Algumas ocasiões são memoráveis. Ainda mais quando você vive entre lobos e não pode ficar vagando, especialmente em uma noite de lua cheia.
Noite de Halloween ... Festas e fantasias. Lanternas de abóbora e jogos de adivinhação.
A data perfeita para os espíritos dos mortos retornarem para visitar suas antigas casas e guiar suas famílias para o outro mundo. Doçura ou travessura? Bryan Richard O'Neil tinha tudo isso em mente. A liberdade é tudo o que um menino, até um lobo, deseja na vida aos quinze anos. E meninas.
- Você ficará de castigo novamente se eles descobrirem ...
Bryan sorriu com entusiasmo. Em uma noite incrível como aquela, nenhuma ameaça parecia fazer sentido. A aldeia de Algavare fervilhava de roupas coloridas e barracas que vendiam de tudo. E tudo significava desde um bilhete de loteria ganhador que durava algumas horas por causa de um feitiço mais forte em questão de chances de se tornar o que você quisesse. A ocasião perfeita.
Uma coisa que ninguém gosta realmente são os híbridos. Isso significa que mesmo entre feiticeiros, lobisomens ou vampiros, os costumes são bastante rígidos. As aberrações com mais de um dos dons são proibidas em Algavare sob pena de extermínio.
Isso não parece muito encorajador quando você olha para a garota do outro lado do quarteirão. E do outro lado moram feiticeiros.
-É uma chance em mil. Apenas um daqueles feitiços valiosos e ...- Bryan parecia exultante.
Era tudo junto. A expectativa de violar velhos costumes. E também a imprudência de um lobisomem que ainda não experimentou o despertar de se aventurar fora dos limites. Você não encontrará um lobisomem vagando pelas ruas nas terras dso feiticeiro. São duas raças extremamente territorialistas.
-Você vai ter problemas pelo resto da sua eternidade com o velho. - a explosão foi sincera.
E não foi exagero.
A família Longbrooker era uma das mais tradicionais e rígidas quanto aos costumes. O cavalheiro respeitável que teve o privilégio de ser o pai afortunado de um lobo bastante temperamental sempre falava. Nada é mais importante do que preservar os costumes.
Um lobisomem sempre foi um lobisomem. Nenhuma das histórias fantásticas das quais os mortais gostavam tanto de contar. Um lobo realmente era um descendente de sangue puro. Sem formas humanóides, ou garras e presas afiadas. Isso era um insulto. O dom não era transmitido por meio de mordidas como eles contavam. Podiam escolher até que ponto desejavam mudar, incluindo quais partes de seus corpos desejavam mudar. Maldições como mordidas e híbridos eram ultrajes. Até porque o veneno que corria por suas veias mataria um humano muito rapidamente.
"O velho pensa que estamos na festa das bruxas no centro da aldeia." Bryan sorriu exultantemente. Qual é, o coroa nem é meu pai.
Tudo o que podia imaginar era uma boa garrafa de um licor forte e curtir a noite. Talvez tenha sido no último ano antes da transformação acontecer. A aproximação dos dezesseis anos significava idade adulta e responsabilidades ... ele não queria.
Após a morte do pai, a família feliz teve grandes dificuldades em retomar sua rotina de volta para casa. Quatro irmãos. A velha Sra. Longbrooker estava determinada a fazer de seu filho do meio o lobisomem mais respeitável da região depois dos boatos que se espalharam. A pequena Alicia era muito jovem para entender as dificuldades financeiras por perder o pai. Bryan, para desgosto de sua mãe, trabalhava em uma pequena loja e com mortais. As repercussões da história entre o povo da magia criaram uma grande comoção.
-É seu tio. E ele vai arrancar nossa pele quando descobrir que estamos à beira de feiticeiros. Não sei o que você vê nessas pessoas estranhas.
Bryan não tinha muito interesse em explicar seus motivos. Raios!. Ele tinha que voltar e ver se ela ainda estava lá. Não fazia parte de seu plano explicar ao irmão mais velho que ele sempre se metia em problemas por causa do motivo de estarem ali. Uma jovem feiticeira rebelde que fugiu de sua própria família certamente merecia os problemas que encontrou. Mas Bryan sentia que havia muito mais lá do que uma filha rebelde que desafiava as ordens em casa.
