137

490 Words
GB Narrando - Cheguei na boca e já senti na hora. O ar tava pesado. Não era movimento comum… era tensão. Daquelas que dá pra cortar com faca. Rádio chiando sem parar, vapor andando rápido, n**o armado até os dentes… ninguém rindo, ninguém à vontade. GB: Que p***a tá acontecendo? — soltei, já fechando a cara. - Ninguém respondeu direto. Só olhar atravessado e cabeça baixa. - Do nada Maria chegou. Meu coração deu uma apertada na hora, porque quando mistura os dois num clima desses… é problema grande. - - Ferrugem voltou para o Jorge Turco e essa guerra tá prevista, de uma coisa eu tenho certeza. Ele não sai vivo! - Passei a língua nos lábios, puxando o ar devagar. Mas desacreditado ainda do que estava acontecendo. GB: Pro Jorge Turco, papo reto? - Ele só confirmou com a cabeça. — …já era esperado. Falei mais pra mim do que pra ele. Mas quando ele completou… Terror: Segunda madrugada a gente sobe. Aí o jogo mudou. Olhei em volta de novo, analisando tudo. Posição dos caras, armamento, movimentação…Não era mais só tensão. Era pré-guerra. GB: Então a gente tem dois dias. — falei, já entrando no modo frio. - Ele ficou quieto, me olhando. Terror: Dois dias pra fazer isso direito… ou dar merda grande. - Passei a mão no queixo, pensando rápido. - Primeiro: informação. Quero saber quem tá com ele, quantos homens, quem virou casaca, rota de fuga… tudo. Apontei pra um dos vapores. — Puxa isso discreto. Nada de levantar suspeita. Voltei pro Terror. - Segundo: território. A gente não pode deixar nossa área vulnerável enquanto sobe. Se ele tiver cérebro, tenta contra-ataque. Dei um passo mais perto. - Divide bem quem fica e quem vai. Não adianta ir com tudo e deixar a casa aberta. Olhei pra Maria por um segundo… e depois voltei pra ele. - Terceiro: cabeça. - Falei mais baixo. - Tu tá com sangue no olho. Eu sei. Mas não pode subir na emoção. - Dei uma leve inclinada na cabeça. - Ferrugem vai tá esperando exatamente isso. - O silêncio pesou entre a gente. - A gente sobe… — continuei — mas sobe certo. Pressão, estratégia e saída limpa. - Cruzei os braços. - E outra… nesses dois dias, nada de movimentação exagerada. Deixa ele pensar que tá tranquilo. - Dei um meio sorriso de canto. - A gente quebra quando ele achar que tá no controle. Olhei mais uma vez em volta, sentindo a responsabilidade cair nas costas. Aquilo ali não era só briga de território. Era pessoal e quando fica pessoal… Fica perigoso pra todo mundo. — Eu tô contigo — falei firme, encarando o Terror. — Até o fim. - Porque agora… Não tinha mais volta. Aproveitei que já estava no brilho, falei logo tudo passando as coordenadas. Alguém tem que tá com a mente no lugar, Terror tá pensando com emoção, afinal é sua família.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD