As horas escorriam como veneno lento. A casa permanecia em silêncio, exceto pelas rondas dos seguranças e o ocasional estalo das estruturas de madeira cedendo ao frio da noite. Isadora havia tentado ler. Caminhar. Dormir. Mas a mente não descansava. Desde que ouvira o som da porta do escritório se fechando, no início da tarde, ela sabia: ele não sairia dali tão cedo. Dante estava digerindo a própria raiva. E arquitetando sua próxima jogada. Era o segundo prato de sopa que esfriava sobre a bandeja. Isadora segurava a porcelana fina com as mãos firmes, mas o coração vacilava. Ele a havia afastado de tudo, mas nunca disse que ela não podia entrar. Subiu as escadas e seguiu pelo corredor longo, onde a luz era mais amarelada e o silêncio mais denso. Parou diante da porta do escritório. Bat

