Isadora acordou cedo. A luz da manhã filtrava pelas cortinas pesadas, tocando seu rosto com uma delicadeza que parecia impossível diante da brutalidade do mundo em que vivia. Ela se espreguiçou devagar, ainda sentindo o peso das palavras que ouviu na noite anterior. Dante. Ela não o viu quando desceu. O café da manhã estava intacto sobre a mesa da cozinha. O jornal dobrado, a cadeira dele empurrada para dentro — um silêncio que gritava ausência. Ela caminhou pela casa, sentindo a inquietação se arrastar sob a pele. Algo estava errado. Ou prestes a estar. Quando finalmente encontrou Dante, ele estava no escritório. Sozinho. De pé diante da lareira apagada, os olhos fixos nas chamas imaginárias que pareciam arder apenas dentro dele. Ele vestia uma camisa escura, dobrada até os cotovel

