Viviane Narrando
- Olá gente, meu nome é Viviane. Tenho 24 anos e sou sozinha desde que minha avó se foi. Somos de Pernambuco, mas quando tinha 14 anos minha avó decidiu vir para o Rio. Segundo ela, as oportunidades aqui seriam melhores. Só na cabeça dela, porque pra mim foi ainda pior, Cidade pequena é bem mais fácil de você se virar e as oportunidades surgem rápido porque as pessoas te indicam. Conclusão, tem 5 anos que ela se foi e eu me viro pra ter o minimo. Fomos parar aqui no Jorge Turco por indicação de uma dona de pousada que a gente ficou nos primeiros dias aqui. No início estava mega feliz, mas hoje vejo que foi a pior coisa que fizemos. Trocamos o certo pelo duvidoso e a insistência de minha avó dizer que não queria que eu levasse a mesma vida miserável que ela tinha em Pernambuco. Pra mim, não era. Tínhamos o necessário para viver. Aqui sim minha vida é miserável, me mato para ter o que comer, vestir e onde morar. Aqui as pessoas além de serem preconceituosas, são xenofóbicas. Eu odeio o fato de ter que morar aqui, esse lugar distruiu tudo que um dia sonhei e idealizei para minha vida.
- Todo mundo fala que emprego tem e é só correr atrás, pois eu duvido, o que eu já corri atrás dentro e fora dessa comunidade não está escrito. O único lugar que consegui foi em um bar e eles me humilhavam todo santo dia, só pelo fato de vir de longe e tentar a vida aqui, queriam pagar de qualquer jeito, não o que realmente foi combinado. Fora que na boca também, mas minha vida vale muito pra mim, pode não valer para os outros, mas pra mim vale e muito.
- Conclusão, depois disso tudo, tinha que me virar pra sobreviver, trabalho de faxineira em uma boate. Limpo os quartos com goza em tudo quanto é lugar, camisinha jogada no chão, porque o povo é porco mesmo, na verdade, porcos não, são sem educação mesmo, porque sabe que tem alguém pra limpar e se estão pagando, f**a-se os outros. Penso todos os dias em sair desse lugar, até porque ninguém quer saber que você é faxineira, só de você entrar na boate, associam a você como p**a, nada contra. Elas não estão dando o que é de ninguém e sim delas, não estão fazendo m*l a ninguém além delas, então não julgo. Só não é pra mim, e imagino o que todas sofrem, até porque tem cada homem nojento aqui que só jesus, mas elas não tem opção de escolha, aqui você não pode decidir com quem você vai ficar, todo mundo tem que ser tratado igual como cliente e f**a-se. Só não tenho tempo pra arrumar emprego, minhas folgas são só as segundas, passa voando. Aí tenho que arrumar casa, fazer marmita porque eles não dão comida, lavar roupas e tudo que tenho pra fazer que é a minha obrigação como dona de casa.
- Esses dias conheci o Fael, dono do morro. Todos falam muito bem sobre a gestão dele e o quanto melhorou, o povo morre de medo disso aqui voltar pro antigo dono. Em uma festa conheci ele, ele é um pouco mais velho, mas lindo, lindo mesmo. É da minha cor, bem moreno, tatuado, físico lindo, ele é um verdadeiro boto. Lá em Pernambuco quando os homens são lindos assim, a gente chama de boto hahaha.
- Saímos e eu amei a companhia dele, o beijo encaixou, fiquei paralisada no tempo enquanto estávamos juntos. Só que no dia seguinte, ele me humilhou, me entregou um monte de notas de dinheiro, e eu não entendi o que ele estava fazendo, até ele dizer que era esse o meu trabalho, fiquei louca da vida e nunca mais quis olhar na cara dele e nem vou. Não sou mais virgem, conheci um cara aqui no Rio a pouco tempo, tem uns três meses, a gente foi ficando e rolou, mas não era nada do que eu pensava, ele é até legal, maneiro, conversa de boas e não tem preconceito sobre eu trabalhar em uma boate. Mas nada encaixou, parece que ele não faz o meu tipo, não teve química, não teve nada. Depois da nossa primeira vez, eu fui deixando de lado e ele se ligou que eu não queria mais. Me entreguei pra uma pessoa que eu não sentia nada, essa é a verdade.
- Mas depois do que rolou com o Fael, decidi dar mais uma oportunidade para o meu ex, o nome dele é Luiz Felipe. Ele parece que realmente gosta de mim e se importa comigo, e afinal, a gente começa a gostar convivendo. Não tem o porquê de eu não dar uma oportunidade pra ele. Nem toda primeira vez é boa, às vezes a gente consegue sim ficar juntos.
- Sai do trabalho e passei com ele indo pra minha casa, queria que ele conhecesse meu espaço já que decidi dar uma oportunidade pra ele. Até que fomos surpreendidos pelo pessoal do movimento, revistando o menino e querendo saber mais dele, eu sabia que esse cara iria querer fazer graça, no fundo estava sentindo isso. Mas deixa ele comigo, isso não vai ficar assim.
-Tudo bem que ele nunca veio aqui antes, mas estava comigo e eu nunca me meti em nada errado aqui, jamais traria alguém aqui pra trazer problemas e me colocar em risco com esses caras.