E a voz do povo sempre diz que onde há fumaça também há fogo. Já fazia tanto tempo que os dragões antigos haviam sido banidos que muitos acreditavam que eram apenas lendas antigas. Não parecia a ele uma coincidência que tantos povos diferentes em continentes diferentes tivessem sonhado com a ideia de um réptil gigante. Então imagine alguém que pudesse falar e voar. Ser responsável por suas ações e não apenas um animal perigoso e temido. Isso significava criaturas esguias que se moviam como cobras pelo ar, flutuando, com asas. De forma alguma ele acreditava que eles causassem todos os tipos de desastres e exigissem sacrifícios humanos. Talvez até assumir a forma humana ...
-Isso é uma loucura, cara. Dá um tempo. Pode ter sido apenas uma impressão. Não pode ser tão incomum hoje em dia ter pessoas com olhos dourados.
-Eles eram todos dourados. - Bryan respondeu impaciente.
Ele quase podia farejar. Era sangue de dragão. Era para ser impossível, mas aquela garota tinha sangue de dragão em suas veias. Ela não era de forma alguma uma simples feiticeira.
-Os dragões foram caçados e extintos, cara. - David reclamou baixinho.
Eles vagaram pelo beco deserto entre as mansões mais antigas de Algavare.
A temperatura ainda era muito baixa, a neve dificultava a caminhada, cobrindo o caminho de terra. Junho foi um dos meses em que o frio mais castigou toda a região. O frio típico das montanhas nas regiões montanhosas. E nesses lugares, o clima muda repentinamente. Mais longe era possível admirar o pinhal. É um local de inverno extenso e rigoroso com muita neve e geada.
-Fique quieto. - Bryan protestou, puxando o irmão assim que ouviu um barulho.
E finalmente veio o som, tão alto e sinistro que deu a impressão de que o rugido podia ser ouvido ou sentido. O som típico de um predador e não era pequeno.
- Ei, meus ouvidos! David reclamou ainda mais, indiferente às mãos do irmão puxando-o pela escada de um prédio abandonado. - Você está realmente tentando nos matar ou está apenas tentando me matar?
Bryan não ouviu nada. Nem mesmo o vento mais frio que bagunçou seus cabelos foi capaz de fazê-lo se virar. Primeiro veio o impacto quando a terra ao redor deles estremeceu. Ele estava certo. Nem mesmo um vampiro ou mesmo um feiticeiro teria imaginado aproveitar toda a confusão de celebrações por tal ousadia. Mas ele era um lobisomem.
Esse cheiro ... Definitivamente não é um cheiro comum. Um odor agridoce com um toque de anis ... Definitivamente muito suave e doce.
Parados em antecipação, os olhos negros sondaram atentamente a noite fria. O chão não tremeu mais. Não havia mais o vento gelado em sua pele. Era quase como se a natureza estivesse em silêncio ali. Um único momento de irrealidade absoluta e lá estava ela novamente. A garota de cabelos claros com seus grandes olhos dourados olhando para o céu noturno.
Uma grande recompensa o esperava. O prêmio por capturar uma criatura tão perigosa seria como ganhar sorte. Não há mais contas ou problemas.
Totalmente esquecido de seu irmão, a mão alcançou a adaga dentro de seu casaco grosso, puxando a arma. Capturar dragões? É difícil caçar essas criaturas? Poderia até ser se alguém não fosse inteligente o suficiente para pegar tal animal em um momento mais vulnerável.
Criaturas raras e sobrenaturais. Criaturas que não eram vistas por mais de setecentos anos. Bryan nunca acreditou que eles estivessem extintos. Claro, os dragões podiam se transformar e assumir formas humanas. E seu sangue ... Era o elixir mais raro e poderoso para a cura de qualquer doença.
Muito feliz com a expectativa do prêmio, ele avançou com a adaga.
"Não faça isso ..." David gritou nervosamente.
