GB Narrando
- Cheguei na boca e já senti na hora. O ar tava pesado. Não era movimento comum… era tensão. Daquelas que dá pra cortar com faca. Rádio chiando sem parar, vapor andando rápido, n**o armado até os dentes… ninguém rindo, ninguém à vontade.
GB: Que p***a tá acontecendo? — soltei, já fechando a cara.
- Ninguém respondeu direto. Só olhar atravessado e cabeça baixa.
- Do nada Maria chegou. Meu coração deu uma apertada na hora, porque quando mistura os dois num clima desses… é problema grande.
- - Ferrugem voltou para o Jorge Turco e essa guerra tá prevista, de uma coisa eu tenho certeza. Ele não sai vivo!
- Passei a língua nos lábios, puxando o ar devagar. Mas desacreditado ainda do que estava acontecendo.
GB: Pro Jorge Turco, papo reto? - Ele só confirmou com a cabeça.
— …já era esperado. Falei mais pra mim do que pra ele. Mas quando ele completou…
Terror: Segunda madrugada a gente sobe.
Aí o jogo mudou. Olhei em volta de novo, analisando tudo. Posição dos caras, armamento, movimentação…Não era mais só tensão. Era pré-guerra.
GB: Então a gente tem dois dias. — falei, já entrando no modo frio. - Ele ficou quieto, me olhando.
Terror: Dois dias pra fazer isso direito… ou dar merda grande. - Passei a mão no queixo, pensando rápido.
- Primeiro: informação. Quero saber quem tá com ele, quantos homens, quem virou casaca, rota de fuga… tudo.
Apontei pra um dos vapores.
— Puxa isso discreto. Nada de levantar suspeita.
Voltei pro Terror.
- Segundo: território. A gente não pode deixar nossa área vulnerável enquanto sobe. Se ele tiver cérebro, tenta contra-ataque. Dei um passo mais perto.
- Divide bem quem fica e quem vai. Não adianta ir com tudo e deixar a casa aberta.
Olhei pra Maria por um segundo… e depois voltei pra ele.
- Terceiro: cabeça. - Falei mais baixo.
- Tu tá com sangue no olho. Eu sei. Mas não pode subir na emoção. - Dei uma leve inclinada na cabeça.
- Ferrugem vai tá esperando exatamente isso.
- O silêncio pesou entre a gente.
- A gente sobe… — continuei — mas sobe certo. Pressão, estratégia e saída limpa. - Cruzei os braços.
- E outra… nesses dois dias, nada de movimentação exagerada. Deixa ele pensar que tá tranquilo. - Dei um meio sorriso de canto.
- A gente quebra quando ele achar que tá no controle. Olhei mais uma vez em volta, sentindo a responsabilidade cair nas costas. Aquilo ali não era só briga de território. Era pessoal e quando fica pessoal… Fica perigoso pra todo mundo.
— Eu tô contigo — falei firme, encarando o Terror. — Até o fim.
- Porque agora… Não tinha mais volta. Aproveitei que já estava no brilho, falei logo tudo passando as coordenadas. Alguém tem que tá com a mente no lugar, Terror tá pensando com emoção, afinal é sua família.