ALEXEI
Assim que me estabeleci, comecei a arquitetar uma maneira de executar minha vingança, desde sempre, na Bratva, soubemos que Yuri tinha tido uma filha, mas ele a manteve afastada de nossos olhos por longos anos. Muito esperto, é óbvio que ele a amava e a queria longe de perigo.
Sempre que via sua esposa, ela estava triste, e muitas vezes a vi implorar para trazer sua menina de volta para casa, a única resposta que ela obtinha dele é que era melhor dessa maneira, mas agora, mesmo que o próprio demônio fosse seu guarda-costas, ela não escaparia de mim.
Yuri pagaria pelo que fez a minha Irina, e utilizaria do meio mais sórdido para conseguir, sua preciosa princesinha, aquela que ele protegeu de tudo e todos durante tanto tempo.
Dois meses depois da minha fuga, quando eu já estava começando a recuperar meu porte físico, entrei em contato com Nikolai Vasiliev o pakhan da Tambovskaia, pai de Irina, o único que poderia me ajudar ou me matar assim que me visse por ter causado a morte de sua filha.
— É muita audácia sua vir até mim, Alexei. — O homem estava fraco, literalmente definhando em uma cama. — Deveria estourar os seus miolos. — Resmunga em meio a uma crise de tosse. — Graças a você perdi uma de minhas joias mais preciosas.
— É o que eu mereço, eu sei, mas vim te oferecer algo — me olhou atentamente — vingança! Quero a cabeça de Yuri pelo que fez a Irina, e sei que deseja isso também. Mas antes quero fazê-lo sofrer das piores maneiras que puder, olho por olho, uma filha, por uma filha.— Vi os olhos do homem brilhar, havia ali um fio de esperança, de vingar a morte não só de Irina, mas dos seus outros filhos também.
Nikolai teve outros herdeiros, mas foram mortos em alguns conflitos pouco depois de Irina, o homem não teve sorte com sua prole, mas ambos não foram muito inteligentes quando resolveram tentar um golpe contra Yuri, ele mesmo fez questão de me dizer que os matou e que Nikolai não tinha mais ninguém.
Ele ponderou por alguns instantes.
— E o que quer de mim? Estou perto de ir para o inferno, não há muito o que eu possa fazer por você. — Notei a desconfiança em sua voz, não estava errado, era eu quem estava ao lado de Yuri há anos atrás, eu quem seguia suas ordens sem nem sequer pestanejar.
— Eu preciso de poder Nikolai, sem isso não terei nada, você não tem herdeiros, me faça seu sucessor e eu juro, farei com que Yuri Lebedev se arrependa do dia que colocou os olhos em Irina. Não terei nenhuma piedade.
— Pensarei na sua proposta, mas não lhe darei a resposta agora, quando eu souber o que fazer peço que venha, te elegerei meu sucessor ou matarei você. — Tossiu. — Você matou muitos dos meus, baba yaga, meus homens não se esqueceram disso e nem eu. Aguarde minha resposta.
Esperei por duas semanas o retorno de Nikolai, ele mandou que me chamasse quando sentiu que estava morrendo, pouco depois de passar tudo para as minhas mãos diante de seus homens mais fiéis, ele partiu em sua viagem às profundezas do inferno, de onde nenhum de nós escaparemos.
É claro que terei que ter cuidado, não sei se todos aceitam minha posição, mas por hora terei que confiar que sim.
— Senhor, temos alguém de dentro que diz ter certeza de que a menina Lebedev escapa algumas vezes daqueles muros, não sabe como, já que os únicos que têm acesso à casa são os mais próximos.
— Mantenha a vigilância constante, eu quero saber se ela sair novamente. — Não poderia perder uma das poucas chances que teria. A garota chegou a idade de assumir sua responsabilidade dentro da família, e sei que Yuri não perderia tempo, em breve arranjaria algum aliado vantajoso para os negócios e a princesinha seria enviada a um casamento.
