Paloma Narrando O som tava estourando, grave batendo no peito, a fumaça do fininho se misturando com o cheiro do álcool. Eu já tava meio alta, corpo solto no ritmo, mas ainda com aquela marra de sempre. Curupira encostou do meu lado, e eu até tentei ignorar, fazer ele cansar da minha indiferença. Mas o desgraçado não cansa, parece que se alimenta do meu silêncio. Antes que eu percebesse, ele me puxou pela cintura. Mão firme, gelada, um arrepio subiu direto pela espinha. O beijo veio de repente, pesado, sem espaço pra recuar. Senti o gosto forte da erva misturado com o álcool, aquela mistura quente e amarga que grudou na minha boca. Eu quis empurrar, mas a mão dele tava apertando meu corpo com uma força que parecia que me prendia ali, sem escapatória. Quando ele parou, foi só porque fal

