Três anos e meio depois.
— Olá bebê! Agora vou te contar uma coisa, é melhor você se sentar!
Suspirando brevemente, inconscientemente passei a mão na ponta do nariz. Eu já tinha vinte e cinco anos, era uma mulher adulta e com emprego... Mas ainda não conseguia me acostumar com o jeito que a minha mãe era. Apesar da comunicação uma vez por ano, o doping ainda era exigido todas as vezes.
— O que houve? Escrevi brevemente, resistindo à vontade de jogar o meu telefone no rio pelo qual estava passando.
Até os cinco anos de idade, tínhamos uma família comum, e então o meu pai morreu de câncer de pulmão. Para minha mãe, isso foi um verdadeiro choque, depois do qual ela mudou e tornou-se irreconhecível. Perdeu peso para ficar parecendo uma menina de vinte anos. Colocou aplique no cabelo, endureci o rosto e o corpo, coloquei silicone, fez extensões de cílios e mudou o seu estilo de roupa de “professora rígida” para “vagabu*nda depravada”.
Lembro-me de dormir no meu quarto enquanto ela fazia sexo barulhento no quarto ao lado. Havia muitos homens, muitos. Mas o pior de tudo é que ela não me considerava mais a sua filha que precisava ser protegida. Eu era a sua amiga que precisava saber sobre o comprimento do pênis do próximo cara e quantas vezes durante a noite ela atingiu o seu pico.
Assim que completei dezoito anos, fugi para o dormitório da universidade. Até agora, toda vez que o curta “Mamãe” aparecia no telefone, eu estremecia ao pensar: Deus, tenho que ouvir de novo os detalhes intí*mos da vida dela!
— Licença. A garçonete me trouxe de volta dos meus pensamentos, colocando um copo de álcool na minha frente. Imagine a confusão dela quando bebi todo o conteúdo de uma só vez, sem comer nada.
— É um dia difícil. Sorri suavemente, olhando nervosamente para meu telefone, esperando o pior. — O que foi dessa vez?
Ela esqueceu de usar a camisinha, e teve que fazer um aborto! Lucius me convenceu a fazer um ménage à trois com o seu irmão, e agora estou sendo tratada de uma infecção no trato genital! Na quarta-feira, Roman me levou a um restaurante, onde, enquanto ele me fo*dia com o seu p*u enorme no banheiro, a sua esposa garçonete me deu cunilíngua bem na recepção! Eu estava esperando por qualquer um desses absurdos.
— Entendo. A garçonete olhou tristemente para minhas mãos trêmulas e saiu.
O telefone vibrou. Não encontrei imediatamente forças para ver o que estava ali... Mas o que vi percorreu a minha espinha.
Eu quero convidar você para o meu casamento!
— O QUÊ?! Pela primeira vez fui a primeira a apertar o botão “ligar”, contei silenciosamente os bipes. A minha mãe, como que de propósito, não atendeu até o último minuto. E quando ela finalmente atendeu, gritei literalmente: o que significa “casamento”?
— Lisa, acalme-se. Pela primeira vez, a voz da minha mãe era tão comedida e calma. Fiquei até confusa. — O seu pai morreu há vinte anos. E finalmente encontrei um homem digno e estou pronto para seguir em frente. Você não pode ficar feliz pela mamãe?
Não tenho certeza se disquei o número certo, verifiquei se estava correto três vezes. E, não encontrando erro, eu sussurrei incerta: não entendo... Você não queria...
— Porque não tinha conhecido um homem digno, querida. Ela sorriu, e não consegui encontrar o que responder. Por algum motivo fiquei amarga, lembrei-me do meu pai. — Em geral, enviarei todos os dados por mensagem. O casamento será na costa sul da França. A cerimônia está marcada para o final de julho.
— Em duas semanas?! Fiquei horrorizada, engolindo oxigênio nervosamente com os lábios abertos. — Você não poderia ter me contado antes, mas e o meu trabalho?!
— Qual é o problema com o seu trabalho? Eu te imploro! Conselheira geral assistente, ugh... Minha mãe riu. Pelo menos uma coisa não mudou: seu egoísmo total. — Então, te espero depois de amanhã. Já estamos aqui, por assim dizer, descansando antes da festa e nos acostumando. Quero apresentar você ao meu amado.
