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Maria Clara Narrando - Fiquei tão p**a da minha vida, que não teve açaí, não teve ultra pra descobrir o sexo dos bebês, não teve nada. Parece que as pessoas me testam o tempo inteiro, querendo me levar o limite da loucura e conseguiram. - Quanto mais eu batia naquela vagabunda, mais eu queria descontar toda minha raiva e frustração. Bianca foi pra casa com a pequena, não consegui dar continuidade o nosso rolê. - A casa tava num silêncio estranho…Daqueles que incomoda, que faz até o barulho da geladeira parecer alto demais. Eu já tava ali há um tempo, tentando organizar minha cabeça, fingindo que tava tudo sob controle… mas não tava. Eu ainda estava muito p**a e com muita raiva. - Aí a porta abriu. Nem precisei olhar pra saber que era ele. O jeito de entrar, o peso do passo… o ar mudou na hora. - Terror entrou devagar, como quem pisa em terreno minado. E tava mesmo. Ele tentou puxar assunto, conversar sobre o que rolou, voz mais baixa que o normal, quase mansa… mas eu? Nem dei muita ideia. Respondi seco, sem olhar na cara dele, e fui direto pra cozinha. - Peguei um copo, abri o armário… e senti ele vindo atrás. Quando virei rápido, ele deu um leve recuo, o corpo travou na hora… como se eu fosse avançar nele. Eu parei, encarei… e soltei um sorrisinho de canto. Maria Clara: Que foi? Tá com medo de mim agora? - Dei uma risadinha de deboche, mas sem maldade demais… só o suficiente pra cutucar. - Ele não respondeu. Ficou ali, meio sem graça. E eu? Voltei pro meu canto. Fiz meu chá, bem plena e abafando meus demônios. Daquele jeito, quieta, sem trocar ideia, só o som da água fervendo e da colher batendo na xícara. O famoso “chá de silêncio”. - Depois disso, fui tomar meu banho. Demorei… precisava daquilo pra esfriar a cabeça. Quando saí, coloquei uma camisola linda… daquelas que abraça o corpo, leve, suave… mas não foi pra agradar ele não. Foi por mim. - Fiz a janta, comi na minha, sem chamar, sem perguntar nada, cada um no seu mundo. - Subi pro quarto… deitei… esperei e nada. O tempo foi passando e ele não apareceu. Revirei os olhos, já sem paciência, levantei e desci. Encontrei ele na sala. Maria Clara: Tu tá de s*******m, né seu infeliz? - Cruzei os braços, encostada na parede, olhando sério pra ele. - Vai subir ou tá esperando o quê? Quer se enforcar de novo é? - Falei sem filtro mesmo, do meu jeito. Agora doa quem doer, não vou mais me conter, cada um vai ter mim, aquilo que merecem. - Dei um suspiro, balancei a cabeça e continuei. - A gente tá brigado, tá. Mas vai dormir lá, Aqui não. Dei dois passos mais perto, olhando firme. - Bora. Sobe. Tá esperando o que? - Virei já indo na frente, mas ainda soltei por cima do ombro. - É só dormir mesmo. Amanhã é outro dia. - Porque no fundo… por mais que eu estivesse querendo matar ele. Eu ainda queria ele ali!
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