Capítulo 5

1384 Words
YURI DIAS ANTES… — Como a minha filha sumiu se ela estava em casa? — olho furioso para o chefe dos seguranças. — Pakhan ela não estava em casa, ainda não sabemos como, mas a menina Yulia, saiu da mansão no meio da noite, quem nos informou sobre o sumiço dela foi a amiga que a acompanhou até uma boate. Minha cabeça parecia que podia explodir a qualquer momento, minha filha desaparecida, correndo perigo, eu tinha milhões de inimigos, qualquer um poderia querer pegá-la, mas apenas um deles se atreveria. Amaldiçoo o dia em que mostrei a ela as saídas secretas desta mansão, era óbvio que Yulia havia usado uma delas e assim se arriscado. Eu podia sentir cada gota do meu sangue ferver, Yulia era a única pessoa com quem eu realmente me importava, era o meu legado, e eu já tinha traçado os planos para a vida dela. *** Cinco malditos dias haviam se passado, e eu já tinha vasculhado por todos os lugares, as câmeras da boate não tinham gravado nada, a amiga de Yulia, sabia muito menos até que nós, eu sei que aquele verme está com ela e sei também que a qualquer momento ele entrará em contato, o que me preocupa é saber que ele não pedirá dinheiro em troca dela, é justamente ela quem ele quer. A porta do escritório é aberta e vejo Elizaveta entrar com dois soldados em seu encalço. — Eu quero a minha filha Yuri — ela grita. — Você me jurou, prometeu que jamais deixaria que nenhum m*l recaísse sobre a nossa filha no dia em que ela nasceu! Essa era a primeira vez desde o dia em que ela me foi dada como esposa, Elizaveta nunca nem sequer ousou encarar o meu olhar por mais de dois segundos, e aqui está ela exigindo a filha de volta. — Saia daqui Elizaveta — digo dando-lhe as costas, minha esposa se joga sobre mim, esbofeteando-me. — Seu maldito, eu quero a minha filha! — Grita a plenos pulmões. — Ela é a única coisa boa que eu já tive nesta maldita vida! Eu sempre fiz tudo o que pediu, fui a esposa perfeita porque você me prometeu que jamais deixaria que nada acontecesse a nossa menina, nada! O som do tapa ecoou no escritório, observei a mulher no chão, com a mão sobre o rosto, onde meus dedos haviam se chocado com força. Aproximei-me devagar, encarando-a. — Volte para o seu quarto e só saia de lá quando eu mandar, nunca mais ouse fazer o que fez, ou resumirei seu corpo a pedaços e jogarei aos porcos. — Minha voz saiu baixa e fria, de modo que eu nunca havia precisado usar com ela antes. — Não me importa o que vai acontecer comigo… nada mais importa se minha filha não está aqui. Você, tanto quanto eu, sabemos que se um dos seus inimigos colocou as mãos em Yulia… — suas lágrimas caíam sem cessar e eu senti frio percorrer minha espinha. — Me faça apenas um favor Yuri, a única gentileza que pode me dar nesta vida, mate-me assim que souber o que houve com ela e me enterre junto com minha filha. Após o meu sinal, os soldados a tiraram do lugar fechando a porta assim que saíram. Andei até a minha mesa, analisando novamente aquela ficha que continha os dados daquele verme, só podia ser ele. Meu celular notificou um arquivo recebido, e quando o abri, pude sentir todo o sangue do meu corpo ser congelado, lá estava minha filha, amarrada, a mercê daquele maldito, mas aquele lugar não era estranho, os detalhes pareciam com o porão dessa casa, mas era óbvio que ela não estava aqui, e então a voz dele ecoou, ninguém menos que ele Baba Yaga, o verdadeiro bicho-papão da Bratva, o melhor e pior de todos os soldados que tivemos. Alexei era a promessa de um novo tempo, a máquina de matar da Bratva, um homem sem sentimentos, sem piedade, sem compaixão, treinado desde muito novo pelos soldados mais cruéis da Bratva, inclusive eu, e quando assumi o lugar do meu pai, eu