O sol grego filtrava-se pelas frestas da janela, trazendo com ele o cheiro salgado do mar distante e um vento morno que carregava poeira e maresia. Dentro do quarto, o silêncio tinha peso — não era o silêncio comum de duas pessoas que dormem, mas aquele carregado de lembranças recentes, de um corpo ainda marcado por mãos e bocas, de palavras não ditas que queimavam mais do que qualquer ferimento. Dante estava acordado antes mesmo que a luz tocasse o chão de pedra. Estava sentado à beira da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, o tronco nu iluminado pelo dourado tímido do amanhecer. O curativo improvisado no ombro revelava o corte superficial que ele mesmo havia tratado na noite anterior, depois de garantir que Isadora estivesse bem. Isadora o observava em silêncio, recostada nos trave

