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670 Words
Bianca Narrando - Tava tudo tranquilo até a Maria Clara me ligar… e me esculachar bonito. Falou que eu sumi, que me afastei, que me fechei… e, pior, ela tava certa. Fui i****a mesmo. Me escondi no meu próprio mundo, como se ninguém mais importasse. Mas ouvir aquilo dela… mexeu comigo. No fundo, eu tava precisando. - Ela me chamou pra tomar um açaí e, sinceramente? Era tudo o que eu queria. Sair de casa, ver gente, sentir aquele ar da Rocinha… que só quem vive sabe como é. - Encontrei com ela no caminho. Foi abraço apertado, daqueles que dizem tudo sem precisar falar nada. Saudade bateu forte. Aí ela grudou na Eloah e pronto, não soltou mais. A pequena nem reclamou, toda feliz. E a Maria… grávida, linda, radiante. A barriga já aparecendo, coisa mais linda de ver. - Descemos juntas rumo à açaíteria, Eloah pulando de um lado pro outro, cheia de energia. A gente conversando, rindo… e eu, pela primeira vez, me senti pronta pra falar. Contei tudo. Tudo mesmo. E o mais louco? Eu não chorei. Nem uma lágrima. Só falei… e ela me ouviu. Me entendeu. Me acolheu de um jeito que acalmou meu coração na hora. - Ela também abriu o coração… falou do susto com um dos gêmeos, que tava abaixo do peso, respirando m*l… mas que agora, graças a Deus, tava tudo bem. Disse que às 16h tinha a ultra pra descobrir o sexo. Eu fiquei tão ansiosa quanto ela, parecia até que os filhos eram meus também. - A gente é meio quebrada, né? Cada uma com suas feridas, com essa mania feia de se fechar pro mundo quando a coisa aperta. Mas quando a gente se encontra… é diferente. Tem conforto, tem verdade. É como se, aos poucos, a gente estivesse aprendendo o que é ter alguém de verdade do lado. - Só que aí… a gente passou pela rua da boca. Na hora, o clima mudou. Eu senti. O rosto da Maria fechou, o passo dela ficou mais firme. Eu odeio passar ali, ainda mais com a Eloah junto. Aquilo não é lugar pra criança… nem pra gente, pra falar a verdade. - Tentei falar com ela, baixo, pedindo calma… mas já era. Quando vi, ela já tava partindo pra cima. E foi surra. Mas foi surra de respeito. Daquelas que deixa a pessoa sem nem saber onde tá. Eu? Eu amei. Não vou mentir. Só fiquei com o coração na mão por ela estar grávida… podia ter deixado que eu resolvia. - E como se não bastasse… ela ainda foi pra cima do Terror. Deu uma enforcada nele que, olha… eu tive que me segurar pra não rir e levar esporro depois. Minha amiga é maluca… mas eu amo isso nela. Tava tudo bom demais… até aparecer aquela praga. Sarinha p*****a! - Do outro lado da rua, com umas marmitas do lado, bem igual ela. Shortinho encardido e beira cu, quase rasgando de tão cavado. A outra com meia dúzia de mega na cabeça, mais ralo do que não sei o que. um litrão na mão e parada ali assistindo tudo… como se já estivesse por perto há um tempo. Aquela ali… não me desce. Nunca desceu. E é f**a… porque junto com o ódio vem o ciúme. E pior ainda… minhas inseguranças. - Maria terminou o show dela como sempre, em grande estilo. E a gente foi embora. Eu nem olhei na cara do Gabriel. Nem quis. Porque, na minha cabeça, não tem desculpa. Não vem com essa de que “não manda na rua”. Aquilo ali é uma boca. Cada um tem sua função. Então por que tem um monte de p**a rodando em volta?Ah, me poupa. - Pra mim isso é falta do que fazer. Falta de uma casa pra cuidar, de uma louça pra lavar. Aposto que nem as próprias calcinhas essas daí lavam. Só vivem atrás de bandido, loucas pra serem bancadas. Esse tipo de vexame… eu não passo. Nunca.
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