Terror Narrando
— Mano… papo reto, fiquei foi tontão com a atitude dela. Na moral, nunca imaginei isso vindo daquela diaba, bagulho me pegou desprevenido, fiquei até meio sem reação. A mulher virou outra parada… parecia uma diaba incorporada, tá maluco. Agora eu vou ter que andar pianinho, na disciplina, pra não tomar mais uns apavoro desses.
- Perdi até a vontade de trampar, sem neurose. Só meti o pé e fui pra casa, mas o clima… pesadão. E o pior, ela agindo como se nada tivesse rolado, me ignorando bonito. Aquilo foi me corroendo por dentro, fiquei puto, mas segurei minha onda, fiquei na minha, só observando.
- A tarde foi passando arrastada, a noite então… silêncio cortando. Nem pra me chamar pra jantar ela chamou. Fiquei lá, largado. Do nada, ela desce, já daquele jeito… olhar de quem não quer ideia, só mandando: “sobe pro quarto”. Nem pediu, intimou mesmo.
- Tá maluco, essa gravidez vai acabar comigo. A mulher era mó tranquila, suave… agora virou o próprio caos. Me dá ordem, me bate, me deixa feião na fita, ainda por cima na frente dos meus vapores… tô fudido, papo reto.
- E pra piorar, fiquei boladão com essa parada da ultra. Perdemos por causa de um m*l entendido i****a… eu tava na maior ansiedade pra saber o sexo dos meus filhos. Coração tava a milhão pra esse momento.
- Agora, se vier meninas… aí esquece. Tô mais fudido ainda.
- Subi pro quarto na disciplina. A porta tava meio encostada, empurrei devagar… e lá tava ela, sentada na cama, com aquele olhar atravessado que já dizia tudo. Clima pesado, parecia que o ar tava até mais denso.
- Nem deu tempo de eu abrir a boca direito.
Maria: Tu acha que eu sou otária, né. Seu Terror? — ela soltou, seca, sem nem piscar.
- Respirei fundo, passei a mão na nuca, tentando manter a calma.
Terror: Qual foi, para de me chamar pelo vulgo, pra você é Bernardo e eu já to cansado de falar isso. Para de me esculachar sem nem saber o motivo dela ter subido. - Disse tranquilo.
Maria: Eu sei o suficiente.- ela levantou na hora, vindo na minha direção. — Aquela vagabunda subindo o morro atrás de você… tu acha que eu não vi?
— Aquilo ali já me deu um nervoso, mas eu segurei. Sabia que se eu explodisse, ia piorar tudo.
Terror: Escuta, na moral… tu tá viajando. A Gláucia não subiu por minha causa não. Ela veio trazer informações do Ferrugem. Bagulho sério, de responsa.
- Ela riu, mas não foi de graça não… foi deboche puro.
Maria: Ah, claro… sempre tem uma historinha, né? Sempre tem uma desculpa bonitinha.
- Dei um passo pra frente, tentando olhar no olho dela.
Terror: Eu tô falando sério, pô. Tu me conhece… sabe que eu não fico de ideia torta, ainda mais numa situação dessa.
- Ela chegou mais perto ainda, dedo apontado no meu peito.
Maria: Eu te conheço… e é justamente por isso que eu tô te avisando.
— Ficamos cara a cara. O quarto inteiro em silêncio, só a respiração pesada dos dois.
- Se essa mulher subir aqui de novo… — ela falou baixo, mas com um ódio que dava até pra sentir — eu juro pra tu… eu corto teu p*u fora.
- Fiquei até sem reação por um segundo. Não era nem zoeira… ela tava falando sério.
- Passei a mão no rosto, soltei o ar devagar.
Terror: Tu tá passando do limite já… na moral.
Maria: Tô mesmo. — ela rebateu na hora — E vou passar mais ainda se tu me fizer de trouxa.
- Balancei a cabeça, tentando não perder a linha.
Terror: Não tem essa, tu tá criando bagulho na tua cabeça. Eu tô contigo, tô pela nossa família… pelos nossos filhos.
- Ela travou por um segundo quando falei isso… mas foi rápido. Logo voltou com aquela marra.
Maria: Então começa a agir como homem de família.
— Aquilo bateu diferente. Fiquei quieto. Porque no fundo… eu sabia que essa guerra ali dentro de casa tava só começando e é ela que manda.