Ferrugem Narrando
- Tá achando que é brincadeira? Aqui é mente fria e coração podre, parceiro. Nada que uma pressão bem dada, um terror psicológico na medida, não faça n**o peidar. Dado tá lá, pagando de dono do morro… mas no fundo ele sabe. Sabe que isso tudo ainda é meu. O vacilão do Terror tentou crescer, mas só se afundou, deu mole demais… cavou a própria cova sem nem perceber, hahahaha.
- Dado é minha cria, fui eu que fiz aquele moleque virar homem no crime. Conheço cada fraqueza, cada medo escondido. Pode até bancar o comedor, sair pegando geral, pagando de brabo… mas encosta na família dele pra tu ver. Os filhos e a mulher são o ponto fraco, e eu fui direto ali, sem dó. Aqui é jogo sujo mesmo, sem sentimento.
- E outra, o morro fala comigo. Cada beco, cada laje, cada canto tem minha história. Eu piso ali de olho fechado, enquanto ele ainda precisa olhar pros lados. Ele sabe que se peitar, eu entro rasgando, fazendo um estrago que ele não vai esquecer nunca. Porque diferente desses comédia, eu não fico só na ameaça não… eu faço acontecer.
- Tô numa fase que já não tenho mais nada a perder. Já perdi paz, já perdi sono, já perdi tudo que dava. Agora é só ódio e vontade de retomar o que é meu. Já o Dado… ah, ele tem muito a perder. E isso deixa ele fraco. Homem com muito a perder vira refém do próprio medo.
- Glaucia tá vindo no veneno, louca pra colar comigo nessa. Mulher quando é largada vira outra parada, né? Vira perigo. Mesmo não querendo, tenho que admitir. Qual o homem em sã consciência vai trocar uma novinha por uma velha e toda montada? Nenhum p***a. Ela tá com sangue nos olhos. E gente assim é útil. Porque no fim, ninguém liga pra ela mesmo. Se cair hoje, amanhã ninguém nem comenta. Isso torna ela perfeita pro jogo. No final, só vai restar ela pro arrombado lá se satisfazer, porque Maria ainda volta para os meus braços.
- Tava vivendo igual rato, escondido, fumando qualquer porcaria, sem dormir direito, sem comer como homem. Vida de foragido não é vida, é castigo. Tava no limite, já, quase metendo o louco no tudo ou nada. Mas agora mudou… agora o jogo virou.
- Fael tá lá na atividade, na Rocinha e vai me tudo. Cada informação é uma peça no meu tabuleiro. Isso aqui tá melhor que ganhar na loteria, papo reto.
- E quando eu voltar… ah, quando eu voltar, vai ser cena de terror. Quero ver n**o chorar, gritar, se desesperar… igual o veneno que passei.
- Já tô na pista, sentindo o cheiro do meu lugar de longe. O asfalto chamando, o barulho voltando… porque mato, silêncio, isso não é pra mim não. Meu mundo é outro.
- Pedi pro Dado ficar quietinho, não abrir a boca. Quero ver a cara de geral quando eu brotar do nada. Hoje… hoje o morro vai lembrar quem é o verdadeiro dono dessa p***a toda. E quem esquecer… eu faço questão de lembrar.