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813 Words
Maria Clara Narrando - Acordei no meio da madrugada, do nada. Sem motivo aparente… mas com o coração apertado. Aquela sensação r**m, sabe? Como se alguma coisa estivesse fora do lugar, virei pro lado, ainda meio sonolenta… procurando por ele. Nada. A cama vazia. Na hora, despertei. — Terror? — chamei, com a voz baixa, rouca de sono. Silêncio. - Sentei na cama devagar, passando a mão no rosto, tentando afastar aquela angústia que já tava crescendo dentro de mim. Olhei o quarto… banheiro aberto, luz apagada. Ele não tava ali. Meu coração começou a bater mais rápido. - Peguei o celular na hora e liguei. Chamou, chamou, chamou… e Nada. — Atende… — murmurei, já sentindo a voz falhar. Desliguei e liguei de novo. E de novo e de novo e mais uma vez, nada. - Cada chamada não atendida parecia apertar mais meu peito. Levantei da cama, comecei a andar de um lado pro outro no quarto, inquieta. Eu conheço ele. Conheço quando alguma coisa tá errada. - E depois de tudo… da rua, da confusão, daquele clima pesado… Isso não era coincidência. - Não faz isso comigo… — falei baixo, já com os olhos marejados. - Apoiei a mão na barriga, respirando fundo, tentando me acalmar. — Fica calma… fica calma… Mas como? Se eu sentia… lá no fundo… Que tinha alguma coisa muito errada acontecendo. - Liguei mais uma vez e nada. - O silêncio do outro lado da linha… gritava. Me sentei na cama de novo, perdida, com o celular na mão, esperando. Tentando não pensar no pior. Mas já pensando. - Eu não aguentei ficar parada. Aquela sensação não passava… só piorava. Peguei um casaco qualquer, calcei um chinelo mesmo e saí. Nem pensei direito… só fui. - A madrugada tava silenciosa demais… e isso me deixava mais nervosa ainda. Cada passo que eu dava, meu coração batia mais forte. - Ele tá na boca… — falei pra mim mesma, quase como um instinto. - Subi o morro rápido, mesmo com o peso da barriga já começando a cobrar. Mas eu não ia ficar em casa, esperando notícia r**m chegar. Quando fui me aproximando… já vi de longe o movimento. - Muito mais do que o normal pra aquele horário. Homem armado, rádio chiando, gente andando de um lado pro outro com cara fechada. Meu estômago gelou. — Eu sabia… - Continuei andando, ignorando os olhares. Ninguém teve coragem de me barrar. Quando ele me viu, travou na hora. Terror: Que que tu tá fazendo aqui? — ele veio rápido na minha direção, voz baixa, mas carregada. Maria: E você? — retruquei na mesma hora, já sentindo a irritação subir junto com o alívio de ver que ele tava bem. — Sumiu, não atende telefone… tu acha que eu sou o quê? - Ele passou a mão no rosto, claramente tenso. Terror: Tu não era pra ter saído de casa. Maria: E tu não era pra me deixar lá sem resposta! - Ficamos um de frente pro outro, o clima pesado. Olhei em volta de novo… e aí caiu a ficha de vez. Maria: Bernardo, o que tá acontecendo? - Ele ficou em silêncio por um segundo. Um segundo longo demais. Até que falou: Terror: Ferrugem voltou. - Meu corpo gelou na hora. Maria: …o quê? Terror: Pro Jorge Turco. — ele completou, seco. - Levei a mão automaticamente pra barriga. Não precisava de mais nada, eu entendi tudo. Maria: E agora? - Ele chegou mais perto, abaixando o tom. Terror: Agora o morro tá em alerta. Ninguém vacila. Eu já alinhei tudo. - Engoli seco. Maria: Terror… Terror: Em dois dias. — ele cortou. Meu coração disparou. Maria: O quê? Terror: Segunda madrugada. - O jeito que ele falou… firme, decidido… me deu um aperto no peito absurdo. E ele continuou: — A gente vai subir. - Balancei a cabeça, em negação. Maria: Não… não faz isso… - Ele segurou meu rosto, me obrigando a olhar pra ele. Terror: Eu não tenho escolha. Maria: Sempre tem! — minha voz falhou. Terror: Não dessa vez. - O olhar dele tava diferente, frio, calculado e perigoso. Terror: Ele mexeu com vocês. — ele falou baixo, mas cheio de peso. — Isso não fica assim. - Senti meus olhos encherem de água. Maria: E se alguma coisa acontecer com você? - Ele encostou a testa na minha. Terror: Não vai. Maria: Você não pode me prometer isso… Terror: Mas eu posso garantir uma coisa — ele respondeu, firme. — ninguém encosta em você. Ninguém chega perto dos meus filhos. - Minha respiração ficou irregular. Maria: Eu não quero te perder… - Ele me puxou pra um abraço forte, daqueles que quase tira o ar. Terror: Tu não vai. - Mas no fundo… A gente sabia. Que guerra… nunca vem sem cobrar um preço. E dessa vez… Tava perto demais.
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