o quis ao meu lado, como o meu segundo no comando. Com o passar dos anos ele se tornou o mais temido entre todos, a menção do seu apelido fazia qualquer um mijar-se de medo, e eu me orgulhava do monstro que havia criado. Mas ele quis nos deixar, ele quis viver o amor, esse sentimento t**o capaz de acabar com a vida de um homem, ele preferiu uma b.oceta a estar entre aqueles que o fizeram ser quem era. Ele fugiu de mim, fugiu da Bratva, mas ninguém consegue sumir estando vivo, eu matei toda a sua família, o encontrei, o prendi, tirei a vida daquela v***a que ele dizia amar, bem diante dos olhos dele, e passei dez anos o torturando, fazendo-o sofrer, e se arrepender do dia em que me traiu, para que ele pudesse voltar a ser um dos nossos. Eu só me esqueci que Alexei sempre levou as regras a sério, inclusive a que diz que não há perdão, ele não esqueceria facilmente o que passou naquele porão, ele queria vingança e a vingança dele era a Yulia. — Pakhan — a voz de Boris ecoa. — Ele está com ela, o maldito Baba Yaga está com a minha filha, o homem que tornei um monstro está com a minha princesa — grito irritado e jogo o abajur ao meu lado contra a parede. O terror que vi nos olhos de Boris, era o mesmo que me consumia por dentro, assim como eu, ele sabia o quão perverso e c***l Alexei Volkov poderia ser, ele podia se parecer com um homem, mas era a pior b***a que tinha tido o prazer de conhecer, um animal quase irracional quando está com raiva, ele me odiava o suficiente para matar a minha única filha da forma mais c***l que pudesse existir. — Temos que encontrá-la, antes que… — ele engole a saliva e me olha assustado. — Alexei é o pior entre todos nós, Yulia não tem a menor chance, se ela ainda está viva é porque ele quer… — Destruir a minha menina de milhares de maneiras diferentes — completo a sua frase. Eu nunca temi nada e nem ninguém, toda a minha vida foi rodeada dessa merda e eu sempre enfrentei tudo, sempre tive os melhores homens ao meu lado, mas agora o meu inimigo era alguém de dentro, alguém que conhecia minhas fraquezas, e as regras do jogo, e isso não só me deixava com medo, mas apavorado. Alexei sabia que para me atingir não era a mim que ele deveria atacar. Nada que tenho na vida me importa, esposa, status, poder, quando se está em uma posição como a minha, sabe-se que tudo em algum momento pode ruir, minha vida é o de menos em toda essa equação. Tentei não me importar com o nascimento daquela pequena criatura, ainda mais quando vi que era uma menina, meninas nunca são bem-vindas em nosso meio, a preferência é sempre um filho homem, alguém para herdar o que conquistamos. Mas assim que olhei para dentro daqueles lindos olhos azuis, algo dentro de mim despertou. Tratei de esconder Yulia de todo resto da p***a do mundo, queria livrá-la de toda a merda que nos rodeava, mas sabia que jamais conseguiria, e quando ela quis ficar em casa, a treinei para que ao menos pudesse tentar se defender… mas não contra ele, Yulia não teria arma nenhuma contra Alexei, não importa quantos anos eu a treinei, ele era bom em tudo, física e mentalmente. Outro em seu lugar, depois de dez longos anos sofrendo, já teria virado apenas uma sombra, ou morrido, mas ele não… Recordo-me das palavras dele: — Você vai se arrepender de me deixar vivo. Reze para que eu não saia, porque eu farei com que você se arrependa do que fez hoje! Eu sei que não mereço nenhum tipo de intervenção divina, Deus sabe que nunca fui um santo, pelo contrário, fui o demônio que levou a vida de muitos, a última coisa que vários como eu, viu antes de morrer de maneira dolorosa. Mas Yulia não merece passar por nada de r**m, ela merece ser salva…
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