Sei que ele adiou esse momento até onde pôde, jamais entregaria sua filha na mão de qualquer um, deve estar escolhendo a dedo os candidatos, tenho que pegá-la antes que ele encontre o ideal.
Assumindo a Tambovskaia eu não poderia pensar apenas na minha vingança, precisei cuidar de tudo o que era referente a eles, por mais que quisesse concentrar todos os meus esforços em Yuri, agora era o pakhan e era obrigado a me portar como tal.
Aguardei pacientemente até que a princesinha desse outra de suas escapadas, e assim que ela o fez, meus homens a seguiram até a boate.
— Certeza que a garota está aqui? — Perguntei ao homem que ficou responsável por espiar discretamente a mansão de Yuri.
— Sim, tenho certeza, as únicas mulheres dentro daquela casa são a filha, que ele pretendia usar como moeda em uma nova aliança, e sua esposa, as funcionárias não têm tamanha beleza.
Entro no lugar abarrotado de gente, não estou acostumado com lugares como aquele. Não demora para que eu a veja, ela está na pista, dançando. Seu corpo extremamente sexy serpenteia no ritmo da música. A observei por algum tempo antes de me aproximar.
A garota é brava, tentou lutar, não poderia ser diferente. O cheiro de seu perfume me acertou em cheio, um aroma adocicado e floral, muito sensual… eu devo estar precisando t*****r, já faz mais de dez anos.
Sem tempo para brigar com a garota, a apaguei e carreguei para fora daquela boate.
A primeira parte estava finalmente concluída, agora tudo o que eu precisava era fazer Yuri sofrer usando sua linda filha.
Dentro do carro, o perfume da garota exalava e me intoxicava, por maior que seja o meu controle sobre meu corpo, ele reagiu de forma incontrolável aquela mulher, o que me deixou ainda mais furioso, ela era a p***a da filha do meu inimigo!
— Para casa — disse ao motorista. — Rápido.
Minha vontade de acabar com a mente do Lebedev foi tanta, que nos últimos dias fiz questão de reproduzir dentro do meu porão todo o porão dele, o local era idêntico ao que fui aprisionado por dez anos… acho que conseguirei causar nele a mesma nostalgia que sinto ao entrar aqui.
Carreguei a garota no colo até a cela, era como carregar uma pena, a mulher é pequena e leve, a coloco no chão da cela, o seu novo lar, e aguardo pacientemente que ela acorde, sentado do lado de fora, observando-a na penumbra.
A garota tem longos cabelos pretos como breu, a pele alva quase brilha com a luz que instalei na cela, única diferença que coloquei aqui, porque eu quero vê-la, quero olhar em seus olhos, e no escuro isso não seria possível. O vestido que cobria parte de seu corpo deixava bem pouco para a imaginação. Ela é linda, isso tenho que admitir, e meu corpo reage a essa constatação.
Levou muito tempo até que ela finalmente abrisse os olhos, fiquei em silêncio enquanto ela ainda estava desnorteada, se dando conta de onde é que estava. Tentou se levantar, mas suas pernas não a ajudaram.
— Onde é que eu estou… — a voz mole como se estivesse bêbada soa e acho que é o momento de falar com a minha convidada.
— Está em minha casa. — Respondo rudemente fazendo-a pular. — Aqui é seu novo lar coisinha.
— Quem está aí? Quem é você? — Sorrio vendo a garota cair em desespero. — Você não sabe com quem está mexendo… podemos fazer um acordo, se me soltar, esqueço que isso aconteceu, jamais mencionarei ao meu pai o ocorrido. — Sua voz soa cheia de segurança, autoridade, exatamente como a princesa da Bratva deveria agir.
Eu a quebrarei de tantas maneiras… quero ver se ela terá essa mesma audácia depois.
— Olha, eu quase tive medo de você — digo com sarcasmo — um pouco mais rude e eu com certeza te deixo livre. — Gargalho. — Yuri nunca vai te encontrar aqui princesinha, o papai não pode te salvar de mim.
— Quem é você? — Pergunta com os lábios trêmulos.
— O seu pior pesadelo!