A mansão estava mais silenciosa que o normal. Até os criados pareciam andar em silêncio, como se temessem despertar algo adormecido — ou enfurecer alguém prestes a explodir. Dante Rivas tinha voltado para casa dois dias após o atentado, contrariando ordens médicas, recomendações e qualquer resquício de bom senso. Estava ferido, sim. Mas não havia poder no mundo que o mantivesse longe de sua casa, de seu território. E, principalmente, longe do controle. Isadora o observava do corredor. A camisa branca dele estava desabotoada até o peito, revelando os curativos sob a pele marcada. Ele caminhava lentamente até o escritório, com o maxilar travado e os olhos escurecidos pela dor e pela sede de revanche. Ela se aproximou, a voz baixa. — Você devia estar deitado. — E você devia estar calada

