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Terror Narrando - O clima já tava podre. Maria virou pro lado na cama como se eu não fosse nada. Me ignorando totalmente. Aquilo ficou martelando na minha cabeça… mas eu engoli seco. Ela está grávida, tenho que ser paciente. - Levantei puto, fui direto pra varanda e acendi um. Puxei fundo, tentando segurar a explosão aqui dentro. Quando ela quer ignorar, é mestre em fazer isso. Estava tentando ficar tranquilo, mas não adiantou. O celular vibrou, número desconhecido. - Quando eu abri… já senti o sangue subir na hora. Ferrugem. Eu trinquei o maxilar tão forte que chegou a doer. — Tu é muito filho da p**a… - Disse revoltado. - O desgraçado voltou pro Jorge Turco. Eu já sabia. No fundo eu sabia… só fui burro de tentar fazer diferente. Não se entrega morro pra quem tem raiz nele. Vacilei. E Ferrugem? Joga sujo. Sempre jogou. Não tenho dúvida nenhuma… ameaçou família, botou terror psicológico, fez o que fosse pra retomar. Mas beleza, não vou chorar pelo leite derramado. - O problema não foi ele voltar, o problema foi ele mexer onde não devia. Maria, meus filhos. Aí não. Aí acabou qualquer limite. Tentei o máximo me conter, até mesmo pra Maria ter uma gestação saudável, ninguém merece gestar nesse inferno. - Apertei o celular na mão com tanta força que parecia que ia quebrar. — Tu vai morrer… e vai ser sofrendo. Falei baixo, mas cheio de veneno. - Minha cabeça virou um inferno. Mil pensamentos, mil formas de fazer esse cara pagar. Eu sei onde ele tá, sei exatamente onde pisar. E isso só me dá mais vontade ainda de subir lá agora e acabar com tudo. - Tô me segurando por muito pouco. Porque a vontade real… É invadir aquela p***a e deixar um rastro de sangue até chegar nele. Não quero conversa, não quero aviso. Eu quero ele olhando pra mim… sabendo que acabou. Só que no meio desse ódio todo… vem ela, minha maria. Grávida e vulnerável. - Passei a mão no rosto, respirando pesado, tentando não perder o controle de vez. c*****o, que situação… Se eu falar, eu apavoro ela. Se eu não falar, eu deixo ela no escuro. E eu odeio não ter controle. Odeio! - Mas uma coisa é certa…Ninguém encosta nela, ninguém chega perto dos meus filhos. Nem que pra isso eu tenha que virar o próprio inferno. Nem que eu tenha que dar minha vida, eu dou. Sem pensar duas vezes. - Mas ela fica, eles ficam.E o Ferrugem… Eu faço questão de levar comigo. Arrastado. Pra bem pior do que ele imagina. - Olhei pra dentro do quarto. Maria dormindo… virada pro lado, tranquila. A respiração leve, a barriga subindo devagar… meus filhos ali. Aquilo me segurou por um segundo. Só por um segundo. - Eu volto… — murmurei baixo, mesmo sabendo que ela não tava ouvindo. - Peguei o rádio, o celular, a peça… e saí. Desci as escadas no escuro, pisando firme. Cada passo era uma decisão sendo tomada. Quando cheguei na rua… o ar da madrugada bateu diferente. Frio, pesado, clima de guerra. - Se fosse um tempo atrás, estaria amando toda essa adrenalina, de fato, era o que me mantia vivo. Amava uma guerra, um confronto. Mas eu não tinha ninguém no meio disso, agora tenho. - Subi direto pra boca. Os vapores já sentiram quando me viram. Ninguém falou nada, mas o clima mudou na hora. Eu não tava com cara de quem queria ideia. Peguei o rádio da base, puxei no canal geral. - Rádio On. Terror: Atenção geral… é o Terror falando. Minha voz saiu firme, grossa… carregada. — Quero todo mundo ligado. Dobrar atenção em todas as entradas. Ninguém entra, ninguém sai sem ser revistado até a alma. Vapores: Você que manda, chefe. Terror: Ferrugem voltou pro Jorge Turco. - O silêncio do outro lado falou por si só. E continuei. — E agora… é guerra. Vapores: Se tentar aqui vai ficar fudido, chefe. - Caminhei de um lado pro outro, sentindo a adrenalina subir. Terror: Quero contenção reforçada, quero vigia em ponto cego, quero visão de tudo. Quem vacilar… vai responder pra mim. - Troquei de canal. Frequência só do GB e Fael. Terror: Se liguem. Situação ficou séria. Nós três somos os cabeça dessa p***a, se posicionem como tal. Quero homem pronto, armado e consciente. - Respirei fundo, mas o ódio ainda queimava. GB: Estou indo pra boca, vamos pensar com calma. Fael: Já tô aqui, tô entrando. - Desliguei o rádio devagar. - Passei a mão no rosto, tentando organizar o caos aqui dentro. Mas não tinha mais volta. Caminhei até a beirada, olhando o morro lá longe… imaginando ele lá, respirando o mesmo ar. - Tu quis guerra… — murmurei, com o olhar travado. — Então tu vai ter. - Fael e GB passaram pela porta e me olharam com o olhar preocupado. . Terror: A partir de agora, ninguém dorme tranquilo. Quero revezamento, quero atenção total. E manda alguém sagaz pra levantar qualquer tipo de informação, se tem aliado de outro morro, quem tá com ele nessa. É pra levantar tudo que tu tiver de informação recente. Movimento, cara novo, rota… tudo. GB: Pode ficar suave que tudo vai ser feito conforme você está pedindo, estamos juntos nessa. - Disse se aproximando e fazendo um toque de mão comigo. Fael: Nem gosto dessas paradas de vitimismo, mas estou me sentindo culpado. Mas é isso, tô contigo sempre e vamos pra guerra. Ela só acaba quando esse desgraçado morrer. - Disse e fez um toque comigo. GB: Ele ameaçou o Dado, pode botar fé. Então tu não tem culpa de nada! - Disse apertando um baseado. Terror: É isso. Ele jogou sujo, agora é guerra. - Fiquei ali, parado, sentindo o peso de tudo nas costas. Minha cabeça fervendo… mas meu corpo já tava no automático. Frio, calculista, pronto. - Porque agora não é mais sobre ego, não é mais só sobre território. É sobre a minha família. E por eles, eu viro o próprio inferno.
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