Gustavo Nossa conversa fluía com uma naturalidade desconcertante, como se fôssemos velhos amigos compartilhando segredos de uma vida inteira sob o luar de Angra. Se alguém nos olhasse de fora, pensaria ser uma conexão improvável, quase impossível. De um lado, Larissa: uma menina que exalava inocência, tímida, com o romantismo clássico de quem cresceu no interior, protegida por valores que o mundo moderno já esqueceu. Do outro, eu: um cara vivido, endurecido pela metrópole, quebrado para o amor e acostumado a ver as relações como contratos de prazer e conveniência. No papel, não fazíamos sentido. Na prática, eu não conseguia tirar os olhos dela. — E você se formou em quê, Gustavo? — ela perguntou, a voz doce cortando o som das ondas. — Em administração — respondi, observando o perfil d