— Mãe. Eu implorei. — Não posso simplesmente pegar isso e...
— Aliás, ele pagará todas as suas despesas. Não é fofo? A minha mãe me interrompeu, suspirando sonhadoramente. — Venha com urgência, Lisa. Quero te apresentar a ele!
Mamãe desligou e eu fiquei olhando para a tela do telefone até que ela apagou completamente.
— Devo trazer algo para você comer? Ouvi a voz da garçonete.
— Sim, por favor. Eu a respondi. Mas seu rosto ficou imediatamente distorcido assim que eu dei a ordem: dose dupla!
.....
O Café "Santa Madre" ficava no hotel perto do mar. Congelando na entrada, sorri sarcasticamente, apreciando a ironia da situação. Minha querida mãe definitivamente não era santa, e o nosso relacionamento deixava muito a desejar. Mas não podia perder a oportunidade de ver o meu novo “papai”. Afinal, ao longo dos anos de farra, a minha mãe concordou pela primeira vez em se tornar esposa de alguém. De alguma maneira eu estava feliz em não ter que testemunhar as suas aventuras.
— Com licença. Uma simpática garota de uniforme azul chamou a minha atenção na entrada. — Você tem mesa reservada?
— Sim, sim. Suspirando pesadamente, pensei pecaminosamente: talvez eu possa fugir? Mas imediatamente rejeitei esse pensamento. — Em nome de Zoya Tavera.
Fiquei enojada comigo mesmo ao pronunciar esse sobrenome fictício. Mamãe se livrou do lindo e majestoso Popov do meu pai, na fase da sua transformação.
— Vamos. Acenando para mim com um lindo cardápio rosa-azulado, a garota foi até o final do restaurante, onde havia gazebos com cúpula única. — A sua mãe tem muito bom gosto, você terá acesso privativo à praia.
Por que, você pode perguntar, há acesso privado à praia no restaurante? Fiquei intrigada, mas não perguntei. A minha mãe apareceu no horizonte. Ela estava usando um vestido de couro justo, do qual os seus se8ios de silicone literalmente saltavam. Vale a pena notar que esta foi a primeira vez desde os meus cinco anos que a vi vestida tão modestamente.
— Lisa, você veio! Pulando da cadeira, ela de repente correu para me abraçar. Não acostumada com tal sentimentalismo, eu congelei no lugar, enraizada no local. O abraço permaneceu unilateral, após o que a minha mãe recostou-se indiferentemente, sussurrando para a garçonete: esta é minha irmã. Somos realmente como gêmeas?
A garota assentiu educadamente e eu revirei os olhos incontrolavelmente. Mamãe tinha quarenta e três anos. Embora jovem devido à gravidez e ao parto aos dezoito anos, as constantes cirurgias plásticas deixaram a sua marca.
— Bem. Depois de encher os meus pulmões de oxigênio, coloquei os cotovelos sobre a mesa e levantei a sobrancelha interrogativamente. — Onde?
Eu ficaria por aqui até o casamento? Não sei. Mas eu definitivamente queria olhar esse homem nos olhos.
— Ah, ele já está aqui, amor! Mamãe bateu palmas em antecipação e riu. Comecei a olhar em volta. Passou um avô de uns oitenta anos, quase estendi a mão para ele para apresentá-lo, a minha mãe de repente bateu no cardápio. — Ele não, idi8ota! O meu querido está apenas tentando lutar contra os cadarços de seda. Contanto que ele ganhe.
Franzindo a testa, não entendi nada do que ela estava falando, e então um homem apareceu debaixo da mesa ao lado da mulher. Ele estava amarrando o tênis ali? Percebi, mas imediatamente os pensamentos deixaram a minha cabeça.
Olhos azuis, sobrancelhas largas e escuras, traços faciais marcantes e cabelos grossos e penteados descuidadamente. Era ele. Aquele que tentei esquecer durante três anos e meio.
— Deus! Um sussurro baixo escapou dos meus lábios, embora eu tivesse certeza de que estava falando sozinha. — Pedro!