Estávamos atrás do bar do lounge privativo, à espera de instruções. Eu não devia estar ali. Meu lugar era lá embaixo, dançando com as outras.
Olhei ao redor, tentando absorver aquele ambiente. Trabalhava no clube há seis meses, mas nunca havia subido ao andar superior – exceto naquela vez, com Christian. Era estritamente proibido e bem vigiado por um motivo. O segundo andar era onde as reuniões de negócios aconteciam. A caminho da sala, cruzei com diversos rostos desconhecidos, incluindo homens fortemente armados.
Havia várias salas privativas, cada uma com sua equipe. Parecia um estabelecimento completamente diferente.
"Calma, você está tremendo", Faith riu, passando os dedos pelos meus cachos.
Só então percebi que minhas pernas estavam, de fato, trêmulas. Respirei fundo, tentando me controlar. Não sabia ao certo se o nervosismo vinha da iminente proximidade com Christian – o homem que eu mais tentava evitar – ou do fato de estar prestes a servir uma sala cheia de homens poderosos e perigosos.
"É só servir drinks e petiscos. Só isso. Não precisa dançar nem fazer mais nada, é simples", Luna tentou me acalmar, mas suas palavras só aumentaram minha ansiedade.
"Tudo o que você ouvir nesta sala, fica nesta sala. Se alguém disser ou fizer algo inapropriado, você deixa a segurança resolver", Luna instruiu.
Tudo o que ouvir fica aqui. Aquelas palavras não me eram estranhas; Christian já me havia mostrado como as coisas funcionavam.
Aqueles homens não eram empresários comuns. No fundo, eu sabia: se cometesse um erro, se derrubasse uma bebida, se fizesse qualquer coisa minimamente estúpida – o que, convenhamos, era bem típico meu –, seria como pedir para ser varrida do mapa.
"É dinheiro fácil, e a gente nem precisa se esforçar muito. Respira e relaxa, Esquilinha", Luna disse.
Certo. Trabalho fácil. O que poderia dar errado? Eu só precisava não derrubar nada.
"Vamos lá, meninas, é hora." A voz veio de um homem alto e forte, de terno impecável. Meus olhos, no entanto, foram diretos para o volume sob o paletó – uma arma. Congelei por um segundo.
Claro. Ele estava armado. Eu sabia no que tinha me metido.
"Ei, Esquilinha. Você não costuma ficar lá embaixo?" Ele perguntou, dando um passo à minha frente. Nunca o tinha visto, mas ele sabia quem eu era. É claro que sabia; era trabalho deles vigiar todas nós. Ou talvez soubesse porque sempre estava ao lado de Christian… Mas por que Christian falaria de mim?
"S-sim", sussurrei, quase inaudível.
Ele me presenteou com um sorriso aparentemente acolhedor e pousou a mão em meu ombro descoberto. "Sou o Marc. Não precisa ter medo, estou aqui para te proteger." Ele disse, seguindo meu olhar até sua arma. Talvez achasse que isso me acalmaria; teve o efeito oposto. "Seu nome é Serena, certo?"
Pelo canto do olho, vi vários homens de terno – incluindo Enzo e Gio Lamberti – entrarem na sala e se dirigirem à grande mesa central. Por sorte, estávamos atrás do bar, separadas por uma parede de vidro fosco; eles não podiam nos ver.
"Sim…", respondi, fitando-o com um olhar que suplicava para ser levada dali.
"O Lucio deixou instruções específicas para ninguém tocar ou mesmo respirar perto de você… Mas foi justo ele quem te colocou aqui. Não entendo, ainda mais numa reunião tão importante", Marc comentou, confuso. Naquele momento, minha confusão era igual à dele. Por que Lucio daria essas ordens?
Antes que eu pudesse perguntar, Luna interveio. "O Lucio teve que sair de última hora. O Enzo assumiu."
"Ah, isso explica", Marc riu, dando uma última olhada em mim, da cabeça aos pés. "Certo então, hora de trabalhar, meninas!"
Outra voz masculina ecoou, nos entregando bandejas. Para meu azar, colocaram uma com taças de champanhe na minha mão. Sem instruções, sem direção – era como se esperassem que eu simplesmente soubesse o que fazer.
"Me segue e faz o que eu fizer", Faith sussurrou em meu ouvido, puxando levemente a barra do meu short para me fazer andar. Formamos uma fila. Tentei copiar a postura impecável das outras, enquanto me concentrava em equilibrar a bandeja trêmula.
Não sabia onde olhar, até que meus olhos, vagueando desajeitados, encontraram Christian entrando por último. Ao seu lado estava seu braço direito – e primo –, Johnny.
Diferente de Christian, Johnny era conhecido por sua calorosidade, sempre cumprimentando a todos com um sorriso. Ver ele e Marc ali até que amenizou um pouco meus nervos.
Christian tinha uma presença que dominava o ambiente. Quando se sentou à cabeceira da mesa, um silêncio pesado pairou na sala. Mesmo que eu não soubesse quem ele era, seu status seria óbvio. E eu mentiria se dissesse que ele não era atraente – o homem parecia a personificação de um deus.
Seus olhos amendoados, da cor de âmbar claro, contrastavam com a pele oliva impecável. O cabelo castanho-escuro emoldurava o rosto, combinando com as sobrancelhas marcantes e bem definidas. Mesmo sob o terno caro, era impossível não notar a forma atlética do corpo.
"Para de encarar o chefe, você tá maluca?" Faith sussurrou furiosa em meu ouvido, fazendo-me baixar os olhos instantaneamente. O que eu estava pensando? Será que ele me viu?
"Não deveriam ser seus irmãos mais velhos a conduzir esta reunião? Tenho certeza de que o Lucio não é louco o suficiente para deixar um garoto de vinte e três anos no comando de algo tão sério." Um dos homens à mesa riu, cutucando o colega ao lado num tom de brincadeira que soou falsa. Todos engoliram seco, voltando-se para Christian em uníssono, aguardando sua reação.
Christian detestava ser desafiado ou subestimado. Era algo que havia aprendido na pele, naquele dia em seu escritório. Ele precisava ter o controle, sempre.
Era exatamente isso que as garotas repetiam com um misto de fascínio e medo quando falavam dele. Todos esperavam uma explosão, mas, para surpresa geral, Christian apenas soltou uma risada baixa e ergueu levemente o queixo.
"Sou o herdeiro. Portanto, sou eu quem conduz esta reunião, não meus irmãos." Foi tudo o que disse antes de retomar a discussão. Os termos técnicos que usavam soavam como uma língua estrangeira para mim, então me permiti ignorá-los, focando apenas em quantos segundos mais teria que segurar aquela bandeja como uma estátua viva.
Meu maior esforço era não prestar atenção em Christian, mas era uma tarefa impossível quando era sua voz que comandava o ambiente.
Senti minhas pernas ameaçarem ceder. Concentrei-me ao máximo em equilibrar a bandeja enquanto desviava minha mente. Nos últimos minutos, fiz de tudo – contei os ladrilhos do chão, os segundos no relógio de parede, os fios do carpete.
"Vai acabar logo", Faith sussurrou, tentando acalmar meus nervos. Se alguém sabia o quanto eu era péssima em ficar parada, era ela. Aquele cenário definitivamente não era para mim.
"Sirvam algo para os homens beberem." A voz súbita e seca de Gio ecoou na sala, enquanto ele gesticulava em nossa direção.
Do meu lado, Luna me deu um leve toque com o cotovelo, quase me desequilibrando. "Essa é a nossa deixa. Você está com as bebidas."