O tom de medo em sua voz ecoou no silêncio repentino. No entanto, anos de instinto sempre trazem a adrenalina da antecipação para o combate. Os dragões eram apenas animais como os outros. E a caça ... A adaga avançou com determinação, rasgando e ferindo. Um único golpe e sua presa seria atingida. Não era realmente místico ou humano.
E ele não ouviu o que esperava. Não houve rugido de um animal perigoso, nem o chão tremeu. Um par de olhos dourados o fulminou com uma fúria animal absoluta. Veio o som que Bryan nunca teria imaginado. O som claro e agudo do grito de uma mulher.
- Eu... - ele estava perplexo e sem palavras.
Maldição! Era mesmo uma garota no final de contas? Não esperava por essa. Claro que a tinha visto antes.
A garota da praça da barraca de doces.. A primeira vista era tão parecida com ele como qualquer outra pessoa do mundo deles.
Bryan andava com uma turminha de garotos encrenqueiros antes da morte do pai. Gente que gostava de criar confusão por tudo. Aquela garota havia criado bastante confusão quando os rapazes haviam tentado roubar algumas garrafas de licor numa festa do dia das bruxas no passado.
Ah, com toda certeza decididamente uma feiticeira. Ainda conseguia se lembrar bem. A bagunça toda tinha custado uma noite na ala de emergência para feitiços. Não era nada engraçado quando se era um lobisomem ficar vomitando bolas de pelo como se fosse um maldito gato.
Seus olhos escuros caíram sobra a mão que segurava a adaga aliviado que David tivesse corrido com medo do lugar. O restante do grupo havia sofrido muito mais do que umas simples bolas de pelos. A maioria havia criado tantos pelos pelo corpo todo que pareciam animais.
Só que o sangue que brilhava na adaga era diferente. Um líquido espesso e dourado reluzia contra o metal. E não era sangue de feiticeiro. Que diabos ela era afinal? Uma mestiça? Que os deuses tivessem piedade dele. Não dava para acreditar em tanta falta de sorte.
- Não sabia... - começou mais sem jeito ainda.
A lâmina da adaga tinha perfurado o ombro dela, ainda que superficialmente, deixando o corte exposto sob o tecido.
As coisas não saíam bem do jeito que Bryan tinha esperado.
Todos sabiam que dragões eram perigosos e traiçoeiros. Não passavam de animais que atacavam sem piedade. Naturalmente desconfiava que a garota fosse diferente. Mas de forma alguma imaginava que fosse ela. A feiticeira que o deixara passar a pior noite de sua vida..Na aparência dela nada havia de um animal terrível.
- Não, espere...- Bryan largou a adaga e espalmou as mãos no ar tentando se aproximar.
Uma facada era bem diferente do que um feitiço incómodo. Os olhos da garota brilharam assustados e incandescentes tentando com dificuldade se afastar com receio.
-Não! - Heloíse murmurou. - Fique longe...
O ar entrava com dificuldade. O medo além da fraqueza não ajudavam. Não conseguia se recordar da última ocasião em que tinha conseguido se alimentar. Assumir a forma animal era sempre perigoso para seu povo que vivia escondido entre feiticeiros.A proteção garantida por uma elite de poder os mantinha em segurança depois que tinham sido caçados e considerados culpados por crimes horríveis contra a humanidade no passado e contra as outras raças místicas.
-Não vai conseguir chegar muito longe assim desse jeito. - Bryan se amaldiçoou.
O semblante da garota era pálido como mármore. Notou contrariado o tremor que percorria o corpo delgado, reconhecendo os sinais típicos de criaturas com o m*l da Sede. Ah, caramba. ia no mínimo conseguir ser preso por violar a lei. Qualquer lobisomem ou feiticeiro com o mínimo de bom senso comunicaria as autoridades e sentinelas cuidariam do caso.
Bryan não conseguia avaliar o que podia ser pior na coisa. O fato dela ser uma mestiça já era muito r**m, mas ter descendência de dragões... Encrenca dobrada num único pacote.
-Melhor ficar quieta, garota! - ele resmungou indiferente aos protestos ao erguer nos braços o corpo pequeno e leve.
A fúria da pequena era digna de uma fera tentando se proteger. Precisa garantir que ninguém chegasse por ali com aquele corte deixando à vista o líquido dourado e brilhante.