Aisha se preparava para sair. Naquela casa, ao lado de Pedro, ela não ficaria mais. A decisão não havia nascido naquele instante, mas agora ganhava forma concreta em cada peça dobrada, em cada objeto colocado dentro da mala. Era como se, ao organizar as coisas, também estivesse organizando o próprio coração. Pegou o caderno de Cassandra com cuidado, como quem segura algo sagrado. As páginas já estavam gastas, marcadas pelo tempo e pelas palavras que sua irmã deixou para trás. Aquele caderno não era apenas papel; eram as memórias de Cassandra. De repente, a porta do quarto se abriu. Pedro entrou sem bater. — Aisha, eu sei que você está nervosa por tudo o que aconteceu, mas como pensa em viver sozinha? Ela não se virou de imediato. Continuou ajeitando a mala, respirando fundo antes de re

