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#Nath Eu senti meu corpo ser atingido, mas minha maior preocupação era o bem estar dela, Priscilla Pugliese, minha protegida, mas acima de tudo a mulher da minha vida. Eu sabia que aquele poderia ser o fim, sentia que estava perdendo muito sangue, ela gritava por ajuda e eu tentava lhe falar a verdade. A verdade que importava entre nós. Porque o resto seria apenas decepção vc para ela. -Eu …. Eu te… - Minha voz não estava me obedecendo, assim como os meus membros que eu sentia cada vez mais pesados. -Fica calma, eu estou aqui, tente não fazer esforço. -Eu preciso de uma ambulância urgente na avenida… - Os sons estavam de tornando distantes, mas eu sabia que era a delegada Aguilar que estava ali. -Não dorme Nath. - Eu senti tapinhas no meu rosto. Priscilla chorava muito agarrada ao meu corpo e eu lutava para me manter consciente,ou pelo menos o mais perto disso que eu conseguia chegar. -Eu te amo. - Não consegui gritar aquilo ao mundo como eu desejava, eu apenas sussurrei e Priscilla entendeu apertando ainda mais onde sangrava tentando estancar. E só aí percebi que não tinha sido apenas em meu braço que tinha sido atingida. -Ela vai desmaiar. - Priscilla falou a alguém e logo senti falta do calor do seu corpo. Uma máscara foi colocada em meu rosto, meu corpo removido para o que eu julguei ser uma maca e barulhos de sirene deixavam tudo ainda mais frenético. #Pri Eu estava prestes a fazer um buraco no chão da sala de espera. Já havia de passado mais de sete horas que Natalie estava na sala de cirurgia, fiz questão que ela fosse trazida o melhor hospital da cidade, não me importava em gastar para que ela saísse daqui vida. Meus olhos ardiam com a noite m*l dormida e não ter notícias estava me matando. Já era quase meio da manhã quando o médico veio me dar notícias, e aquela altura a delegada Aguilar tinha voltado ao hospital e estava na sala de espera comigo e mais dois policiais. Eu já tinha lhe dito tudo sobre o atentado que tinha sofrido, mas ela disse que precisava colher o depoimento de Natalie também. -Os parentes da senhorita Natalie Smith? -Ele perguntou e eu logo me aproximei dele. -Eu sou a namorada dela. -Bom...a senhorita Smith levou dois tiros, um de raspão no braço e outro muito próximo ao pulmão esquerdo. Ela perdeu muito sangue, o que agravou o quadro clínico dela. -O médico explicava e aquilo tudo não me dava a resposta que eu queria. -Desculpas doutor, mas a Nath está ou não fora de perigo? -Perguntei com a minha ansiedade gritando. A delegada Aguilar se mantida próxima é muito interessada na conversa. -Não. Conseguimos resolver a hemorragia e retirar a bala, mas temos que continuar monitorando a paciente. Ela vai ficar na UTI até que vejamos uma melhora no quadro. Era notório que o médico detestava dar aquele tipo de notícias, talvez porque todos os parentes dos pacientes que as recebia choravam que nem eu estava fazendo naquele momento. -Eu tenho que ir, mas qualquer novidade lhe aviso. -O médico ia começar a se afastar quando olhou para trás. -É melhor que vá para a casa descansar um pouco, por enquanto a paciente não receberá visitas. Eu não tinha nenhuma intensão de sair dali sem a Natalie, ela estava ali por minha causa. -Melhor que siga os conselhos do médico senhorita Pugliese. -A Delegada se aproximou para falar comigo. -Eu não vou deixá-la aqui sozinha. - Falei me sentando e ela se sentou ao meu lado. -É admirável o seu cuidado com a sua namorada, mas não acho que ela vai querer descobrir quando melhorar que você ficou aquilo sem comer e dormir direito. -Eu não vou deixar- lá. -Senhorita Pugliese que tal conversarmos coisas sérias agora que sabemos que a senhorita Smith está em uma situação melhor. -Que tipo de coisa seria mais séria do que a saúde dela? - Eu cruzei os braços enfrentando a delegada, que apenas riu da minha atitude. Aquilo me incomodou. -Entendendo que esteja preocupada com a sua namorada e isso talvez não esteja lhe fazendo entender a situação que você se encontra agora senhorita Pugliese. - Ela tentava soar compreensível, mas continuava analisando cada movimento meu. -E em que situação eu estou? Milhares de pessoas sofrem tentativa de sequestro todos os dias e a senhora deve saber isso melhor que eu. -Realmente, senhorita, mas nenhum deles contatou a polícia para informar um desvio em sua própria empresa. Eu ouvi aquilo e levei um tempo para processar que ela sabia sobre a minha denúncia e se ela sabia, quem mais poderia saber? Talvez o meu atentado tenha sido mais do um sequestro relâmpago. -Pelo visto já entendeu a situação. -A delegada parecia satisfeita que eu tivesse chegado aquela conclusão. - É realmente admirável que tenha procurado a polícia em uma situação dessas, garanto que nem todas as pessoas são honestas a esse ponto. -Ou ingênuas…- Deixei escapar. -Não pense dessa maneira. Seu amigo foi muito discreto em nós contatar e esse atentado faz com que nossa conversa não chame a atenção para o verdadeiro caso. Só que não podemos conversar aqui. Se puder me acompanhar a delegacia eu agradeceria. -Mas e a Nath? -Perguntei meio zonza. Eu estava medida em uma encrenca, pois se tudo aquilo fosse como eu pensei os investidores