bagulho ficou doido. Do nada, vejo Maria Clara vindo na direção da boca, com a Bianca e a Eloah. Cena comum, se não fosse o jeito que ela parou quando bateu o olho na gente. O olhar dela mudou na hora… ficou frio, pesado, coisa que eu nunca tinha visto. - Antes que eu pudesse reagir, ela veio com tudo. Glaucia nem teve tempo de se defender. Maria avançou igual um furacão, puxou pelo cabelo e começou a descer a mão sem dó. Soco, tapa, chute… parecia que tava guardando aquilo há muito tempo. Nem a barriga atrapalhou, ela tava cega de ódio e eu fiquei sem reação. Maria Clara: Tu achou que ia subir aqui pra fazer o quê, hein sua vagabunda velha?! — ela gritava, fora de si. - Os vapores ficaram travados, sem saber se entravam ou não. Ninguém nunca tinha visto Maria daquele jeito. - Glaucia já tava toda arrebentada no chão quando Maria largou ela… mas não parou. Ela virou pra mim e eu senti o peso. - Antes mesmo de reagir, ela já tava com as mãos no meu pescoço, apertando forte. As unhas cravando, rasgando a pele… eu senti o ar sumindo por um segundo. Olhei pra ela… e não era mais a Maria calma que todo mundo conhecia. Era outra pessoa ali. Uma raiva crua, perigosa. A verdadeira diaba, esse apelido nunca fez tanto sentido. Maria Clara: Tu tá pensando o quê, Terror? — ela sussurrou com ódio. — Que eu sou otária? Eu não me mexi. Pela primeira vez em muito tempo… eu travei. Não era medo só de morrer… era o peso da atitude dela. Aquilo ali foi inédito, desacreditado do que estava vendo. - Em volta, os vapores estavam boquiabertos. Ninguém ousava abrir a boca, Ela soltou meu pescoço com um empurrão seco, respirando forte. Depois apontou pra Glaucia, jogada no chão, toda machucada. Maria Clara: Pega essa daí… e joga lá no pé do morro. - Ninguém hesitou dessa vez. Dois vapores já levantaram Glaucia arrastando. Maria Clara: E escutam bem. - Maria continuou, a voz firme, mandando como se fosse dona do lugar — se essa mulher subir aqui de novo… quem liberar a entrada dela, vai pagar com a vida. - a tensão e o silêncio total reinou naquele lugar. - Eu passei a mão no pescoço, sentindo o ardor das unhas… Olhando ela se afastar com a Bianca e a menorzinha, como se nada tivesse acontecido. - Naquele momento eu entendi uma coisa… Maria Clara não era mais só “a calma”. Ela tinha virado o meu problema. E dos grandes. - Entrei pra minha sala, todo sem graça. Que mulher é essa irmão, uma bomba relógio. Mais um pouco ela me matava asfixiado, meu pescoço todo arranhado, sangrando e ardendo pra c*****o. - GB entrou na minha sala rindo pra c*****o e achando o máximo, toda vez que a Gláucia apanhar, ele vai achar o máximo. Esse aí odeia ela de todas as formas hahaha. Mas pelo visto, ele estava rindo de mim, que o****o que eu virei. - Enrolei um baseado, fumei e fiquei pensando. Depois que a adrenalina passou, comecei a rir de nervoso hahaha. Que diaba irmão, fiquei até meio e******o. Espero não dormir no sofá hoje, espero.
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