que meu pai tinha eram na verdade criminosos e isso levantava a questão. Que tipo de negócios eles queriam esconder com uma rede de motéis. -Eu vou pedir que dois policiais façam a segurança dela e qualquer mudança no quadro lhe comunico. O Que acha? A delegada Aguilar era bem prestativa, parecia se preocupar com Nath no fim das contas e eu não tinha muitas opções. Ficar ali sem saber respostas não era opção. -Vou precisar de um advogado? - Questionei assim que entrei em sua sala e ela pediu que eu me sentasse. -Não vulgo ser nescessário, mas fique a vontade para chamar um se quiser. A delegada esperou que eu o fizesse, mas achei melhor não envolver mais ninguém nisso. Meu amigo tinha dito claro ao dizer que minha colaboração mostrava que eu não tinha nada a temer e eu realmente não tinha. -Tudo bem pode começar a falar. -Eu quero que a senhorita esteja aberta a ouvir o que tenho a falar. É muito importante que não compartilhe essas informações com ninguém. - A delegada me encarava e eu assenti. - Quando você foi conversar com o seu amigo imagino que não imaginasse que sua empresa já vinha sendo investigada em uma operação de tráfico de mulheres e crianças. Nas últimas palavras eu não poderia imaginar ter ouvido certo. Aquilo não tinha a menor possibilidade de realidade. -Está de brincadeira né? Acho que está tendo uma confusão aqui. Meu pai é fundador da empresa e nunca se envolveria em uma coisa abominável como essa. - Eu preciso que se acalme, senhora Pugliese. - A delegada tentou se aproximar, mas eu fiz um gesto com a mão para que ela ficasse onde estava. - Eu sei que parece um absurdo para você… -Não. Você não sabe. -Nem deixei que ela continuasse. -Imaginei que você não fosse acreditar em mim e pedi que chamassem seu amigo do outro Departamento. A delegada se levantou e logo voltou acompanhada por Tamas Morelli o amigo de Priscilla. Tudo aquilo estava passando em câmera lenta para mim, minha respiração estava afetada com aquela bomba que tinha sido jogada em meu colo. -Delegada Aguilar. Oi, Pri. -Tamas entrou na sala vestindo o um uniforme da polícia e nos cumprimentou. (No dia anterior) Eu já estava com dor de cabeça por pensar nos problemas da empresa. Queria dividir com alguém, mas Rodrigo agora não era uma opção. Eu não queria desconfiar do meu amigo, mas imaginar que meu pai estava fraudando a própria empresa me soava surreal. Fiquei pensando e pensando até que lembrei de alguém que poderia me ajudar e não demorou para que ele me atendesse e marcasse comigo em um café há umas quatro quadras da empresa. -Eu fiquei surpreso com a sua ligação Pri. -Meu amigo me cumprimentou com um beijo no rosto e reparei que ele já não usava os seus cachinhos de anjo, que atraiam as mulheres. -Anjinho eu senti falta de você. - E era verdade. Eu sentia falta de Tamas, eramos um trio inseparáveis na infância. Eu, ele e Rodrigo, mesmo que os dois mais brigassem. - Coisas da vida adulta. -Ele deu de ombros e eu assenti. -Mas o que devo a honra da sua ligação? Não me diga que vai casar? -Ainda não, mas acho que encontrei a minha candidata. -Não consegui disfarçar o sorriso e Tamas nem precisava ser policial para saber que eu estava apaixonada. -Essa é realmente uma grande novidade. Fico feliz por você. Conversamos mais algumas banalidades e então ele me perguntou o que eu estava tão nervosa. Lhe contei sobre as minhas desconfianças das movimentações da empresa e Tamas anotava tudo em seu celular. -Eu vou resolver isso, mas tem que me dar permissão para investigar a sua coisas. -Não queria a polícia envolvida nisso. -Falei com receio do escândalo que aquilo poderia gerar. -Isso chega a ser irônico. -Tamas comenta já que era um policial. -O seu pai ou o Rodrigo sabem que está me pedindo ajuda? -Não. Ninguém sabe. Eu não quero envolvê-lod nisso. -E se eles já tiveram envolvidos? -Tamas me analisou esperando minha resposta. -Eu não acho que eles estejam. É bem possível que alguém do financeiro tenha armado um esquema sem que nos soubéssemos. -De qualquer forma melhor que isso continue só entre nós. -Tamas guardou seu celular e nos despedimos. (Atualmente) Tamas se sentou na cadeira ao lado e a Delegada Aguilar achou melhor nos deixar a sós em sua sala. Eu não queria olhá-lo me sentia traída e com raiva por todas aquelas acusação infundadas. -Eu confie em você Tamas. -Falei baixo e sabia que ele me observava. -Eu não trai sua confiança. Fiz tudo isso para lhe proteger,pois sabia que não estava envolvida em algo tão sujo. Ele se justificou e eu levantei indo para perto da janela, precisava de um pouco de ar. -Porque estão inventando isso? -Me virei para lhe encarar e seu olhar tinha ...pena. -Não estávamos "inventando" nada. Essa investigação já está em andamento há algum tempo, temos profissionais arriscando suas vidas para pegar essa organização. Eu sei que você venera o seu pai, mas as provas são reais e eu posso pedir a delegada que lhe mostre se isso lhe dizer acreditar. Tamas e a delegada me mostraram algumas fotos e muitos documentos que ligavam Rodrigo e meu pai a uma organização de tráfico de mulheres e crianças. Tudo era tão repugnante e eu só queria acordar daquele pesadelo.
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